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00:00 [Apresentação][irmão] Maria de Lurdes Rodrigues de Almeida Pereira – nasceu em Sobrosa, Santa Cruz da Trapa – nasceu a 3 de Abril de 1963 – tem um irmão mais novo que trabalha nas obras, o seu nome é Paulo Manuel –

00:32 [nascimento] nasceu em casa – antigamente havia uma senhora de Santa Cruz da Trapa que fazia partos, desconhece o seu nome – acha que o seu parto correu bem

01:15 [casa de infância ] era uma casa de lavradores, de pessoas que trabalhavam nas terras, era uma casa pequena, tinha dois quartos, sala, cozinha e um corredor – era uma cozinha grande, com uma lareira e panela de ferro – Maria caiu dentro do tacho e queimou-se

01:55 [quando se queimou]A lareira era funda e Maria tropeçou e pôs o braço lá dentro – era pequena e a mãe estava lá -lembra-se que foi lá para buscar qualquer coisa – a comida estava a ser feita, o tacho com água ao lume – não se lembra da dor porque era pequena, mal caminhava – sabe disso porque tem a cicatriz e contaram-lhe também – a mãe ficou preocupada porque estava a fazer a comida e quando deu conta Maria estava com a mão dentro do tacho

03:11 [infância] [escola] ajudava os pais nos campos – fez a 4ª classe porque não quis estudar mais – os pais não tinham posses mas Maria não quis estudar mais- na altura havia até ao segundo ano e era de graça mas Maria não quis estudar –

03:36 [trabalho][animais] foi para a resina – não foi para fora – quando deixou a escola começou logo a trabalhar -foi para a resina com 13 anos – gostava mais de trabalhar do que andar na escola e ainda hoje gosta muito de trabalhar, nomeadamente nas terras – tem terras, cabras, porcos – quando chega a casa gosta de tratar dos animais e ir trabalhar para as terras – aprendeu através dos pais

04:21[pais] [animais] eram agricultores – foi difícil a vida – a família vivia das terras e de quando vendia animais, bezerros ou cabritos, era o dinheiro que tinham

04:43[campo][comida] tinham muito milho, feijão e era o que comiam- matava-se os porcos

05:03 [trabalhos manuais]ninguém fazia trabalhos manuais –

05:16 [avós] trabalhavam na agricultura e nasceram na mesma aldeia- lembra-se da avó da parte da mãe e do avô da parte do pai, que vivia com ela apesar de não dormir na sua casa – gostava muito dos avós que conheceu, adorava-os -eram boas pessoas

06:03 [brincar] havia na aldeia raparigas e rapazes da sua idade – brincava quando vinha da escola mas era raro – não havia brinquedos – brincava-se com coisas que arranjavam – não havia dinheiro para brinquedos, só quem era rico é que tinha brinquedos –

06:49 [escola] gostava pouca da escola, tinha uma professora que era muito má – acha que passou a odiar a escola só por causa da professora – a professora batia muito aos alunos com a régua, era capaz de dar 20 reguadas na mão de cada aluno – o irmão teve a mesma professora e fugia dela – não era a única a odiar a professora e a escola, muitas crianças da sua aldeia sentiram o mesmo – a professora é muito exigente e como tinha problemas em casa descarregava nos lunos -era capaz de guardar os erros todos no caderno para no final dar reguadas – por exemplo num ditado quem dava um erro ou dois levava reguadas, depois juntava os erros todos para bater nos alunos –

08:33 [pais] os pais não gostaram que deixasse a escola – queriam que fizesse o primeiro e o segundo ano – os pais eram pobres, não tinham dinheiro e ela queria ganhar e ter bom dinheiro -quis começar a trabalhar porque os pais não tinham dinheiro para lhe dar e ela queria ter dinheiro

09:05 [trabalhos ao longo da vida] [ casamento]- trabalhou na resina, na Inatel depois de casada – casou com 20 anos – trabalhou em Oliveira de Frades num matadouro, em Ávila – depois estava inscrita no desemprego e já não recebia e chamaram-na para o artesanato – foi, gostou e lá ficou – nunca emigrou

09:45 [marido] o marido já emigrou, esteve na Suíça, na Alemanha, em muitos lados, ele gosta muito de emigrar Maria é que não – teve só dois nos sem o marido, ele tinha a mulher e os filhos em Portugal por isso não queria estar muito tempo longe – só foi para dar o ? à casa

