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00:00 [Apresentação] Maria Cidália Almeida Maurício Pereira – Nasceu em Oliveira e sempre lá viveu – gosta muito de viver na sua aldeia

00:17 [ o que a aldeia tem de especial]Tem a escola por enquanto, o jardim de infância, a associação – Ainda tem muita gente e população nova ainda tem bastante –

00:52 [a vida antigamente] lembra-se um bocadinho – acha muito diferente da de agora, no tempo em que foi criada não havia a fartura que há agora – Ela foi criada “de qualquer maneira” não como acontece agora – Havia poucas possibilidades, a mãe era mãe solteira e eram oito irmãos – à mãe custou-lhe criá-la, era uma vida com dificuldades, vivia-se com dificuldades

01:28 [a mãe] A mãe foi mãe solteira, tem 92 anos, chama-se ? Almeida Maurício – Para criar os filhos foi complicado porque era mãe solteira mas ao menos criou-os com educação –

01:42 [irmãos] chamam se Mª do Carmo, Virgínia que é gémea com o Manuel, Conceição, e Lurdes e Alice, também gémeos

02:05 [ o que mudou na aldeia] Mudou bastante, as pessoas vivem bem em comparação com antigamente, não há fome na aldeia por enquanto. As pessoas vivem muito muito melhor que quando foi criada, sem comparação

02:33 [filhos] tem dois filhos, o Zé Pedro Maurício Pereira tem 35 anos. A filha é Ângela Isabel Maurício Pereira e tem 30 anos – nasceram em Viseu na maternidade mas moraram sempre em Oliveira

02:56 [os partos antigamente] antigamente faziam os partos em casa, havia uma senhora que era a ? a senhora do bispo mas ela deu à Luz na maternidade de Viseu, onde nasceram os dois.

03:12 [baptismo) São baptizados. Foram baptizados na paróquia de Sul onde mais tarde casaram e mais tarde baptizaram o seu neto filho da filha e se deus quiser o filho pequeno do filho também há-de ser batizado na paroquia.

03:37 [baptizados de antigamente][filhos] no tempo dos filhos eram razoáveis, até levou água morninha que o padre autorizou a levar – Os filhos foram baptizados com água morna- Acha que os seus filhos foram criados como reis e espera que os netos também sejam – Antigamente nos baptizados os padrinhos é que levavam o enxoval porque os pais não tinham possibilidade – hoje em dia faz se bodas mas antigamente não – com os filhos dela foi assim mas ouvia dizer que antigamente que era muito diferente – vinham da igreja para casa, os padrinhos é que punham os nomes aos filhos, era essa a tradição, os pais não tinham direito de escolher os nomes dos filhos – a mãe contou-lhe que a madrinha da Cidália que já morreu queria que ela se chama-se Piedade mas a mãe pediu à madrinha que não lhe pusesse esse nome e então ficou Cidália – embora não goste muito do seu nome sempre é melhor que Piedade- batizavam as crianças, os padrinhos davam o nome e o enxoval e depois iam para casa porque os pais não tinham possibilidades para festa

05:28 [Antes e Hoje ]Dizem que hoje está mal mas nem se devia dizer isso porque à vista de antigamente está muito bom por enquanto –

05:36 [o seu nascimento] [mãe]não tem lembrança de a mãe lhe contar acerca do seu nascimento. A mãe era sozinha. Sabe que nasceu em casa tal como os irmãos, os irmãos gémeos um nasceu em casa e o outro foi nascer ao hospital ?- Sabe que nasceu em casa mas não sabe mais pormenores.

06:05 [casamento] é casada, casou e foi baptizada na igreja de Sul mas já é viúva há treze anos – O marido também foi baptizado na igreja de Sul e está no cemitério de ? – nunca saíram dali . depois de casarem estiveram para ir para Lisboa porque tinham lá um primo que lhe arranjava trabalho mas depois o marido arranjou trabalho na escola secundaria ali perto onde trabalhou 23 anos – começaram a fazer a casa deles e ficaram por Oliveira – estiveram 23 anos casados mas mais tarde teve um problema na cervical e foi quatro anos para Coimbra até falecer- viveram sempre em Oliveira

07:05 [infância] lembra-se que ia para a escola com uma saquita às costas feita dos sacos de batatas – ia com uns chinelitos – levava umas reguadas de vez em quando porque naquela altura era assim – a mãe quando ia trabalhar ela ficava com os outros miúdos a brincar, iam para o rio – foram criados uns com os outros – vinham à hora do almoço, a mãe fazia o jantar e iam para a cama – no outro dia brincavam uns com os outros outra vez – quando havia escola iam para a escola e nas ferias passavam a mocidade a brincar uns com os outros numa casa que há ali além –

07:57 [escola] Andou até aos 11 anos, fez a 4ª classe, andou na escola de Oliveira que é a mesma de hoje – em relação ao ensino agora os pais dizem que 11 alunos é muito para uma só turma mas no seu tempo eram 40 ou 50, raparigas de um lado e rapazes do outro, quatro turmas, e toda a gente aprendia muito bem, aprendiam coisas na 4ª classe que os miúdos do 5º ano não sabem. Havia respeito pelos professores e por toda a gente. Era muito diferente do que é hoje, talvez por haver muito medo dos professores porque era o tempo do regime e tinham medo de levar com a régua, a cana. Mas aprendiam e era uma professora só e 40 ou 50 miúdos em quatro turmas. Ela sabe porque trabalha na escola e acha que 11 miúdos dão mais trabalho que 40 ou 50. E havia respeito. Agora quando a professora chega os alunos nem dizem bom dia. Na sua altura havia um pouco de fome que ela ainda apanhou e havia miséria, mas havia respeito e educação. Hoje há fartura de outras coisas. Lembra-se dessas coisas da infância, fez a 4ª classe mas ficou a saber de tudo.

