00:35 [aldeia] gosta de viver na aldeia – é sossegada a aldeia embora agora seja mais complicado porque tem pouca gente – antigamente tinha uma média de 60 pessoas de momento tem uma média de 14 pessoas –
01:04 [antigamente] havia muita gente as pessoas trabalhavam nas terras – havia cabras, vacas – faziam bailes –
01:26 [bailes] havia a contradança, tocavam fados, e várias outras coisas das zona –
01:44 [ o que mudou]tudo mudou, especialmente pelo facto de haver pouca gente – diz que quando vai à povoação entra e sai muitas vezes de carro ou sem carro sem encontrar ninguém. Antigamente encontrava-se muitas pessoas e conversava-se, hoje em dia especialmente a uma certa hora não se encontra ninguém. Também já não se trabalha nas terras, tudo mudou totalmente.
02:28 [filhos] tem filhos. Chama-se Aida e trabalha no centro de acção social de Sã Martinho das Moitas . nasceu no hospital de São Pedro do Sul mas foi criada em Sá. Antigamente faziam od partos em casa, ainda tentar fazer o parto da filha em casa mas não conseguiram. Toda a restante família de Maria nasceu em casa. Quem fazia os partos era uma senhora parteira que já morreu há muito tempo.
03:22 [baptismo] Maria de Lurdes é baptizada tal como a filha e os netos. A filha e os netos foram baptizados na igreja de São Martinho das Moitas. Antigamente os baptizados era quase iguais aos de hoje. Baptizava-se a criança no meio da missa e depois fazia-se um almoço com a família.
04:05[infância] havia muitas crianças na escola, uma média de umas 40 na escola primária. Iam com as ovelhas e as cabras, trabalhavam na agricultura e ajudava muito os pais. Lembra-se também de passar mal.
04:42[escola] Fez a quarta classe, entrou aos sete e saiu aos onze, ia fazer onze em Outubro e saiu em Junho. Fez a primária em São Martinho, aos 64 é que fez o 9º ano nas novas oportunidades. Antigamente havia mais respeito com os professores e eram muitas crianças. Agora a escola já acabou. Gostava muito da escola antigamente porque havia muitas crianças. Ainda gosta de ver os antigos colegas da escola. As crianças estavam todas juntas em várias fileiras, a primeira a segunda a terceira e a quarta. Havia alguns castigos quando se portavam mal, às vezes mereciam outras vezes não mereciam mas não tem muita razão de queixa. Não era uma criança rebelde apesar de fazer as suas asneiras mas respeitava os professores. Teve várias professoras, pelo menos três. Uma era de Bordomos ? a outra do Vale da Guarda e a outra de Sequeiros, que ainda é viva, a professora Mª da Graça. As outras não sabe se são vivas mas a professora Mª da Graça era uma professora de muito trabalho. Chegava a ir e vir a cavalo de Sete Fontes para São Martinho com três filhos. Agora reconhece que era uma professora muito trabalhadora: a cuidar do filhos a dar aulas a aturar-nos todos, era complicado. Ainda se lembra do nome de alguns colegas mas alguns já faleceram. Uma era a Milde de Rompecilha, da Mª do Carmo, entre outras.
07:38 [trabalho no campo] Com sete anos já ajudava os pais com os animais, aos onze quando saiu da escola o pai emigrou para o Brasil e quando veio começou a trabalhar nas obras e ela ajudava-o com os baldes de cimento. Passava-lhe baldes de cimento, um pouco de cada vez e o trabalho nunca mais acabava. Ajudava-o nas obras. Quando o pai estava fora ajudava a mãe. Diz que não foi uma vida fácil e que ainda é do tempo da metade da sardinha. Metade para ela e metade para o irmão.
08:36 [mãe e pai] a Mãe também trabalhava nas terras. Tinha os porcos as vacas e as ovelhas e tinha a ajuda dos filhos. O pai sempre trabalhou nas obras. Quando veio do Brasil trabalha na madeira ou no cimento, dava um jeitinho, era o que havia na altura. O pai era António da Cruz Pereira Vasconcelos e a mãe era Mª Anunciação Coelho.
