Documento audiovisual integrado no projeto “Da Serra para a Fábrica” da Binaural/Nodar e da Biblioteca Municipal de Castro Daire, o qual visa resgatar, pensar e expressar criativamente sobre as memórias da diáspora migrante para a zona oriental de Lisboa ao longo do século XX, com a particularidade de a maioria dessa gente ser oriunda da Beira Alta, nomeadamente dos concelhos de Castro Daire, Cinfães, Resende e São Pedro do Sul. O projeto faz parte da rede cultural “Where the city loses its name” co-financiada pelo Programa Europa Criativa e que junta a Binaural/Nodar, os parceiros espanhóis/catalães da LaFundició e os romenos da Fundatia AltArt.
Como acontece com qualquer pessoa, a vida de Amadeu Pereira forma uma malha entrecruzada de contextos individuais e coletivos. Como tanta da juventude das aldeias da serra do Montemuro (município de Castro Daire), gente nascida num mundo de essencialidade rural quase medieval, Amadeu Pereira rumou para a zona oriental de Lisboa em busca de algo mais e a ida para a tropa acabou por ser decisiva para a profissão que lhe calhou em sorte, a de barbeiro. Quase que por definição, um barbeiro é alguém que escuta, observa e sente o fluxo quotidiano da sua freguesia e Amadeu assume essa condição de cronista informal falando de tudo um pouco: das empresas que empregavam milhares de trabalhadores (as fábricas do “material de guerra”, dos “sabões”, da UTIC – União de Transportadores para Importação e Comércio, da estiva no Porto de Lisboa, etc.), do “pessoal” que era quase todo da “terra” (ou seja das aldeias entre a serra do Montemuro e a serra de São Macário), dos bailes mandados com as contradanças, dos encontros amorosos e, por último, da recente transformação acelerada com viadutos e vias rápidas a cortarem o bairro a meio o que, juntamente com a ida de muita gente para novas casas situadas noutros bairros, tornou aquela barbearia noutra coisa, mais pacata, mas também mais multicultural.
Entrevista a Amadeu Monteiro Pereira realizada por Susana Rocha no dia 24 de fevereiro de 2015 em Marvila (Lisboa). Edição audiovisual de Nely Ferreira.
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00:04 [Apresentação] Amadeu Monteiro Pereira. Nasceu a 15/07/48, em Castro Daire, Ermida.
00:25 [Chegada a Lisboa] Tinha feito 24 anos há poucos meses. Acabei a tropa e vim aqui empregar-me. Lá na província a coisa era assim um bocado complicada. Tinha que se andar nas terras e tal e então resolvi vir para aqui. Naquela altura havia bastante (trabalho).
01:06 [Viajem] Olhe, sinceramente, foi de autocarro, já não me lembro assim muito bem, que foi há muitos anos. Mas, olhe, acho que até foi de comboio, já nem me lembra. Já me passou mesmo da ideia. Já conhecia alguma coisa (de Lisboa), pouco, porque andava na tropa no Algarve e passava aqui.
02:04 [Primeiro emprego em Lisboa] Quando acabei a tropa, passei por aqui pela barbearia. Pedi trabalho, mas naquela altura não havia, estava completo, e eu fui-me embora. Depois telefonaram-me lá para a terra e escreveram lá a umas pessoas de família para eu vir para aqui. Deram o número de telefone e eu telefonei para aqui e vim aqui. Saí da tropa e ao cabo de umas três semanas vim para cá. E vim logo trabalhar para aqui para a barbearia.
02:41 [Para onde foi morar] Morei em vários lados. Os primeiros dias foi em casa de umas pessoas de família, depois em casa de umas pessoas conhecidas, depois fui para quartos. Corri muito lado.
03:07 [Trabalho] Tinha dois patrões, um era Joaquim Pito e outro era Arlindo Cardoso. Quer dizer, a mulher é que era a sócia, mas ele é que continuava sempre com a gente. A mulher, essa nunca cá veio, ele é que vinha.
