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00:10[apresentação] Idalina Rodrigues -dat de nascimento é que nãosei, o meu marido também não sabe – sei que nascia a 8 de Fevereiro, quer o bilhete de identidade? Não é preciso? – faço em Fevereiro dia 8, 78 anos – nasceu em casa em Rompecilha -antigamente toda a gente nascia em casa, os que vinham vivos vinham vivos os que não vinham iam para o outro lado…
00:50[partos] [batismo] [padrinhos] quem ajudava nos partos era uma senhora – a mãe que deus tem chamava uma senhora que era jeitosa para isso e quando eles vinham é que aparava e é que fazia o resto- o meu não mas sabe o nome da parteira que ajudou a mãe a dar à luz os irmãos que era da povoação de Solos, a senhora Gracinda – para ajudar a sua madrinha e tia veio uma senhora de longe, de Vila Seca, que não era casada e teve um filho que veio morto -quem ajudou Idalina foi uma senhora chamada Joaquina,assistiu aos partos dos três, tem três vivos e morreram duas, já vieram mortas da barriga, a Ti Joaquina é que fazia isso-
02:00 [Hospital] com o meu filho tive forças e tudo, elas acabaram-se e disse tenho que ir para o hospital, fui têlo ao hospital-cheguei lá e a irmã deu-me uma injeção -e as forças começaram a vivar e o menino não morreu, se tivesse ficado em casa também morria, já tinha tido forças, já se teria virado, não sei -depois fui e com a graça de Deus está vivo e está um homem – foi no carro das vacas ao pé do Ervilhal –
02:50 [Batismo] [cemitério] [Parto] quando a criança nascia morta não batizavam – com as suas filhas que morreram, no tempo da escravidão, a senhora que assistiu ao parto arranjou uma caixa e meteram -nas lá dentro, levou-as ao cemitério ao lugar dos anjinhos -era a parteira que cortava o cordão umbilical – com o cordão não sabe o que se fazia, lá davam runo àquilo, atavam uma linha e depois caia do umbigo do bebé que se guardava numa caixa, diziam que isso não se podia desperdiçar, tinha que se arrumar, lembra-se das caixas dos dela mas já não sabe deles –
04:20 [Batismo] depois de um mês batizava-se na igreja e arranjavam-se padrinhos, levava-se à igreja e lá é que se batizavam – os padrinhos arranjavam-se, uma senhora e um senhor, o padrinho e a madrinha, eram os pais que escolhiam – no seu caso foi sempre da família para ficar mais barato – fazia-se um almoço em Nodar – não é como agora, era como se podia – o nome era escolhido antes do batismo, por vezes eram os padrinhos que escolhiam, outras os pais, era conforme- no caso de Idalina não sabe se foi a mãe – quem a batizou foi a tia e madrinha que lhe deixou a casa e terrenos – não tinham filhos e Idalina foi para lá pequena – não sabe se foi a madrinha ou a mãe que lhe escolheu o nome
06:00 [vestido de batismo][batizado]era um vestidinho branco – quando era rapaz era azul quando rapariga branco ou rosa – diz que infelizmente nunca batizou nenhum e o marido também não -quem fazia o vestido eram as costureiras da terra – compravam uns paninhos nas feiras e depois faziam o enxoval, um vestidinho para o dia do batizado e para a bebé ir trazendo- não era como agora – batizava quem quisesse mas geralmente batizavam sempre sempre se lembra- geralmente batizavam as crianças todas na aldeia, não outras aldeias não sabe – hoje em dia houve dizer que por vezes não batizam as crianças – antigamente era tudo batizado ao fim do mês agora já têm anos depois é que batizam
07:40 [Deus] [Padrinhos] [educação religiosa]Agora acreditam menos, antigamente havia mais crença que agora- a educação religiosa era muito importante na família antigamente e era muito melhor que agora- criou os filhos de forma diferente que agora – antigamente tratava-se os pais por senhor, senhora mãe senhor pai -agora é tu cá tu çá – mete-lhe confusão – antigamente havia mais respeito na família – aos próprios padrinhos pedia-se a bênção quando os encontrassem e erguia-se as mãos – diz que agora batiza-se mas esquece-se essa parte -a educação religiosa era dada em casa, tanto era o pai como a mãe como as tias que estavão cá também – todos as noites depois das refeições rezava-se o terço e dava-se graças – a madrinha sabia dar muito bem graças a deus e Idalina também – agora já está muito diferente –
