[hide for=”!logged”]  

00:00 [Apresentação] Manuel Duarte Gomes de Paiva – Nascido em Sequeiros em 1926 – 86 anos

00:29 [lembranças de sequeiros] [origens da família] lembra-se que andava de gatas e que não caminhava e que nasceu nu – teve 5 irmãos e foi o terceiro a nascer, eram cinco “lambões”, 2 raparigas e 3 rapazes – os pais nasceram em sequeiros o avô é que era de Cabril, das lovadas ? de Cabril, depois veio para Sequeiros e casou-se e o seu pai nasceu lá, que era muito putanheiro –

1:24 [escola] andou na escola mas por pouco tempo porque queriam que fosse ?? vacas, ?? o gado – naquele tempo a escola não era obrigatória por isso bastava levantar o braço e a professora deixava ir-se embora – eu é que sofri – se aprendi alguma coisa foi no exército –

1:53[tropa] fez a tropa em Viseu na artilharia – diz inicialmente que gostou mas depois contradiz-se pois refere que não tinha dinheiro nem para ir às meninas. Mal dava para a graxa – não foi há guerra porque a tropa foi antes da guerra – a primeira vez que saiu de sequeiros foi para ir à tropa e depois foi para o Brasil – no Brasil quando estava a desembarcar já o conheciam visto terem lhe perguntado “Ó manel ! que é da Maria ?” – e ele pensou : queres ver que este filho da puta já me conhece ?

2:51 [Brasil] foi para o Brasil sozinho com 27 anos – diz quando chegou à praia de Copacabana não ficou com os olhos tordos mas que tinha sido uma sorte pois ia sempre com os olhos de lado – lá havia artigos que agente nunca tinha visto aqui (…) andou lá “8 anos num verão” – andou lá “só” 12 anos – trabalhava num café-restaurante – foi empregado e depois foi proprietário – diz que primeiro uma pessoa tem que ser empregado para aprender qualquer coisa – depois veio para Sequeiros e levou a mulher e esteve lá mais 4 anos – enquanto se estabeleceu, em quatro anos, ganhou o suficiente para voltar para Sequeiros

2:45 [regresso a Sequeiros] os seus pais tinham-lhe deixado algumas terras e ele começou a comprar mais, o que refere ter sido uma asneira, para ter gados e assim se estabeleceu em Sequeiros – não está arrependido de ter voltado pois se lá tivesse ficado podiam -no ter matado e assim é que lá ficava – lá era “bravo” e “mau alimento”, por duas vezes que o matavam mas escapou-se – diz que o raio do vinho não é ruim de apanhar – as terras foram herança dos pais, onde fez a casa comprou o terreno – tem vivido sem precisar de pedir nada a ninguém –

[lembranças do Brasil] lembra o Brasil sem saudade, refere que lá se passa bocados bons mas também bocado ruins – no Brasil havia muitos portugueses das aldeias vizinhas (covas do monte, do rio) – tinha lá conhecidos mas nunca lhe deram nada sempre de desenvencilhou sozinho – dava-se bem com todas as pessoas de todas as raças desde que fossem civilizadas e estudadas – os que moravam nas favelas eram os mais ruins, que era criados naquelas “malocas” (favelas?) – refere que o lula acabou com isso tudo. Nem a policia lá podia ir pois eles tinham um armamento tipo exército – no Brasil era preciso trabalhar muito mas como teve empregado aprendeu como se trabalhava – comprou lá uma casa com mais um sócio, naquele tempo era 2.400 cruzeiros – quando começaram a trabalhar fizeram obras, havia um individuo do porto que trabalhava numa embaixada portuguesa que lhe emprestou dinheiro para fazer obras na casa.

8:34 [no seu terreno] o seu terreno serve para fazer plantações e para ter horta – refere o fato de Portugal estar em crise por não produzir o que faz com que não se exporte – “a crise vem daí, os governos não têm olhada pela agricultura .. a ue pagava-me para deixar as terras de bravo… e agora estão prejudicar os portugueses com os juros pesados, onde é que está a economia? estão a ganhar à nossa custa! “ –

9:35 [o que mudou quando chegou do Brasil] havia mais casas quando voltou, quando saiu era tudo casas lousa, quando chegou ja havia casas de telha, já estava tudo diferente – na casa dele também botou telha, fez tudo de raiz

 

