A conversa entre Rui Pedro Duarte Gomes e sua avó Aurora Fernandes Soares, da aldeia de Mealha, Arouca, revela um retrato vívido da vida escolar e quotidiana nas gerações passadas da família. Aurora lembra como a escola era um lugar severo, onde a professora usava métodos rigorosos de disciplina, chegando a bater nas crianças com a régua ou com as lousas, especialmente quando os alunos se atrasavam. As crianças estudavam bastante, aprendiam a tabuada inteira e usavam penas e tinta para escrever, não havendo sequer canetas esferográficas naquela época. A escola funcionava numa casa particular no centro da aldeia, com uma única professora responsável por todas as turmas, o que exigia muito esforço e disciplina dos alunos.

No quotidiano, a mochila era simples, feita de pano com alças, e ao contrário dos tempos modernos, as crianças comiam quase sempre em casa, pois as aulas eram apenas pela manhã ou pela tarde. A vida fora da escola envolvia trabalho no campo, ajudando os pais nas tarefas agrícolas e na lida da casa. A alimentação era modesta, com caldos, batatas e feijão, refletindo uma vida de simplicidade e necessidade.

Mesmo assim, Aurora recorda que a infância tinha espaço para a brincadeira, onde ela e os colegas inventavam jogos e faziam bonecas com retalhos, mostrando uma capacidade criativa mesmo com poucos recursos.Aurora conta ainda que aprendeu a trabalhar no tear com sua mãe por volta dos treze ou quatorze anos, um ofício que fazia parte da tradição familiar. Ela destaca que a educação de sua época era muito diferente da dos jovens atuais, que têm outras facilidades e métodos de ensino.

O neto comenta que hoje a professora é amiga dos alunos, e que ele gosta mais das disciplinas que acha mais fáceis, como Estudo do Meio, além de se divertir com jogos de computador, filmes e música. A família valoriza a educação, pois os filhos de Aurora foram bons alunos, com destaque para um deles que concluiu o ensino secundário com média alta, algo que se espera que o neto também consiga cumprir.Por fim, a conversa traz um elo entre passado e presente, mostrando que apesar das dificuldades e das diferenças nos métodos e no estilo de vida, a dedicação ao estudo e o trabalho duro nas terras da aldeia permanecem como valores importantes na família. As memórias da avó Aurora não são apenas um relato histórico, mas um testemunho que alimenta o orgulho e a expectativa sobre as próximas gerações.