09:18 [graças]graças era nomear um santo, do género, Nossa Senhora da Guia nos guie de noite e de dia avé Maria – Santa Eufémia, outra vez era assim que se dava graças – as graças era um ato religioso que se tinha para com Deus – todas as noites de rezava o terço e se dava graças – agora acabou-se tudo, ainda se reza mas é muito diferente – na sua casa todos pediam graças e nas outras devia ser também igual –
10:10 [missas] as missas ao domingo era obrigatória, ia muita gente porque havia muita gente na aldeia, agora vão menos -a igreja é longe e quem não tem carro não pode ir – as missas eram feitas na igreja em São Martinho das Moitas – o padre ia à capela como agora ainda vem – dizia missa pelas pessoas que estão em alma no outro mundo -por vezes prometem à Senhora da Guia, Santa Eufémia, Senhora Lurdes, Santa Luzia que também existe na capela
11:10 [capela] [Batizados] [Casamentos] – a igreja era mais importante que a capela – é lá que está o cemitério, as crianças eram lá batizadas, há lá a pia do batismo – é uma igreja importante – os casamentos era lá todos, alguns já foram feitos na capela de Rompecilha, cerca de 2, as duas irmãs, a irmã da Albertina, a Emília e Gracinda, na capela, em Agosto, há alguns anos, elas depois foram para Lisboa e já têm filhos e netos, talvez há mais de 40 anos –
12:18 [casa] [tias]a casa onde vive era das duas tias que ficaram solteiras – uma delas teve um filho com um senhor que nunca mais lhe ligou , o filho já veio morto – Idalina fixou ao pé delas e casou-se lá -elas acabaram as duas ao pé de Idalina que olhou por elas até ao fim -chamavam-se Maria da Conceição Rodrigues e Maria de Jesus – olhou por elas – agora as velhinhas vão para os lares e hospitais, infelizmente antigamente tinha que olhar por elas -ficou contente por olhar por elas mas muitas vezes não tinha tempo por causa do trabalho – a bem ou a mal olhou por elas -elas morreram em casa, uma esteve acamada na cama porque tinha partido uma perna, esteve na cama alguns anos – o que valeu é que tinha uma filha a ajudá-la porque tinha que a pôr no bacio e fazer-lhe tudo, esteve 4 anos na cama -chamava as tias por você e olhava-as como se fossem pais – eram agricultoras – tinham vacas e andavam a lidar com os animais – depois de ter casado o marido é que lidava com as vacas -foi importante o seu casamento e as tias ficaram muito contentes porque tinham terras de videiras e para fazer a poda precisavam de homens – tinham que manter as terras – para as terras levavam canastras de comida que era longe – ficaram contentes pelo marido porque ele fazia tudo –
15:22[casamento][roupas] o casamento não foi uma grande festa – os meios não eram muitos mas foi como se arranjou – casou na igreja de São Martinho – antigamente ia-se e vinha-se a pé para a igreja, não de carro pois não existia – convidavam quem entendessem convidar, no seu caso foi quase só a família – depois diziam às raparigas todas d idade da noiva e ia-se almoçar fora – no seu caso foi em casa, a mãe fez um almoço e comeu-se lá – foi no dia 7 de Maio, não havia foguetes – levou uma blusa branca um casaco e saia azul – foi a costereira que fez, diz que foi à pobre o casamento -o marido foi de fato que mandou fazer – a roupa era de tirilenas, uns paninhos melhorzinhos – era o nome que se dava às peças – quando se namorava as raparigas os tecidos eram de linho -punha-se roupa de outro pano por cima do linho, riscado nos punhos, para fingir que era de outro pano mas era de linho que tinham em casa, para nos domingos ir às raparigas com camisas de linho – às vezes usava-se um avental e lavava-se ao Sábado para usar no domingo – lavava-se no rio – não havia tanques – usava-se sabão – secava-se num arame – outros secavam nas silvas – era assim que se vivia – A maior parte da roupa era de linho e burel, saias de burel ainda usou algumas -o burel era da lã das ovelhas – as mulheres fiavam e teciam – depois iam para o pisão com água quente para ficar burel forte – o burel era para as mantas, casacos de homem, saias – Idalina nunca fez nenhuma mas as tias fizeram -era para usar no inverno mais frio – verão era linho e comprava-se panos para a roupa – havia uma loja de panos, comprava-se um e deixava-se fiado outro, panos para fazer roupas –
