Joana Silva e José Santos começaram a vida em Portugal, no concelho de Castro Daire, mas quando a crise económica e o desemprego bateram à porta, a emigração foi a solução. Partiram rumo ao Luxemburgo, onde já tinham ligações familiares.

José chegou em março de 2013 e a esposa e o filho alguns meses depois, em junho. Inicialmente, instalaram-se em casa da irmã de Joana, mas no verão conseguiram arrendar casa, em Esch-sur-Alzette.

“Os primeiros tempos, sem conhecer nada, foram difíceis”, recorda a emigrante.
Ele começou na construção civil, onde já tinha alguma experiência, por já ter laborado com o pai no setor. Durante cerca de dois anos, trabalhou de segunda-feira a sábado, entre 12 e 14 horas por dia. A esposa conseguiu colocação num lar de idosos, onde está há 11 anos.

No ano seguinte, o casal conseguiu comprar um apartamento e em 2016 nasceu a filha.
Com as restrições de movimentos impostas pela pandemia, um “período difícil”, decidiram que precisavam de uma casa, com terreno, para que as crianças pudessem ter espaço, o que viria a acontecer em 2021. A família voltou a crescer e nasceu mais um menino.

“Graças a Deus, entre altos e baixos do dia-a-dia do mundo, temos uma vida estável”, nota Joana Silva.

Para compensar a agitação do quotidiano, os fins-de-semana contam os convívios entre amigos, que reúnem em ambiente familiar. “É uma verdadeira casa portuguesa”, brinca José.

Quando termina o ano letivo, os filhos vêm até Portugal e pode disfrutar “da liberdade” da aldeia de Lamelas, com os avós. O pai, geralmente, chega 15 dias depois e a mãe, por questões laborais, depende.

Mas “as recordações” acompanham-nos ao longo do ano e, também por isso, a família pensa na possibilidade de regressar, de vez, às origens.

Depois de “uma aventura” de 11 anos com “muitos sacrifícios”, aguardam apenas que o filho mais velho, prestes a fazer 18 anos, termine o curso, pois está numa fase decisiva da sua formação. “Queremos deixar-lhe tudo organizado, para não ter as dificuldades que nós tivemos quando chegámos”, explicam, notando que, falando cinco línguas, tem “os caminhos abertos”. Já os mais novos “têm as bases”.

“A condição de vida nem sempre é tudo” e as saudades são “cada vez maiores”, justificam.