03:34 [Ofício de barbeiro] Já sabia um bocado. Quer dizer, não se trabalhava como hoje, mas na tropa foi o meu serviço. Estive lá trinta e tal meses a trabalhar e cheguei a trabalhar também no registo civil, assim uns dias, na tropa. Tinha lá uma pessoa que foi passar um fim de semana num passeio e então lá pediu ao comandante e eu fui lá tomar conta da barbearia e cheguei lá a ir também trabalhar às vezes aos fins de semana para uma aldeia. Lá um senhor também tinha uma barbearia, que era irmão desse que eu ia trabalhar para a cidade, que também tinha uma barbearia na cidade. O homem era músico, mas para não perder os clientes eu ia lá ao Domingo fazer o serviço que ele ia fazer.
04:40 [Barbearia Moderna] Tinha feito 24 anos em Julho, em Outubro saí da tropa e em Novembro vim para aqui. Isto aqui era tudo pessoal da província. Era, quanto a mim, acho que (as pessoas) eram mais amigas do que são hoje. Naquela altura as pessoas eram mais pobres, e as pessoas quando são mais pobres são mais humildes. Era malta lá da nossa zona. Havia mais malta da zona porque isto era aqui a zona das barracas, onde agora é este bairro novo, Quinta Marquês de Abrantes. E então a zona aqui era tudo da província. Era diferente, hoje já está tudo mais espalhado. Vinham cá e depois passavam aqui para trabalhar aqui nestas fábricas, e era tudo conhecido. Passavam por cá de manhã a ir para os trabalhos, passavam à hora de almoço, depois à noite.
07:29 Naquela altura havia muita malta, chegamos a estar aí a trabalhar, pelo menos ao fim de semana, três pessoas. Agora sou só eu. Tinha patrões, depois agora aqui há uns vinte anos é que fiquei eu com o negócio.
07:58 [Outros trabalhos que teve] Eu sei fazer isto e sei fazer mais coisas, eu fui habituado na província. Na província trabalhava também no campo. Também cheguei a fazer cestos para as vindimas.
08:24 [Mudanças no negócio] Isto está a mudar muito, de dia para dia está a mudar muito. Isto agora assim nos últimos anos está a ficar um bocado…Bom, mas não é só eu, é o negócio todo, porque isto aqui estes armazéns fecharam todos, aqui estas casas também já não mora ninguém, saiu tudo daqui. Isto aqui portanto é uma zona que está muito desprezada. Tinha-se muita malta, havia aí muita gente, passava aqui. E agora há pouco tempo também cortaram aqui a passagem de nível, depois fizeram aqui este túnel, aqui há uns dois ou três anos. Fizeram uma avenida aqui em cima. E as pessoas passavam aqui, depois que fizeram aquela avenida já não passavam, há coisa de três anos. Isto foi o pior aqui prá gente. Isto agora quase que não passa aqui ninguém. E se não fosse aqui a igreja e aqui o lar dos velhos, desconfio que havia dias e dias que quase não passava uma pessoa.
09:38 [Tempo e espaços de convívio] Nessa altura, a gente entretinha-se praí com os amigos. Depois, ao cabo aí de uns dois anitos de cá estar, comecei a ter assim confiança aí com as pessoas e ia trabalhar fora, depois de sair daqui. Às vezes era meia-noite e eu em casa de pessoas a trabalhar, a cortar cabelos. E aos fins-de-semana. Ia trabalhar fora, era aos sábados depois de sair daqui, era aos domingos, era à noite. Andei assim durante vinte e tal anos a correr essas zonas aqui a cortar cabelos.
