Maria Helena Pinto nasceu em Adenodeiro, município de Castro Daire, numa família normal, onde “nunca faltou nada”. O pai trabalhava com madeira e resina, enquanto a mãe era dona de casa e fazia as lides do campo.

Com cinco irmãos, recorda uma “infância boa”. Fez o ensino primário em Adenodeiro, prosseguiu os estudos em Castro Daire e concluiu a sua formação com um curso profissional em Viseu, na área de Secretariado.

O seu percurso profissional teve início no Hotel Montemuro, nas Termas do Carvalhal, seguindo-se o grande retalho, em Lisboa, e uma loja de flores em Castro Daire, um projeto a título próprio.

“Por razões pessoais” e em busca de estabilidade emocional viria, no entanto, a emigrar para o Luxemburgo, país pelo qual é apaixonada desde os 12 anos, idade que tinha na primeira vez que ali visitou os irmãos. “Era um mundo à parte”, recorda, com um sorriso.

Ainda assim, chegou “sem expetativas” e, aproveitando “a oportunidade” dada pelo irmão, começou por fazer limpeza e tirar fotocópias, na Sopinor. Atualmente, trabalha nos Recursos Humanos da empresa.

Ao início não falava francês, mas conta que procurou sempre abrir-se a novas culturas, lendo e ouvindo as notícias no idioma local, um conselho que deixa, aliás, a quem procura começar de novo num país diferente.

As suas raízes continuam, no entanto, bem presentes, “nos assados ao domingo, o arroz de pato, a feijoada ou a cozido à portuguesa”. Já da cultura de acolhimento, descobriu as massas e os molhos, inspirados no Luxemburgo, França e Itália.

Em jeito de descrição, Maria Helena Pinto vai dizendo que, apesar de ser um país pequeno, há uma mistura de culturas, com betão e zonas verdes, e muito trânsito, apesar de os transportes públicos serem gratuitos. Os salários são muito bons, bem como a assistência médica e social, mas o preço do alojamento é apontado como o aspeto mais negativo, além de sentir “falta das pessoas e do ritmo de vida em Portugal, que é totalmente diferente”.

A emigrante conta que o companheiro anseia voltar a ‘casa’, mas o fato de o filho gostar do Luxemburgo e a possibilidade ser avó a curto ou médio prazo poderão prender o casal mais algum tempo. “Há muita coisa boa, mas também há muita miséria que não se vê”, destaca, acrescentando que “é um país maravilhoso porque acolhe toda a gente”.