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00:00[ferro velho] do ferro velho faz sempre ferro novo – é tudo limpinho e lubrificado.
00:11 [forja] [fole] na forja já se trabalha pouco não é como antigamente – tem a forja desmontada – antigamente trabalhava-se com o fole, o fole de ferreira – agora trabalha-se com as ventoinhas elétricas – tem uma ventoinha manual para tratar das ferramentas -atualmente trabalha pouco na forja mas antigamente era tudo forjado – ainda sabe forjar qualquer peça se for necessário mas diz que não compensa por vezes – as grandes fábricas e as máquinas fabricam tudo com alta tecnologia – antigamente fazia-se caracóis para os portões – foi trabalhar para o ferro e diz que não tem medo de trabalhar ao lado de um serralheiro, que ele deve ser melhor numas coisas e orlando noutras – diz que quando está ao lado de um artista bom que não tem medo de estar ao lado dele, porque há pessoas que têm medo porque há pessoas que não sabem o que estão a fazer – Na serralharia não tem medo nenhum de trabalhar ao lado de qualquer profissional
01:50 diz que tem um ? para ter tudo organizado com as actividades todas – balanças, cadeias ? de azeite , arrate ? com pedras como antigamente – tem todo o tipo de balanças – armas que tem como relíquias – tem algumas dessas de Capaboca? – antes havia armas pederneiras – o fluminante já foi um invenção – era preciso uma tocha e uma pedra e fazia-se uma faísca, depois explodia –
03:04[sacadas] se não fosse orlando as sacadas bonitas que tem seriam derretidas – iria para a reciclagem – diz que seria mal empregue ir para a reciclagem – um metro de grade da sacada, se for tratada quanto à ferrugem e com pintura podia valer 100 contos o metro – mas diz que ninguém dá valor a isso – diz que numa casa de pedra com umas sacadas disso nunca passa de moda porque sempre se usou e sempre e há de usar –
03:55 [ferro velho] ao ferro feio que já não tem utilidade Orlando ? dá mais quilos por vezes até o dobro
04:28 [plantar couves] lá dentro estão as do ano passado, este ano tem que plantar novas para dar de comer aos porcos – a altura da plantação das couves é no Inverno para depois espigarem na Primavera, é a partir de Outubro – Essa é couve galega – quando espigam tem que se pôr umas novas – aquilo é naval? para grelos – ainda ontem apanhou muitos grelos para mandar para Lisboa- em Março ou Abril já podem ser apanhadas, depois ainda são sachadas – a couve não precisa de muita água, se for muito regado de Inverno depois não presta, seca toda – tem uma qualidade de ouve que nunca regou de verão e nunca secou – quando vêm as águas novas em Setembro ou Outubro as couves rebentam todas – nessas serras aí por adiante servem para semear milho – tira-se a erva que serve para feno para os gados – o gado agora anda a comer e a rapar as ervas mas depois tira-se o gado – deixa-se de tirar o feno em Abril, corta-se a erva grande ou enfarda-se ou arruma-se nos palheiros secos se a colheita for boa – depois é que se semeia o milho com o estrume dos gados – o milho semeia-se mais em Maio mas algum também em Junho, nas terras mais fundas, essas ultimas terras é por vezes em Junho – vai chegando para a província – o milho é para criar os porcos – nunca tivemos outra coisa foi sempre isto, cá nascemos e cá morremos – antigamente não se via o mundo mas atualmente vê-se o mundo pela televisão – viaja-se o mundo pela televisão, vê se a Rússia a América a China, por aí fora, Brasil e todo o mundo –
08:15 [antigamente] uma coisa que orlando nota hoje que quando foi criado não existia é em relação aos miúdos da aldeia, que quando vêm outros miúdos de Lisboa para o pé deles, os miúdos de aldeia não se sentem inferiores a nada – repara que os miúdos que são criados na aldeia são iguais aos da cidade – antigamente não, os miúdos tinham um certo complexo que os miúdos da cidade eram mais importantes – antigamente não havia televisões nem nada e havia esse complexo – quando chegavam os da cidade os da aldeia teinham um complexo de inferioridade – hoje repara que esse complexo já desapareceu e ainda bem, são todos portugueses – antes até nos adultos de notava isso – hoje isso está a desaparecer
09:30 [apanhar erva para o gado]
14:45 [apanhar erva para o gado antigamente] antigamente isto era tudo cortado à aceitoura ? ou à foice – eram as mulheres que cortavam – hoje é com as máquinas, que facilitam -usavam também as gadanhas – quando é o feno é com uma máquina trator, uma ceifeira, numa hora corta um campo para feno, com um trator, antigamente era precisos dois homens e um dia inteiro para cortar – esta erva é para levar para o gado – teve dois dias a chover e o gado andou a comer seco – agora as vacas já vão comer verde no curral –
15:50 [vacas e ovelhas] a vaca não sai do curral, estão lá sempre, as ovelhas é que vêm para fora,
19:44[ovelhas] as ovelhas estão numa cerca lá em baixo, fechadas – as ovelhas têm morrido, já morreram umas dez desde Outubro para cá – anda aí doença nelas
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