10:00 [estradas] não havia estradas alcatroadas, as ruas eram todas feitas de estrume- apanhava o estrume e misturava com o das cortes (?) – Não se via nenhuma terra de bravo estava tudo trabalhado, toda a gente vivia da terra – refere que agora toda a gente quer viver do dinheiro e têm medo da terra e de sujar as mãos – diz que se uma pessoa trabalhando a terra deixa de haver crise pois tem sempre vegetais para comer – a miséria de Portugal começou quando se acabou com a agricultura (exportação), só se come do que se importa, eles ganham o deles e nós estamos a perder a divisas todas –

 

11:06 [filhos] eu não tive filho nenhum a mulher é que teve, custa muito a ter um filho – diz q assistiu quando a mulher deu à luz que se fosse ele não “ajeitava aquele negocio “ porque “aquilo custa muito “, “fazer é bom mas depois para por cá para fora o produto não é mole não, até pensava que ficava tudo estragado “teve uma filha que está na charneca da Caparica mas nasceu em sequeiros – ficou em sequeiros até se casar mas depois o raio do genro carregou com ela e ele ficou mais a mulher sozinhos, e assim têm vivido – o genro era da Ameixosa

12:39 [saudades do antigamente] de antigamente não tem saudades nenhumas, não havia dinheiro, havia pouco, mas havia alegria, agora há dinheiro mas não presta e o pessoal anda todo triste não há alegria como antigamente –

13:02 [como era sequeiros ] havia bailes todos os sábados, havia 8 raparigas e 8 rapazes, mas rapazes fortes não é como agora que são a ganidos (? ) -havia orquestra – antigamente tinha coisas boas –

 

13:47 [segredo da saúde aos 86] é comer o que aparecer, não como sempre vitela, come o que se poder arranjar – e andar satisfeito

14:34[vindima de antigamente ] se houvesse muita uva chamava-se pessoal para ajudar mas este ano não precisa – aqui quando era as folhas do Minho havia sempre bailes – nas vindimas se calhasse aos sábados também havia bailes – antigamente era uma maravilha – antigamente as raparigas escondiam as mamas, escondiam as pernas, escondiam tudo, agora têm tudo à mostra só não têm à mostra certas coisas –

15:58 [namoradas] teve algumas, algumas de sequeiros outras de outro lado- a sua mulher veio de parada e conheceu a nos bailes – era uma parodia naquele tempo –

16:47 [uva] a uva vai para o lagar e depois vai pisá-la com os pés que são bem lavados –

 

17:05 [o que produz] tenho castanha, milho, batatas, couves, muita coisa – não está nada ao abandono é tudo bem tratado

17:40 [animais] tem 5 ovelhas: 4 ovelhas e um macho – antes tinha menos ovelhas só que era maiores- tinha vacas

17:59 [ os pais e irmãos] viveram da agricultura – moravam onde vive só que a casa foi reconstruída porque a casa era já velha – a casa de fundo de vila era dos seus pais também – o nomes dos pais era Joaquim Duarte cabril e Maria soares de Paiva e eram gente boa Senão também eu saía ruim – os irmãos eram o Azenor ? , Alexandre e o Manuel, as irmãs, Ília e Beatriz que é a avó do Luís – era tudo gente de “pintelho”

 

19:53 [gado] tinha uma vigia para o gado e era cada dia cada um, e andava por esse monte fora – agora não há nada disso nem há quem ajude –

20:28 [relações entre as pessoas ]agora quem puder trabalhar trabalha quem não puder…agora o pessoal é diferente – antigamente o pessoal era unido mas agora não – agora cada um trata da sua vida e se uns passam fome ninguém se importa – o pessoal agora é diferente, não há aquele amor e caridade que havia antigamente –

20:55 [os padres] nunca teve problema com os padres que são pessoas cultas – este padre que está em lá contou lhe uma historia de uma beata que queria ir para o céu e mandou um anjo para a preparar para ir para o céu e então começou lhe a furar as costelas para pôr as asas para ir para o céu, como lhe doía muito mudou de ideias e já não queria ir para o céu. Então o anjo foi-se embora e apareceu deus que lhe perguntou :”então já não quer ir para o céu ?” ela respondeu – pois, queria – são muito meigas as religiosas – Eu já mandei um anjo prepará-la – disse deus- e você não aceitou, agora tem que ser preparada no céu – então a beata disse: oh meu mestre eu quero ir já amanhã porque lá o buraco já está feito. (…)[/hide]