Andreia Meneses emigrou com a família para o Luxemburgo com apenas três anos de idade. Primeiro foi o pai, em busca de uma vida financeira melhor, e a jovem juntou-se-lhe com a mãe alguns meses depois. Para trás ficavam os cuidados dos avós, no Outeiral, de quem era muito próxima por ser a neta mais nova.

Seguiu-se uma longa viagem de autocarro até ao Luxemburgo. Embora não se recorde, Andreia soube, mais tarde, que passou o percurso muito irrequieta e a fazer muitas questões, o que encantou os restantes passageiros.

Em contrapartida, guarda memórias do pequeno estúdio que acolheu a família e dos vizinhos, de quem gostava muito. Em Esch-Alzette, começou o percurso escolar, um trajeto que foi difícil ao início, porque todos falavam línguas diferentes. Apesar da barreira linguística, deu-se logo bem com uma menina francesa e a verdade é que conseguiam entender-se.

Já a professora, que só falava luxemburguês, foi a única que a fez sentir que ser portuguesa era prejudicial e chegou a dizer à sua mãe que nunca iria conseguir evoluir.

A par das aulas e do recreio, a maior parte do tempo era passada em casa ou a brincar na rua, às escondidas ou a escrever com o giz no chão.

A língua portuguesa – bem como a gastronomia e as tradições – continuava a ser dominante, mas Andreia Meneses aproveitava sempre que tinha a oportunidade de aprender um novo idioma.

Concluído com sucesso o ensino secundário, até ao 13º ano, não quis seguir para a universidade, pois já tinha um bom diploma, na área de comércio e administração. Durante seis meses, procurou trabalho e, embora a sua preferência fosse a área de secretariado clínico, acabou num escritório de contabilidade, onde está há dez anos, juntamente com muitos portugueses.

Apesar de ter as suas rotinas no Luxemburgo bem vincadas, faz questão de voltar à sua aldeia pelo menos uma vez por ano, com o namorado, cabo-verdiano, que cresceu em Lisboa. Em Courinha, no concelho de Castro Daire, destaca que encontra um ambiente diferente, onde toda a gente se conhece, e marcado pelo aroma da natureza, da erva e das flores e pelo ar puro, em contrapartida com o Luxemburgo, onde impera o cheiro a betão, pelas obras constantes. Nas férias, e sendo muito devota de Nossa Senhora, é obrigatória também a passagem em Fátima, de onde sai “renovada e com energias para enfrentar mais um ano”.

A vontade de voltar, no entanto, nunca desaparece, bem como a ideia de investir num cantinho na sua aldeia.