10:33 Era novo e a gente dava para aí assim umas voltinhas. Entretinha-se aí. Olhe eu no geral andava sempre sozinho, não nunca fui muito de me juntar assim com certa malta, porque uma pessoa sozinha é uma coisa, com outros é diferente. Eu fui sempre assim na minha vida. Às vezes juntava com um amigo ou dois, lá íamos à nossa voltinha, mas mais vezes ia sozinho. Uma pessoa sozinha ia pra onde queria, ninguém sabia. A gente tinha sempre amigos e tenho, mas portanto eu como tinha o meu trabalho fora, também nunca dava assim pra me juntar com certas pessoas. Por exemplo aos domingos, ia trabalhar à hora do almoço e depois de tarde é que era a minha voltinha. Era tudo malta de lá de cima das nossas zonas.
11:53 (namoros) Bom, isso aí não dá para explicar. Quer dizer uma pessoa conversava com esta e com aquela, havia uma, pronto, agradava, havia outra agradava e a gente assim nunca se dedicava a uma. Uma pessoa gostava de todas e uma pessoa acaba por não arranjar nenhuma.
12:22 [Bailes] Havia para aí às vezes esses bailes aí assim. A gente às vezes ia para aí. Naquela altura era diferente de agora. Depois eu também, aí há coisa de uns trinta e tal anos também comprei um carro. Era raro haver um rapaz aí com um carro. Eu já tinha carro, andávamos para aí a passear. Andávamos por aí a dar as nossas voltas. Aos domingos havia sempre para aí bailes. Às vezes lá ia, outras vezes não ia. Às vezes ia só para ver. Para ver a música, não era por causa de dançarem, era só para ver a música. Depois encontrava-se lá com pessoas amigas, conversava-se um bocado e era assim.
13:17 [Conjuntos] Sim, ainda me lembra. Havia uns que eram ali do lado de Cinfães, chamavam-nos Finfas. Os Paradelas, era isso.
13:35 [Danças] Dançava-se, mas aquilo era tudo à moda da província. Era, naquelas coisas era à moda da província. Às vezes cheguei a ir assim a bailes mais típicos na baixa, mas pronto isso já eram músicas mais modernas, mas a gente os conjuntos lá não sabia o nome deles. Aqui (em Marvila) era igual, era tudo malta lá de cima, de Castro Daire, São Pedro do Sul, Resende, Cinfães. Era de todas as idades, era novos, era velhos. Os velhos ainda eram piores que os novos. Os velhos é sempre pior que os novos, em qualquer baile. Mesmo agora, vais à província, os velhos são piores que os novos. Às vezes havia lá raparigas, mas também não conhecia os pais, e se conhecia não sabia que eram os pais. A gente gostava de ver aquelas músicas à moda lá da província. Lá ver aquelas contradanças e tal. Gostava de ouvir. E gostava de ver a dançar, gostava de ver. Os nomes das danças também não sei, mas é aquelas músicas sei lá aquelas valsas, chamam aquilo valsas. Os pares eram os mesmos, outras vezes trocava-se, era como calhasse.
16:01 [Clubes de Futebol] Sim, (juntava as pessoas), mas eu assim de coisas de futebol nunca fui assim ver bola. Mas juntava, mas eu nunca fui. Não era (adepto) de nenhum clube. Trabalhei muito. A minha vida era a trabalhar.
17:05 [Mobilidade] Quando andava a trabalhar era a pé. Era assim tudo perto. Era a pé, era de barraca para barraca, outras vezes era em casas, era sempre a pé. Era Bairro Chinês, era ali Vale Fundão, corria vários bairros. De ruas não (me lembro), havia para aí essas azinhagas, mas era os Alfinetes, o José Patrocínio, a mais eles também não sabiam os nomes das ruas. Como ainda hoje há aí ruas que passo e não sei o nome delas.
18:10 Andava-se por aqui. Às vezes íamos para a baixa, juntávamos uns amigos, íamos para a baixa. Lá para a baixa é que eu ia mais. Era um bocado diferente (de Marvila), mas naquela altura na baixa em qualquer lado se podia estacionar carro, agora já não. Mas naquela altura havia poucos carros. A gente ia para a zona da baixa, íamos lá dar umas voltinhas e a gente já passava o tempo. Lá na baixa às vezes era aqueles conjuntos mais típicos, aqui era mais à moda da província.
