José Carlos Pereira Chaves nasceu em Moledo, no município de Castro Daire, onde viveu com os pais, praticamente até se casar, em 1980. Fez a 4ª classe e após as aulas ajudava na agricultura e a cuidar dos animais. Aos 18 anos, já trabalhava por conta própria, na construção civil.

Em 2008, com 49 anos e a filha mais velha a viver na Suíça, a crise económica obrigou-o a ir para o Luxemburgo. “Foi um pouco duro, mas adaptei-me bem”, recorda.

Chegou em março, com o segundo filho, de 25 anos; e, em agosto, a esposa, o terceiro filho, com 18, e a filha mais nova, com 10, juntaram-se-lhes. A família instalou-se em Differdange.

José Chaves e o rapaz mais velho conseguiram trabalho na Sopinor, onde ainda permanecem, e o filho mais novo começou a laborar na área do aquecimento central. A menina ingressou na escola, onde, curiosamente, viria a encontrar um professor de Mões.

Andreia Monteiro Silva, nascida em 1993, em Castro Daire, é sua nora. Estudou até ao 12º ano e prosseguiu para a Universidade de Coimbra, onde tirou o curso de Solicitadoria e Administração. Seguiu-se um estágio num gabinete de advogados, em Castro Daire, onde lhe deram a possibilidade de continuar a trabalhar. Porém, o namorado, Flávio, atual marido, com quem estava desde os 15 anos, emigrou para o Luxemburgo com os pais em 2008 e decidiu tentar também.

“Na minha cabeça, vou mas venho”, lembra. Chegou há nove anos e, recorda, “foi muito difícil”, pois “não sabia nada de francês”.

O empresário Orlando Pinto, também de Castro Daire, deu-lhe a oportunidade de fazer estágio na Sopinor, mas quando Andreia Silva reconheceu que a exigência não se adaptava ao seu domínio da língua, decidiu sair. “Dizia aos meus pais que estava a adorar [viver no Luxemburgo], mas era mentira”, nota. Seguiu-se uma experiência num supermercado, que também não correu bem e, durante três anos, o trabalho em limpezas. Conta que financeiramente era bom e permitiu ao casal sair da casa dos sogros, mas a nível intelectual, valorização pessoal e de aprendizagem de francês não foi positivo.

Quando se despediu e foi para o desemprego, entrou no ramo dos recursos humanos, pois era valorizado o conhecimento de português. Hoje, reconhece que é uma profissão de que gosta “muito”. “As pessoas que vêm até nós estão a chegar e a gente sente que é a primeira mão”, explica, salientando a vertente humana do que faz, como recrutadora e comercial. “A Andreia de hoje não é a que chegou em 2015”, garante.

Agarrando as oportunidades que surgiram no país de acolhimento, o casal investiu no setor imobiliário e, com a vida estável, teve o primeiro filho, em 2022, o Salvador, que herdou do avô materno o bichinho da concertina. Andreia está grávida novamente e gostava de ter uma menina.

Três semanas das férias são passadas em Castro Daire e divide o tempo com a aldeia da Relva, onde tem a avó e os tios; e Coura, a terra do marido, aproveitando um concelho recheado de festas populares.