Luís Costa e Maria Lúcia Figueiredo são ambos oriundos de famílias humildes. Ele cresceu na Quinta do Cruzeiro, em Arcas, no concelho de Castro Daire, e foi obrigado a crescer depressa, sobretudo após perder o pai, aos 11 anos. Estudava e trabalhava e o seu sonho era fazer a tropa e seguir para a GNR, mas a vida não o permitiu. Em contrapartida, aos 17 anos fez três campanhas na agricultura, na Suíça, e aos 19, um acidente de trabalho impediu-o de regressar, pelo que encontrou uma fonte de sustento nas pedreiras. Mais tarde, tirou a carta de pesados e começou a fazer viagens internacionais.
A família de Maria Lúcia Figueiredo, de Figueiredo de Alva, também vivia da agricultura. Após ter estudado até ao 6º ano, trabalhou numa confeção em São Pedro do Sul e, mais tarde, numa fábrica de estofos, em Vouzela.
Dois anos depois de ter casado, em 2003, e ainda sem filhos, o casal pensou que seria uma boa altura para arriscar, até porque Luís Costa já tinha a mãe e o irmão no Luxemburgo. Fixaram-se em Dudelange, onde residem há 20 anos e onde já viriam a nascer os dois filhos.
Maria Lúcia Figueiredo começou por trabalhar “ao negro”, nas limpezas, até que conseguiu um contrato para as mesmas funções e, mais tarde, passou pela área da restauração. Atualmente, está empregada na cozinha de uma instituição. O marido, por sua vez, conserva o mesmo lugar há duas décadas como motorista de pesados na Sopinor.
Apesar da estabilidade que alcançaram, Luís Costa recorda que o início não foi fácil, sobretudo por não conhecer as estradas, o que o levou a comprou um mapa e um livro para se orientar. “Não foi fácil, mas tentei fazer sempre o meu melhor”, garante.
As saudades de casa são compensadas com a gastronomia portuguesa, a própria língua materna, a televisão nacional ou a celebração das tradições, como os Santos Populares.
No mês de agosto – e mais raras vezes no Natal, a família regressa de férias a Portugal, aproveitando uma semana de praia e algum tempo de convívio com a família.
O nível de vida no Luxemburgo e as condições, nomeadamente ao nível da saúde, fazem com que o casal não pense, para já, voltar de vez, mas equaciona, talvez na reforma, dividir mais o tempo entre os dois países.