Rute Marlene Rodrigues Gonçalves nasceu em Arraiolos, mas nunca perdeu a ligação à terra da mãe, em Monteiras, e, sobretudo, do pai, em Codeçais, ambas no município de Castro Daire.

Quando a família decidiu emigrar, tendo-se instalado inicialmente em Soleuvre, no sul do Luxemburgo, Rute tinha concluído a primeira classe, que acabou por repetir, para ganhar algumas bases. “O choque cultural foi imenso, porque eu não conhecia a língua. Então, nos primeiros dias na escola, eu chorava. Tinham de me ir buscar, porque eu não percebia e pensava que as outras crianças estavam a gozar comigo”, recorda.

Com o tempo, a ajuda dos professores e a aproximação de outros alunos portugueses, conseguiu integrar-se. Concluiu duas licenciaturas – em Direito e em Educação Básica – e fez o Mestrado em Filosofia. Atualmente, é professora do ensino secundário, mas acalenta o sonho de dedicar-se à área da Filosofia e da ética, associada à rede prisional do país, bem como de fazer o doutoramento.

Apesar de ser uma cidadã muito ativa e de ter boas perspetivas de fazer a sua carreira no Luxemburgo, a pátria continua a estar muito presente. “Cresci numa casa portuguesa, então a comida era carne de porco à alentejana, feijoada e quem me tira o bacalhau à brás tira-me tudo. Tenho sempre a tendência de voltar às origens”, realça.

Dois meses do verão são passados em Codeçais, aproveitando “as pessoas, a cultura e o clima)”. Além de passear pelo país, aproveita as romarias, e, sendo uma pessoa calma, para desfrutar da região, num ambiente mais rústico.

“Portugal é o país do coração. Há uma conexão íntima”, destaca Rute Gonçalves, que não exclui a possibilidade de regressar, no caso de lhe ser proposto um projeto de trabalho aliciante, ou de, mais tarde, na reforma, dividir o seu tempo entre os dois países.