Orlando Oliveira Pinto, de 64 anos, é natural de Adenodeiro, onde recorda uma infância “dura”. Os pais trabalhavam na agricultura e para fazer a 4ª classe, nos idos anos 70, era necessário “correr três aldeias a pé”, até Lamas ou Coura. Ainda assim, concluiu esta etapa com sucesso, após ter feito o exame em Mões. Paralelamente, já ajudava nas tarefas agrícolas, quer fosse a deitar comer aos animais ou a limpar o curral.
O pai foi para o Canadá e, sem correio, telefone ou sequer eletricidade na sua aldeia, durante meses a família não soube do seu paradeiro.
Como a mãe era muito exigente, em vez de prosseguir estudos, foi trabalhar para ajudar nas despesas de casa. O seu primeiro emprego foi numa fábrica em Arcas, e tinha de percorrer, com o tio, os quatro quilómetros de distância.
Quando o pai regressou à aldeia, a família foi à feira comprar uma vaca. Este dia viria a ficar gravado na memória de Orlando Pinto que, ao ver os antigos colegas de escola no recreio, se agarrou à rede do recinto e chorou.
Sensibilizados, os pais deixaram-no voltar a estudar e em dois meses fez o ano letivo, mas teve de voltar ao trabalho e aos 12 anos já era o contabilista da família, que, entretanto, se estabeleceu no comércio de gado, e mais tarde na área da resina e das madeiras.
Ambicionando uma vida melhor, após conhecer e casar com a mãe das filhas, em agosto de 82 decidiu emigrar para o Luxemburgo.
Os primeiros tempos e a adaptação não foram, no entanto, fáceis. Se, em Portugal, era filho de empresários, ali teve de começar do zero, “com a pá e a picareta”, chegando a trabalhar com 15 graus negativos. Orlando Pinto confessa mesmo que queria voltar à sua terra, mas a responsabilidade do empréstimo que tinha para fazer a casa na aldeia fê-lo arregaçar as mangas e lutar. Por outro lado, tinha encontrado um país mais avançado do que o seu, ao nível das vias de comunicação.
Assim, sempre com a ideia de poupar, o tempo era dividido entre trabalho e casa, à exceção de um ou outro domingo, que ia a um clube português, de gente da Bairrada, ou jogar à bola.
Para combater o rigor do clima, recorda que cortava tábuas que, de outra forma, iriam para o lixo, em pequenos pedaços para acender o aquecimento em casa.
Quando vinha a Adenodeiro, em agosto e no Natal, via a sua casa a ganhar forma e “não faltavam ideias”. Aliás, as férias eram passadas a trabalhava na habitação, nota.
Aos 25 anos, foi pai e no Luxemburgo nasceram as suas duas primeiras filhas, sendo a mais velha a jurista da Sopinor, o grupo económico que fundou que se dedica à construção civil, vias rodoviárias e obras públicas, tem vindo a crescer significativamente desde 2008, em contraciclo com a economia na época.
O empresário conta que começou com quatro homens e um cantinho a fazer de escritório em sua casa. Aos poucos, que foi adquirindo material e continuou a investir na sua formação. Hoje, sente que a qualidade do seu trabalho foi reconhecida.
A nível familiar, depois de ter refeito a sua vida, teve mais dois filhos.
A empresa, por sua vez, passou a incluir uma filial no Algarve, para onde Orlando Pinto pensa mudar-se, mas, garante, sempre atento aos negócios.