19:34 [Bairro] Vim morar aqui para o Bairro Chinês para casa de umas pessoas de família. Depois fui para casa de pessoas conhecidas, depois andei ali assim na Madre Deus, em Xabregas, depois Vale Fundão, várias zonas. Era bairro de barracas, era muita gente ali. (Era de madeira e zinco) e também já lá havia algumas em tijolo. E outras eram, portanto, tinham umas partes por fora em madeira, mas por dentro já tinham tijolo, noutras partes era metade em madeira metade em tijolo, havia várias maneiras.
20:29 [Hortas e Animais] Também havia às vezes aí assim umas hortas, também havia. Era batata, cebola, fava, ervilha, hortaliças, era isso que punham. Ainda como hoje alguns fazem isso, a mesma coisa. Ainda hoje há. Havia quem tivesse (animais). Agora já é diferente, agora já é raro, mas antigamente havia quem tivesse. Que eu me lembre aí vi ovelhas. Chegou aí a haver ovelhas e cabras. As galinhas, a maior parte das vezes as pessoas tinham, a gente não via. Mas assim ovelhas e cabras a gente às vezes via porque andavam aí nos terrenos. Faziam criação, depois deviam de vender ou comer, isso aí não sei dizer porque já não estava ao meu alcance saber isso. Mas eu sei que via as ovelhas aí nesses campos, depois o que faziam não sei, mas deviam vender.
22:07 [Pátios] Há pátios. Havia e ainda continua a haver. (Juntavam-se) pelo menos os vizinhos uns com os outros. Por exemplo nós aqui tínhamos um pátio, as pessoas vizinhas daqui juntavam-se. (As crianças) brincavam, andavam para aí na brincadeira uns com os outros.
22:54 [Casas] Agora mais tarde havia luz elétrica, mas antigamente… Portanto, eu quando vim para aqui já existia há muitos anos. Depois disseram que primeiro não tinham, mas depois mais tarde quando vim para aqui podia haver alguns que não tivessem, mas quase já todos teriam. As casas de banho isso era tinham uma casa de banho para mais de vinte ou trinta. Era, aquilo era um bocado complicado. Nisso (saneamento) também era um bocado mau, quando era o tempo das barracas. Agora mais tarde já estava melhor, mas primeiro era mais complicado.
22:52 Era quase a mesma coisa. Quando era aqui nas barracas ou na província era quase a mesma coisa. Mais tarde já era diferente, era. Pronto, depois mais tarde já as pessoas começaram a sair, depois barracas já havia muito menos, depois a malta já começou a fazer as suas casas de banho, tornou-se um bocado diferente.
24:44 [25 de Abril] Sei lá. Quase a mesma coisa. Isto só mudou foi para pior. Para pior é que isto ficou, porque primeiro havia aí muitas fábricas a trabalhar, depois veio o 25 de Abril e mais tarde começaram, olhe começaram a fechar tudo, é o que se está a ver agora. Rebentaram com tudo. Deram cabo de tudo. Depois aqui assim, esta zona aqui de Marvila era a melhor zona do país e agora é a mais ruim de todas. É, e chegou a ser a melhor. Não é só aqui, sei lá, mas só aqui assim nestas zonas aqui, talvez empregasse mais de 100 mil pessoas.
25:43 [Fábricas] Então nessas fábricas, havia aqui o material de guerra, o sabão, havia aqui a Utique, Automática, eu já nem me lembra. Havia a Estiva, que era as descargas dos barcos, chegaram a trabalhar aí mais de 3 mil, agora é meia dúzia deles. O material de guerra chegou a ter aí uns 3 mil, agora está a zero, fechou tudo. A Automática praí umas 3 mil, ou mais. A Utique era a mesma coisa, o Sabão a mesma coisa. E outros armazéns aí que eu nem sei o nome deles. Desapareceu tudo.
26:26 Esta rua aqui assim de manhã e à hora do almoço e à noite quase que não se podia passar aqui. Passava mais gente naquela altura numa hora, que hoje passa num ano ou dois.
