Emília Santos nasceu, cresceu e ainda vive na sua aldeia onde tem uma lojinha que já vem do tempo do seu pai. Na sua entrevista fala da vida na aldeia e do que mudou deste a sua infância.

[hide for=”!logged”] 00:00[Apresentação] Maria Emília Santos – 29 de Janeiro de 1947. Nasceu em Além do Rio e sempre lá viveu.

00:16[filhos] tem dois, Vasco e Ricardo que nasceram em Viseu. Têm 30 e 34 anos. Foram baptizados na aldeia na Igreja Matriz do Gafanhão. Foi um batizado normal com padrinhos e fizeram festa mosdesta.

01:07 [pais] os pais já não são vivos e chamavam-se Joaquim dos Santos e Luzia que também nasceram e viveram sempre na terra.

1:24[Casa de Infância] lembra-se da casa de infância, foi ela que a renovou. Era uma casa antiga coberta de lousa. Dentro da normalidade da aldeia .

[Pais] os pais eram comerciantes da aldeia desde que se lembra.

1:54 [aldeia] não responde mas faz entender que não gosta. Diz que a aldeia está muito sacrificada e que já só há pessoas muito velhinhas, não há juventude, antigamente havia mais gentre muita juventude.

02:37 [o que mudou]não vê melhoras só vê a situação a piorar

02:55[escola]Fez a 4ªclasse. A escola era a da freguesia lá em baixo. A escola era mista rapazes e raparigas. Havia castigos, reguadas.

03:41[trabalho agrícolas] faz trabalhos agrícolas. Tem campos e cultiva legumes como milho, pequena quantidade. Diz que tem que se gostar e que para se aprender não é preciso nenhum curso.

04:35[pais]Os pais também cultivavam .

04:36[trabalho de campo] hoje há maquinas agrícolas e tractores, antigamente era com carros de vacas. Ainda tem os utensílios.

05:00[animais]não tem animais mas já teve. Tinha vacas, porcos. Dava-lhe comida.

05:31[catolicismo]é católico o padroeiro da aldeia é a Nossa Senhora do Pranto [festas] a festa é a da Nossa Senhora do Pranto, no primeiro domingo de Agosto. Já foi uma grande festa.

06:05 [loja]A loja é do tempo do pai, anos 40, tempos do minério. Ainda não era nascida. Foi o pai que fundou a loja e ela deu continuidade. Vendia-se de tudo antigamente. Coisas que hoje não se vendem. Comprava as coisas nos armazéns, a um armazenista em São Pedro do Sul e Viseu.

06:58[contabilidade]no tempo do pai não havia contabilidade, era uma coleta e lembra-se que ele dizia que ia à fazenda pagar aquela contribuição anual mas não sabe quando era. Ela já tem que ter uma contabilista .No tempo do pai vendia-se fiado. Muito fiado. Havia uma relíquia dum role ?. os clientes pagavam sempre em dinheiro.

07:52 [electricidade] no tempo do pai ainda não existia electricidade. Era a petróleo, com uma candeia de petróleo. Tem um utensílio para usar com petróleo. Mais tarde vieram candeeiros de gás que o pai chegou a comprar. [crianças]As crianças compravam rebuçados, bolachas, raramente compravam, os pais não tinham dinheiro para lhe comprar o que queriam. Algumas pessoas compravam e outras ficavam a conversar.

09:05[produtos da loja] os produtos estavam expostos nas prateleiras. Já havia balanças, pesos e medidas. O aferidor vinha aferir todos os anos.

09:40 [vinho] vendia muito, hoje não se vende nenhum. O vinho era de cá, da região. O vinho era guardado em pipas grandes com uma torneira. Nesse tempo consumia-se muito.

10:35 [São Macário] ao São Macário nunca foi vender.

10:55 [cliente]todos os clientes são engraçados, passa lá muita gente que nem conhece porque a porta está aberta. Nunca teve situacao engraçada.

11:35[produtos de antigamente e de agora] não tem produtos novo tem é menos produtos.

11:50 [diferenças de nota]em termos de comércio antes fazia mais negócio que agora.

12:19 [quem frequenta a loja ]Quem costuma ir à loja são pessoas da aldeia e outras pessoas porque a loja fica numa passagem.

12:25[rancho] já houve um rancho agora não há.

12:48 [como é que o pai ir buscar os produtos]vinha nos carros das vacas antes de haver estradas, o carro das vacas ia buscar os produtos ao Ervilhal porque a estrada só ia até lá. Havia muitos carros de vaca, agora já não há.

13:26[lendas] Lendas não é com ela.[/hide]