09:08 [animais]tinham uma junta de vacas umas 10, 12 ovelhas, umas cabras. Porcos, tinham galinhas. Todos os lavradores tinham animais. Havia um que tinha mais gado outro que tinha menos mas era quase tudo a mesma coisa.
09:38 [casamento e namoro]Casou na ? em São Martinho das Moitas, é aqui na povoação ao lado. O namoro foi só por cartas. Ele estava no Brasil e Mª na aldeia. Depois casou para o coração. Não foi um namoro normal, ele estava no Brasil e escreviam-se. Depois casaram para Mª ir para o Brasil mas as coisas não correram muito bem. Mª esteve na aldeia três anos à espera que ele viesse. Já estavam casados. Ele depois veio e emigrou para França mas não gostou de lá estar. Ele no Brasil trabalhava num café e tinha uma sociedade. Depois em França não gostou daquilo, esteve lá sete meses e veio três vezes. Depois emigrou para a Alemanha e mando-a ir para o pé dele.
10:45[Alemanha] na Alemanha trabalhava numa fábrica de tecidos e na restauração. Mª esteve lá oito anos. Depois vieram para a aldeia, o marido adoeceu e faleceu. E Maria ali continua.
11:05 [marido]O marido não teve que pedir autorização aos pais de Maria, os pais consentiram porque gostavam dele. Maria disse aos pais que ia casar com o Arlindo e eles consentiram. Namoraram três anos por cartas e não foi preciso pedir autorização. Era tudo pessoas conhecidas.
11:48 [casamento] Acha agora que o casamento foi engraçado mas na altura não achou. Foi um irmão dele que foi representar a noiva. Hoje não consentiria um casamento assim, nem que a filha assim casasse. Graças a deus deu para bem mas podia ter dado para mal.
12:20[bailes] havia muitos bailes antigamente. Não é como agora. Com realejo ou concertina faziam um bailito em qualquer lado. Vinha rapazes e raparigas de fora. No tempo dos pais de Maria ainda vinha mais gente aos bailes.
13:13 [animais]teve animais mas vendeu-os em 2005. Tinha vacas e cabras, porcos ainda continua a ter. Estava sozinha e teve de optar. Tinha um projeto para fazer aquela obra e deixou de ter animais. Não podia ter as duas coisas. Gosta de animais, se alguma vez tiver que fechar o estabelicimento, por as coisas estão muito más, diz que vão voltar a ter animais.diz que agora já não ganham para a luz. Diz que já tem as arcas frigorificas desligadas. Gasta muito em luz e não entra dinheiro. não há gente e há uma grande crise como todos sabem. Se for obrigada a fechar volta a ter animais. Enquanto puder diz que não pára. Vai se reformar este ano em Outubro. Gosta de ter animais.
14:33 [trabalhos agrícolas] faz um bocado, planta cebola, um pouco de batatas, este ano ainda semeou milho. Para o ano não sabe se vai semear. O javali destrói tudo. Este ano teve sorte mas o ano passado destrui tudo. Em 2005 semeou um campo na Amoreira, que pertence à freguesia do Sul. Um campo grande de milho era capaz de dar 100 ? de milho e enquanto o milho não teve espiga tudo bem andou a regar e a trabalhar, quando o milho deu espiga não trouxe nem um grão, o javali destruiu tudo. Aprendeu com o pai e a mãe.
15:48 [dia de trabalho] levanta-se de manhã, não muito cedo porque não vale a pena porque não vai lá ninguém. Faz a sua higiene vai tratar dos seus bichos e abre o café e está por ali. Por vezes tem que ir às compras por vezes tem que ir aos medicamentos.