26:24 [Filhos] Sou solteiro.
27:04 [Casa na aldeia] Fiz lá uma vivenda, uma moradia. Aqui em Lisboa pago renda. Lá, tenho lá uma vivenda.
27:32 [Idas à aldeia] Ia pouco. Sei lá, ao princípio já nem me lembra, mas era quando ia de férias. E agora pouco mais. Tenho ido duas vezes (por ano), é nas férias e por o Natal.
28:05 [Relação com a aldeia/Vontade de Regresso] Quer dizer, uma pessoa pensa sempre em voltar, mas a gente começa aqui a conhecer pessoas, começa aqui a ter o trabalho, já está aqui há muitos anos, já está muito habituado aqui. Mas de hoje para amanhã a gente terá que ir para lá. E então se isto estivesse bom, uma pessoa ainda era capaz de cá estar mais tempo. Como isto está a piorar, é capaz da gente ter que ir mais depressa.
28:36 Alguns vão, mas quer dizer, outros como têm os filhos, têm lá as suas casas, vão lá passar uns tempos, voltam e fazem assim. Estão lá uns meses, depois passam cá o Inverno e assim. Embora lá fizessem as suas casas, como eu também fiz a minha, mas pronto, mas a gente tem aqui o trabalho, temos de estar aqui.
29:18 A gente aqui convive mais com pessoas lá das nossas zonas, que é as pessoas que vêm aqui. Olha eu quando vou à minha aldeia, é assim, uma pessoa pensa que pronto tem aqui o trabalho, passa-se lá duas ou três semanas e a gente tem que vir embora outra vez para aqui. Tenho lá família. Conheci, antigamente rapazes novos que a gente conhecia. Hoje quando a gente lá vai que se encontra, a gente conhece e a gente falamos, cumprimentamos, falamos.
30:25 Esta malta nova assim das minhas idades saiu de lá quase tudo. Uns para aqui para lisboa, outros para o estrangeiro. Saiu tudo. Agora há lá pouca malta. Novos há lá poucos. E vêm-se trabalhar poucos. Aquilo também está assim um bocado desprezível. Pois agora está difícil, também está um bocado. Isto aqui (Lisboa) não está nada fácil agora. O que é mais difícil é para estas pessoas que aí não têm emprego e é um bocado difícil é, ou às vezes só um a trabalhar. O custo de vida também está caro. Às vezes não é fácil para certas pessoas. E depois as pessoas houve uma altura que tinham a vida mais ou menos, estavam habituados a uma certa vida melhor. Agora complicou-se, agora é um bocado complicado, sabe. Uma pessoa quando está mal e vai para bem é muito bonito, mas quando uma pessoa está bem e vai para mal é um bocado lixado, é um bocado ruim. As pessoas têm que se mentalizar para isso. E eu, portanto, quer dizer eu não sei se serei diferente de algumas pessoas, mas eu fui habituado a passar mal e então vim para aqui, já tive possibilidades de passar uma vida melhor, mas nunca me alarguei muito. Fiz sempre a minha vida mais ou menos normal. E estou preparado para tudo.
32:19 [Futuro] Olhe isso, isso o futuro não sei dizer ao certo. O que já se passou a gente já sabe. Agora o que está para vir a gente é que não sabe. Mas pronto eu queria ver se estava aqui mais algum tempito. E depois quando coiso olha pode ser que a gente regresse outra vez à terra onde nasceu. Gostava, porque tenho lá as minhas coisas. Tenho lá a minha casa, tenho lá quintal. E depois tenho outros terrenos, não é, tenho lá quintal ao pé de casa. Depois temos uns terrenos que eram dos meus pais. Também tenho lá uma loja na vila de Castro Daire. Também lá tenho uma loja, mas quer dizer está fechada. Há um vizinho meu lá em Castro Daire que põe lá coisas. Emprestei-lha, mas é como se esteja fechada. Guarda lá coisas, mas vai abrindo a porta.
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