Da aldeia do Carvalhal, em Castro Daire, José Almeida recorda a vida do campo, que marcou a sua infância. Após os estudos na região, o primeiro emprego foi como pintor da construção civil, aos 15 anos, e aos 17, surgiu a oportunidade de ir para as britadeiras, numa empresa grande a nível nacional.

Como tinha o irmão a residir no Luxemburgo, este desafiou-o a experimentar. Vinha para ficar poucos meses, mas passaram-se, entretanto, 22 anos.

“É tudo uma novidade, um pouco surreal. Há um período em que nos consciencializamos da diferença cultural, linguística. Demora um tempo a adaptar-nos”, recorda, sobre o início.
Embora se sinta bem integrado, como se tivesse nascido naquele país, que se pauta pela diversidade e multiculturalidade, José Almeida explica que “um emigrante acaba por ser um estranho em dois lados”.

Juntamente com a esposa, que também é portuguesa, da zona de Leiria, e os dois filhos, de 10 e 5 anos, costuma vir a Portugal de dois em dois anos, intercalando com outros destinos.

Além do luxemburguês, importante para o pré-escolar, o emigrante faz questão de incentivar os mais novos a contactar com o alemão, muito importante a partir do 1º ciclo, através dos canais de televisão.

Sobre o país que o acolheu, destaca as zonas verdes bonitas, sobretudo no Norte, em contraponto com a indústria, com fábricas “do tamanho de cidades”, que está muito presente, em vez de estar escondida na paisagem.

José Almeida garante que vai “ter sempre na ideia voltar a Portugal”, mas daqui a 30 anos, e tem noção de que o país que recorda não é aquele que existe. “Vou ter aqui os meus filhos e, quem sabe, netos. A minha família vai estar aqui”, justifica.