16:30 [histórias e lendas ]conhece uma historia mas não sabe se é verdadeira ou não. A da cova da Serpente . Entre Covas do Rio e São Martinho diz que havia lá um sítio, uma cova, que Mª conheceu, onde havia uma serpente muito grande. A serpente quando não tinha o que comer descia à povoação de Covas do Rio. De noite ia aos currais comer o gado. É uma histórias que os seus avós lhe contavam. Eles tinham que ter sempre cuidado para o animal não ter fome e a cobra não descesse para comer. Uma mulher trazia um borrego às costas cá acima para ela não ter fome de noite. Antigamente havia barbeiros que iam a Rompecilha e a outras povoações e traziam navalhas de barba. Então a rapariga ia com o borrego às costas para a cobra o apanhar e encontrou o barbeiro que lhe perguntou porque estava a chorar e ela disse que era porque tinha que levar o borrego para a serpente não ir lá abaixo ao povo. O barbeiro perguntou à rapariga onde a serpente passava e pôs as navalhas abertas para quando a cobra passasse morresse. Era uma coisa que contavam na sua infância mas não sabe se é verdade. Outra lenda: havia uma casa na povoação onde havia um homem já de idade mas solteiro que tinha uma amante em Covas do Rio. Ele deixava os pais de noite adormecerem na cama e ia ter com ela. Ele tinha uma espada que se usava antigamente. A mãe estava na cama a sonhar que o filho estava aflito. Vai ao quarto do filho e viu que ele estava debaixo das mantas mas não estava. Ele tinha lá posto palha centeia para se a mãe o fosse ver, parecer que estava lá alguém. A mãe deitou-se novamente e começou a ter o mesmo sonho e a mesma aflição e foi ao quarto novamente e levantou a manta e viu que lá estava um feijão de palha. Foi com o marido à procura do filho e viu que estava um lobo de volta dele e ele estava a defender-se dos lobos. – antigamente os lobos atacavam e matavam as ovelhas – a filha diz ?? e ouviu um grito porque os lobos quando viram que alguém se aproximava atacaram o homem a mataram-no. Não sabe se é verdade se é mentira mas quando lá chegaram só viram uns pés dentro das botas.
20:43[catolicismo]é católica mas não é fanática. Vai se missa se ?? mas respeita a igreja católica como qualquer outra religião. Não critica a religião. Diz que não tem nada de dizer nem de falar mal de ninguém.
21:19 [padroeiro] é o São Martinho. Na aldeia não se faz festas em são Martinho que é ali ao lado é que se faz a festa do senhor e da senhora. Faz se festas mais religiosas. Em Rompecilha já se faz uma festa jeitosa, no Gafanhão fazia-se depois deixaram de fazer, em Macieira também fazem. Na povoação de Maria nem há capela, não fazem nada, só em São Martinho.
22:12 [estabelecimento]está aberto há 26 anos. Abriu uma mercearia mais o marido quando era vivo, já morreu há 17 anos. Depois a mercearia não deu nada porque abriu o Intermarché e outros hipermercados. Na altura ainda havia gente mas com os hipermercados deixou praticamente de vender. Depois pensou em abrir um restaurante e propôs o projecto à DRIMAG, foi assinado e abriu o restaurante. O restaurante só está aberto desde 2005 antes era uma taberna. Já foi bom dava para a despesa agora é que não dá. Tem que se desligar as coisas para não gastar tanta luz. Agora está na idade da reforma e se entender que dá para a despesa tudo bem se não der fecha porque não pode tirar dos 300 e tal euros de reforma dinheiro para pagar a electricidade.
23:35 [ o que se vende no estabelecimento] vende se um copo de vinho um café algumas refeições. Antigamente vendia-se muito vinho e cervejas porque havia mais gente e mais trabalho. Quando havia obras ninguém trazia comida de casa e vendia-se muitas refeições. Era melhor senão não conseguiríamos pagar as cotas da casa. Antigamente era a caixa da providência. Agora as obras acabaram e as pessoas trazem a comida de casa e Maria oferece o espaço do estabelecimento para as pessoas não estarem a comer nos carros. Bebem um café quando bebem mas se não beberem não há problema.
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