Antes de desaguar no Paiva, o rio Mau serpenteia a aldeia da Granja, banhando as suas margens com histórias de juventude e namoricos, roupa lavada e corada ao sol, e caminhos calcorreados para chegar aos moinhos.

Cada família tinha o seu tempo de moer, por vezes até de noite, e a distância era percorrida à luz da lanterna a petróleo. O milho era colocado na moega e o seu cair lento sobre a mó, accionada pelo rodízio junto à água, era o coração do processo tradicional. O regresso, com os sacos de milho já pronto, era feito de taleiga à cabeça até à aldeia, passando o testemunho ao próximo. Em casa, começava-se outra etapa, com o cereal a ser usado para cozer a broa ou para alimentar os animais.

Como não havia fartura, colhia-se também o carriço, uma planta abundante junto ao rio. As jovens da aldeia diziam aos pais que “iam ao molho” e aproveitavam para se banharem nas suas águas refrescantes. A ponte, que foi sofrendo mudanças ao longo dos tempos, é o epítome dessa resenha histórica que acompanhou a própria aldeia.