Valentino do Carmo Morais recorda “uma infância muito boa” em Mamouros, no município de Castro Daire. Estudou até ao 6º ano de escolaridade e, nos tempos livres, já ajudava a regar as batatas, a sachar o milho e o pai no corte da madeira.
Sendo “muito agarrado” ao progenitor, quando, aos 17 anos, foi para o Luxemburgo, chorou a viagem toda. Com “muita pena de não conseguir ficar” na sua aldeia, partiu de autocarro, de Viseu, a 12 de março de 1991, e foi até Esch-sur-Alzette, onde já tinha a irmã.
A esposa da altura, também com raízes em Mamouros, tinha nascido no Luxemburgo e diz que foi “atrás do amor”.
Ainda assim, diz que a emigração cria ilusão e “não é o que as pessoas pensam”. “É verdade que estamos bem melhor do que no nosso país Natal, mas trabalha-se muito mesmo”, diz.
Valentino Morais começou pela construção civil, numa empresa luxemburguesa, onde viria a ficar 35 anos. Foi ajudante, seguiu-se a cofragem e, três anos depois, já era chefe de equipa.
Este ano, em janeiro, mudou-se para a Sopinor, cujo proprietário, “um homem que admira, porque em pouco tempo fez muito”, é também da sua aldeia.
O país tem mudado bastante, ao nível da construção e da rede viária, por exemplo, e o responsável destaca que a diversidade cultural tem aumentado. “Há portugueses por todo lado e os luxemburgueses podem ficar contentes por nós cá estarmos”, defende, chamando a atenção para a renovação ao nível do imobiliário.
Residente em Bettembourg há 33 anos, Valentino Morais diz que esta mudança é “graças aos portugueses, que compravam casas velhas mais baratas e, com a sua mão-de-obra, as renovavam”.
Bom cozinheiro, o emigrante confessa ser fã da gastronomia portuguesa e não dispensa os canis de televisão nacionais, bem como outros elementos distintivos, como o fado e a concertina.
Com três filhos – de 28, 24 e 9 anos, diz que os mais velhos “já têm a sua vida”, mas garante que “vai ficar por perto”. Ainda assim, faz questão de vir três ou quatro vezes por ano à sua aldeia, um hábito que vai manter enquanto os pais estiverem vivos.