20:21 [linho]todos semeavam linho, só se não tivessem terras para semear – semeavam porque era de onde faziam roupas, lençóis, toalhas para tudo – as tias semeavam e depois de casar continuou a semear até deixar de semear -Idalina sabe as fases desde a sementeira até o tear -diz que já não sabe tudo porque a idade não permite -há muito tempo que não trata disso – o linho tem muitas fases – semear, regar, arrancar,ripar, é muita coisa até ser pano – fiar, passar no sarinho, fazer a meada, depois cozer num cortiço para o linho ficar macio, depois vai para um novelo e tece-se – tem muito que contar – passava -se muito tempo de volta do linho para fazer uma peça de roupa- Idalina sabia fiar mas agora já não pode – tecer também sabia, urdir nunca soube -quem urdia era a parteira e a sogra da Cidalina – tem uns toros e o tinha um urdidor – botava 2 e 4 ramos – urdia-se e tapava-se com a fiação do linho – mais tarde começou a comprar algodão para urdir e tapar com o linho – tinham um tear e depois arrancou-se para fazer casa de banho
23:07 [casa de banho] [tear] [linho] [lã]não havia casa de banho antigamente – fazia-se nuns banquinhos escondidos -fizeram casa de banho há mais de 30 anos – arrancaram o tear e levou-se as peças para outro lado – o tear era das tias, a mãe tecia e a mãe da Odete – teciam todas na sua casa -pessoas de fora também teciam que não tinham tear – aprendeu com a tia e de ver as outras que iam á tecer – a madrinha nunca teceu mas a tia tecia bem, não sabia urdir só tecia -tecia bem e aprendeu com elas – depois fazia-se camisas, lençóis, travesseiros de linho que se enchiam de moinha de milho- o colchão era de palha de centeio – gostava de dormir no colchão de palha, era confortável – dizem que o linho é frio só por um bocadinho – as mantas eram de lã, havia quem fizesse de linho e tapavo com lã – ainda tem algumas que fiou lã para urdir e para tapar – ainda tem pelo menos duas – vinham pessoas lá urdir e tinha a fiação para tapar e urdir de lã – está tudo arrumado há lagum tempo – conserva lençóis que tem arrumados, toalhas – tinha um bocado mais fino tapado com linho fino – as filhas fizeram naprons então cortou em três e deu um bocado a cada um – as duas raparigas utilizaram o rapaz como já estava casado não sabe se a mulher utilizou – dividiu em três e deu a todos para eles fazerem o que quiserem
26:50 [peças] [Páscoa] foi ela que teceu no seu tear – mostra a teia que saiu do tear – abre a teia – nunca mediu – faz-se lençóis e camisas, sacos para trazer milho e outras coisas -antigamente o sal não vinha ensacado então havia sacos para ir buscar o sal para ter em casa para salgar a comida – mostra a parte mais grossa so linho – deu o fino aos filhos que cortou e cada um levou o seu bocado – mostra lençol com parte mais fina – lavava-se, fazia-se barrelas com o cortiço e água quente, a roupa ia-se gastando – agora já não os usa na cama – deixou de usar – coteado, está mais fino – foi cozido a costura – mostra a largura a largura da teia era como tinha no bocado, a costureira cozeu e fez a largura e tamanho do lençol – tem ainda uns poucos – diz que vale dinheiro mas não os vende, fica para os filhos – antigamente moía-se nos moinhos de água, fazia-se uma taleiga para levar o milho e trazer a farinha para cozer o pão – não havia padeiros – tem um fio para atar e tapar- quando estivesse cheio atava-se com o fio – quase toda a gente tinha -a toalha é da largura da teia para por em cima das mesas para se comer – dava para uma semana até estar suja e lavar-se – durante as festas usava-se uma toalha diferente – tem uma que não foi tecida em sua casa mas foi tecida num tear – é uma toalha para por na mesa – usava-se quando as outras se sujavam – usava-se daquela e das mais grossas – as que tem são finas feitas com fiação dobrada para fazer cordões para fazer a toalha – se fosse lisa era como um lençol – dobrava-se mais o fio – no tear em vez de ser meter o fio metia-se cordões – na altura da Páscoa utilizava-se outras toalhas – Idalina fazia renda mais a madrinha -comprava-se o pano e fazia -se uma toalha de renda com bicos de pano – era o que se utilizava para a Páscoa
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