A vida de Luís de Lemos foi, desde tenra idade, marcada pelo trabalho, com o intuito de ajudar os pais, na aldeia de Mões, em Castro Daire. Fez o ciclo na sede de concelho e, aos 16, já andava na resina, assumindo, depois, funções como marceneiro, numa carpintaria local.
Quando ficou sem trabalho, surgiu a oportunidade de ir, com um amigo, para o Luxemburgo. Começou por instalar-se num quarto, numa casa partilhada, em Gasperich, e, depois de um mês e meio à procura, encontrou emprego numa empresa de construção civil, em Strassen, onde começou por fazer telhados. Passou para os interiores, para assegurar os acabamentos, e, mais tarde, para a instalação de pladur.
Passado meio ano, a esposa e o filho, Filipe, juntaram-se-lhe. O menino, com nove anos, foi estudar para a Escola Europeia e “não estranhou nada”, enquanto a esposa ficou a trabalhar nas limpezas. O casal teve, entretanto, mais um filho, Samuel, que já frequentou o ensino luxemburguês e, em paralelo, aprendeu português.
A família mudou-se para Merl e, dezasseis anos mais tarde, comprou habitação própria, no Vale da Pétrusse. A gastronomia portuguesa acompanhou-os sempre.
Luís de Lemos conta que chegou ao Luxemburgo sem expetativas e que acabou por “ter sempre aquela estrelinha da sorte”.
A música é outra das suas paixões. Começou por tocar trompa, com nove anos, em Mões; e, depois, trompete. Recorda, aliás, que, quando adquiriu o primeiro instrumento, aos vinte anos, “foi como se tivesse comprado um carro”.
Em Merl, integrou a extinta filarmónica, onde tocou saxofone-alto; e, depois de uns anos de interregno, voltou à área, na Leidelenger Musek, e ao trompete. Os ensaios, às quintas-feiras, são quase sagrados, bem como os momentos de convívio que se seguem.
“Gosto de pessoas e de ‘andar’. Faz-me feliz”, nota, com um sorriso.