Vítor Fernandes cresceu no seio de uma família de seis irmãos, em Mamouros, no concelho de Castro Daire. Além de terem uma junta de vacas, cultivavam um pouco de tudo, “para sobreviver”. Aqui estudou até à 6ª classe e começou a trabalhar na construção civil com 15 anos, numa empresa de Vila Nova de Famalicão, onde ficou outros tantos.

Pediu, então, ajuda a um colega, Manuel Branquinho, de Rio de Mel, para o ajudar a ir para o Luxemburgo. A primeira viagem fez-se de autocarro, o que acentuou a distância entre os dois países, mas Vítor Fernandes arregaçou as mangas e, logo no dia seguinte, foi inscrever-se para fazer o contrato de trabalho. Começou a 15 setembro de 2004, vivendo, na altura, no quarto de uma pensão, em Esch-sur-Alzette, cidade que o acolheu durante 19 anos, até se ter mudado para Hostert.

Casou-se em 2006 e teve um filho, mas o emigrante conta que a relação não foi fácil.

No ano seguinte, começou a trabalhar na Sopinor, uma empresa que acolhe muitos portugueses.

À experiência que tinha na área da pavimentação com alcatrão, em Portugal, juntou os conhecimentos como pedreiro (B2), embora saiba fazer “um pouco de tudo”. Em casa, construiu uma estufa e faz questão de cultivar alguns hortícolas, que continuam a acompanhar os pratos tipicamente portugueses, como a vitela, a sardinha ou a carne grelhada.

As suas raízes mantêm-se também através da Rádio Latina, onde ouve música nacional, das festas populares ou do Grupo Folclórico Mocidade Portuguesa, que por vezes acompanha, com a sua esposa.

No Luxemburgo, diz, o ritmo é outro e é preciso saber economizar, mas também aproveitar um pouco. “Um dos ordenados dá para pôr de lado”, nota. “Apurar alguma coisa para a vida” foi, aliás, o que o levou a apostar na emigração, mas Vítor Fernandes quer, um dia, regressar e “poder repousar” em Portugal.