A Infância de Rui Costa não foi fácil. Frequentava a escola primária em Arcas – Castro Daire quando perdeu o pai, aos oito anos. Aos 14, além dos estudos, já trabalhava, e aos 17, com o 9º ano, assumiu funções permanentes numa pedreira.

Em 2002, o padrasto decidiu emigrar e, um ano depois, decidiu juntar-se-lhe, à experiência, no Luxemburgo, onde tinha também familiares e um colega da aldeia, que fez questão de lhe “mostrar tudo”.

Nos três primeiros meses, ficou alojado em casa de uma prima, altura em que a mãe emigrou também e a família se reuniu. Rui Costa conseguiu, desde o primeiro momento, emprego na Sopinor, onde continua a trabalhar com máquinas de rasto e na requalificação e estradas.

Sendo uma empresa com muitos portugueses, nota que a adaptação foi fácil e tem sido, ao longo dos anos, complementada com experiência e formação. Ainda assim, realça, “é preciso sair muito cedo, por causa do trânsito”.
O emigrante defende que o custo de vida no Luxemburgo não é mais caro, sobretudo tendo em conta a pouca diferença de preços nos supermercados e comparando o ordenado mínimo praticado nos dois países. Ainda assim, realça que uma ida “a um restaurante já é diferente”, pelo que é uma questão de ter “algumas regras”.

A língua, a gastronomia e as tradições lusas ajudam a matar saudades, com jantares, convívios e festas ao fim-de-semana, onde não faltam um cozido ou um bitoque. No entanto, salienta, “os produtos sabem diferente em Portugal”.

Anualmente, faz questão de regressar às suas origens e, durante três ou quatro semanas, aproveita para reencontrar familiares ou descansar na costa alentejana. Os três filhos continuam a acompanhá-lo, mas Rui Costa tem consciência de que, com a idade, começam a ter a sua rede. No seu caso, garante que, “se tiver possibilidade, gostava de regressar antes da reforma”.