Jorge Pereira de Lacerda nasceu na pequena localidade de Moinho Velho, que integra a freguesia de Mamouros. Após a escola primária, fez o segundo ciclo e o liceu na sede de concelho, Castro Daire.

Aos 17 anos, ainda nas férias, foi convidado para um part-time, no hipermercado Continente, em Viseu. “A gente gostava de ter o nosso dinheiro”, diz com orgulho, realçando, no entanto, que os pais nunca deixaram que lhe faltasse nada.

A verdade é que a experiência correu bem e progrediu na carreira, o que fez com que os estudos ficassem de lado. Agarrou a oportunidade “com unhas e dentes” e foi colaborador do Grupo Sonae durante quase 22 anos. Pelo meio, mudou-se e investiu num alojamento próprio na cidade, casou e nasceu a filha mais velha, que tem hoje 21 anos.

Como a esposa tinha tirado o curso de cabeleireira e surgiu uma casa nas Termas do Carvalhal, já com salão preparado, a família mudou-se. Com a crise económica, no entanto, o negócio ressentiu-se e a esposa, que tinha a família no Luxemburgo, sugeriu aventurarem-se também.

As filhas tinham, então, nove anos e um ano e meio e Jorge Lacerda considerou que, dessa forma, poderiam ter “um futuro melhor”.

Chegaram em 2013 e instalaram-se sem problemas, garante. Começou como servente na Sopinor, empresa que tem 95 por cento dos colaboradores portugueses, passando depois a manobrador de máquinas e a chefe de equipa. Como já tinha estudado francês na escola, o que lhe permitiu ter as bases, nota que a integração foi fácil. “Nunca senti racismo da parte de ninguém”, sublinha.

Atualmente a residir com as filhas, o português é a língua de comunicação em casa e o luxemburguês só entra quando as jovens não querem que o pai entenda o que estão a dizer. Na alimentação também não faltam os sabores lusos, como a carne de porco à alentejana, bacalhau, torresmos, rojões ou churrasco.

A família continua a vir todos os anos de férias ao seu país de origem, mas o futuro passará sempre pelo Luxemburgo, nota o progenitor, que espera ver as filhas formarem-se. No entanto, acrescenta, mesmo que não queiram prosseguir estudos, falando a língua têm sempre “muitas oportunidades”.