“Duas culturas, dois países, dois lares, duas línguas”. Sílvia Pinto diz ter o “coração repartido”, mas não encara esse aspeto como negativo, mas antes como “um privilégio”.

Nasceu no Luxemburgo, em 1985, mas, quando o avô paterno, madeireiro e resineiro, morreu, os pais tomaram a decisão de voltar a Adenodeiro, no concelho de Castro Daire, para continuarem o legado da família. Dos dois anos que se seguiram, guarda as memórias de uma “época feliz”, com tardes de brincadeiras ao ar livre e o aroma a pinheiro e a eucalipto.

Em 91, no entanto, a família regressou ao Luxemburgo e, no ano seguinte, nasceu a sua irmã. Sílvia Pinto iniciou os estudos naquele país, que frequentou até chegar à universidade, cuja formação, em Direito, a levou até ao sul de França.

Em 2020, de volta ao país onde nasceu, começou a exercer advocacia.

Com um percurso de sucesso, e a residir em Bettembourg, rodeada por árvores, as suas raízes continuam muito presentes. “Sou muito grata por já ter viajado tanto, mas não há nenhum lugar que mexa comigo como Adenodeiro. É importante não só voltar, mas também o relembrar, o falar”, refere, não escondendo o orgulho e a emoção com que se refere à sua aldeia. Apesar de ter dupla nacionalidade, frisa que “Adenodeiro é um sítio especial, cheio de história” e que esta ligação está na base da pessoa em que se tornou. “Não dá para escolher entre eles. Não se explica, sente-se”, garante.

A gastronomia portuguesa está também bem vincada, a começar pelo bacalhau à brás, o seu prato favorito, ou confeccionado de qualquer forma.

Já ao nível linguístico, defende a diversidade e, embora o francês seja o idioma oficial e o alemão esteja muito presente no seu trabalho, considera que o luxemburguês “não pode perder-se”.

Regressar a Portugal e viver perto da praia estão entre os objectivos e Sílvia Pinto diz que não quer esperar pela reforma, mas antes aproveitar o facto de estar no auge da idade e com saúde. E embora o dia-a-dia possa não passar pela aldeia, imagina-se a desfrutar dos fins-de-semana na tranquilidade do meio rural.