10:09 [inicio de trabalho na estação] tiraram o curso, gostaram e as que gostaram ficaram e continuaram – gosta do que faz e as colegas também – fazem tapetes, mantas, carpetes, de tudo um pouco, faz tecelagem também – cozinha e gosta de cozinhar –

11:08 [como se escolhem os materiais] depende do gosto de cada pessoa e da inspiração – por vezes é por encomenda -usa-se tirela, Mara, linho, algodão – escolhe as cores – se for por encomenda tem que ser como as pessoas pedem

11:45 [tear] têm primeiro que pensar no que vão fazer, nas cores, se é tapete, se é passadeira – agora já não precisam fazer desenho – antes quando tiraram o curso precisavam fazer desenho mas agora não

12:16 [o curso] [fases do tear] Aprendeu tudo sobre tecelagem – as varias fases, urdir, aprenderam tudo o que diz respeito ao tear – primeiro tem que se pôr os fios como eles estão, depois urdir, monta-se o tear, enfia-se e depois começa-se a trabalhar – o que dá mais trabalho é urdir, enfiar, e montar o tear –

12:53 [tempo que leva fazer um tapete] depende do comprimento – um tapete que seja feito num tear grande tem que ser com duas pessoas a trabalhar – tapetes pequenos é só preciso um pessoa –

13:37 [colegas] conheceu-as no curso – Fátima já conhecia porque é de Santa Cruz – não fez mais cursos alem desse – fez o curso de cozinha mas foi na estação

14:12 [outros trabalhos]sempre gostou de todos os trabalhos – diz que se não gostasse não ia trabalhar –

14:39 [filhos][marido] tem dois filhos, um rapaz e uma rapariga, 29 e 30 anos – a rapariga é engenheira informática e o rapaz trabalha nas obras, não quis estudar como a mãe – fez o 9º ano e não quis mais – o marido também trabalha nas obras e também não estudou – a filha foi a única a estuda, ela sempre gostou de estudar. Maria queria que o filho tivesse estudado mas ele não quis – A filha gosta do que faz, trabalha em Aveiro . A filha trabalha na área dela desde que tirou o curso – fez um estágio, ficou em Abrantes, casou e pediu para ir para Aveiro – pediu e arranjou lá trabalho

16:00[diferenças de trabalho entre a mãe e a filha] Tudo é diferente em termos do tempo . os filhos não precisaram de trabalhar para ter dinheiro e Maria teve de trabalhar para ter o seu dinheiro . Agora pode escolher-se o trabalho que se quer e há mais facilidades –

16:38 [pais]A mãe é viva o pai não – a mãe vive com o irmão noutra casa – a mãe tem 70 anos -Maria tem um neto -a mãe de Maria é bisavó

17:08 [casamento] [baptizado] o casamento foi na aldeia de Maria – foi na igreja de Santa Cruz da Trapa e o almoço foi na casa de uns colegas na aldeia – a filha também casou na igreja em Santa Cruz também – o neto foi baptizado na terra da filha, Arões – são todos baptizados na casa de Maria

17:48 [Santa Cruz da Trapa] há lá pouca gente, está tudo a morrer e os novos não querem lá ficar, vão para onde ganham mais dinheiro e têm mais possibilidades de viver a vida – ainda há crianças e jovens na aldeia –

18:27 [festa da aldeia] há uma festa em Maio, da Nossa Senhora da Aspectação – festa da igeja e depois tem o arraial à tarde – no Sábado há uma procissão de parte de Santa Cruz, com a NªSrª de Fátima e no Domingo tem missa normal e procissão e festa de arraial até à uma duas da manhã – fazem bailes

19:08 [diferenças entre o agora e antigamente]antigamente era mais divertido e havia mais bailes- agora a malta nova prefere discotecas e ir para outros lados e antigamente não –

19:33[como se desenvolve o dia] trabalha de vez em quando na estação – trabalha na parte da cozinha – o almoço que tiver de fazer faz sem problema – gosta mais de cozinhar que fazer doces mas se for preciso também faz

20:18 [estação] quando o artesanato começou na estação os comboios já não passavam na estação de São Pedro há muito tempo.
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