Apesar do contexto económico e social desfavorecido que se vivia na região de Castro Daire aquando do seu nascimento, na localidade de Mões, Artur Braguês recorda uma infância boa, em que “nunca faltou nada”.
Após o 6º ano, não quis continuar os estudos e começou a trabalhar na Visabeira. Aos 18, enquanto jogava à bola em Castro Daire, começou a aperceber-se de que “os emigrantes regressavam nas férias grandes com bons carros”, e decidiu partir também. A primeira paragem foi em Champex-Lac, na Suíça, e nota que “só queria trabalhar”. A sua ambição era a comum aos demais: ganhar dinheiro para construir uma casa e voltar à sua terra.
“O nosso canto nunca se esquece”, garante, com o estilo alegre e positivo que o carateriza.
A par das funções no setor, tirou o diploma de barman, à noite, na Escola de Hotelaria de Lausanne, o que lhe permitiu progredir na carreira.
Algum tempo depois, no entanto, e sendo um português sem posses, a sua relação com o Presidente da Câmara de Lausanne não foi bem vista e viu-se obrigado a sair da Suíça durante dois anos.
Não se sentindo bem-vindo, fechou a porta à confederação helvética e, em 1989, chegou ao Luxemburgo, retomando o trabalho na hotelaria. No dia seguinte, um empresário italiano já lhe apresentava contrato de trabalho.
Artur Braguês conta que o que lhe custou mais foram as relações interpessoais, pois “vinha habituado a sorrisos” e cumprimentos, e encontrou um povo mais frio. Ainda assim, o seu otimismo prevaleceu, pois considera que “quando as pessoas sabem trabalhar e são simpáticas têm cabimento em todo o lado”.
A sua formação permitia-lhe ter um bom ordenado, mas foram muitas as peripécias que granjeou com o seu talento, que o levou, em 1991, a ter um espaço próprio, o Cocktail Bar Classic.
Quando, alguns anos e um divórcio depois, percebeu o quão é complicado conciliar o trabalho noturno com a vida pessoal, vendeu tudo e comprou um táxi. Aos 39 anos, apareceram os primeiros sintomas da doença de Parkinson, mas o empresário recusou-se a parar, enfrentando as dificuldades com “coragem”, fazendo desporto e tentando ser mais forte.
Entretanto, voltou a casar e o casal criou três filhos. A esposa, Ana Maria, fundou a Antena Mais, uma rádio digital, na pandemia e, mais tarde, tornou-se assistente social numa associação que ajuda sem-abrigo e famílias com dificuldades económicas. Em casa, garante, só se fala português e as raízes estão sempre presentes, nomeadamente na gastronomia.
Artur Braguês está já reformado e, sempre que pode, gosta de regressar a Mões, onde faz questão de pôr as mãos na terra e de manter os terrenos limpos, como era gosto dos seus pais.