09:43 [castigos] havia reguadas e quando se viravam para trás levavam com uma reguada na cabeça. Chamavam os pais, mas a mãe dela nunca foi la chamada. Os pais também malhavam em casa

10:07 [professora] [colegas] já morreu era a Lucinda Lagos de Sul. Os colegas eram a mulher do senhor Serafim que é hoje presidente da junta. A maior parte dos colegas estão em Lisboa mas de Oliveira lembra-se dessa.

10:42[brincadeiras] jogavam com bolinhas no chão, os rapazes jogavam com piões, com arcos, jogavam aos quatro canteirinhos. Havia um jardim e cada turma tratava do seu jardim, havia o do 4º ano, do 3º ano, do 1º, do 2º, às casinhas. Havia umas brincadeirinhas com que se entretiam

11:18 [ajudar a mãe] Saiu de casa com 12 anos e foi para casa dos padrinhos que eram pessoas ricas, a partir daí começaram lá a trabalhar e deixaram de ter fome. A mãe começara a ganhar dinheiro dos padrinhos, que já morreram. Esteve com os padrinhos dos 12 aos 26 que foi quando se casou. Nesse período de tempo já trabalhavam e já puderam ter uma vida. Os outros irmãos foram para Lisboa. Depois disso bem melhor porque trabalhavam na casa dos padrinhos. Saiu de lá há 14 anos – A mãe trabalhava nos aviários dos padrinhos, davam-lhe um ordenado e ela trabalhava em casa – tem uma irmã, a Mª do Carmo que trabalhava nos aviários com a mãe, trabalhou lá 30 anos.

 

12:36 [casamento] casou lá na igreja – fizeram ?? nas terras ?? no Vouga ? – o namoro foi bom, o namorado estava na tropa em Viseu, era cabo enfermeiro e depois foi para Coimbra tirar a especialidade. Depois tornou a vir para Viseu. depois já tinha o ? para ir para o ultramar – depois deu-se o 25 de Abril e ele estava em Viseu mas vinha a Oliveira aos fins de semana – ao domingo tinha uma hora ou duas para namora, não era quando queria. Namoraram dois anos, ele saiu da tropa e passado um ano casaram. Ele arranjou emprego na escola secundária de são Pedro do Sul – passados 9 meses e dezoito dias nasceu o Pedro, o filho mais velho, tinha 27 anos, e passados 5 anos nasceu a Ângela. Foram muito felizes, ele era muito seu amigo, e depois quando a Ângela tinha 4 anos começou a fazer limpezas no jardim de infância e na escola primaria. Depois começou a cozinhar para os meninos durante uns anos e agora está no jardim de infância a trabalhar.

14:08 [autorização para casar]não precisou pedir autorização à mãe. Ela era mais velha que ele três anos, ela tinha 26 e ele 23- não foi preciso pedir lhe a mão (à mãe) mas foi falar com ela e disse lhe que iam casar – a mãe gostava muito dele e ja tinham alguma confiança – não foi propriamente pedir a mão mas falaram entre eles que iam casar – já era uma relação familiar, eles namoravam: Havia lá um café onde as pessoas já diziam que eles iam beber um cafezinho, chamavam-lhes os namorados do café – há 36 anos atrás as pessoas ja não eram muito atrasadas, já não se sentiam pessoas muito antiquadas.

15:17 [casamento] foi na casa dos padrinhos que puseram la uma mesa com comida para os convidados, depois foram para a igreja, casaram e fizeram uma missa. O padre era muito amigos deles e não lhes levou dinheiro levou só da papelada – casaram e foram para o hotel Vouga, como ela tinha um dinheirinho fizeram lá um copo de água e então para a altura ja foi um casamento bom.

15:55 [depois do casamento] na primeira noite ficaram a dormir num hotel em Viseu e depois foram uma semana para Lisboa, para casa dos irmãos que estava fechada. Quando regressaram foram um noite para casa de uns senhores enquanto andavam a construir a sua. E quando a casa estava pronta por dentro foram para lá viver. Na aldeia sentia-se mais feliz e ja tinha uma vida mais ao menos.

16:47 [trabalho] trabalhava para o estado, o pouco que ganhava não era muito mas era certo. Dava para irem vivendo com os filhos muito fartos graças a deus, nunca lhes faltou nada.

 

16:58 [bailes] [vida de casada]havia bailes nas associações. Ela e a irmã organizavam mais o resto da malta nova. Divertiam se nos bailes, tinham associações e era ela e a irmã e um grupo de amigos que organizava tudo. Havia a festa de Oliveira, de Sul, – la na casa dos padrinhos ??? e na aldeia havia cascadas, bailes. Gozou mais em casada do que em solteira – ela e o marido gostavam muito de dançar nas festas – depois de casar teve uma vida melhor do que em solteira. Foi muito feliz em casada, faziam excursões e sentia-se bem. Na aldeia a vida era mais ou menos, isto em pequenina, quando a vida era mais difícil.

18:39 [trabalho depois de casada]trabalhava em casa depois de casada, teve possibilidade de ir trabalhar para o lado do marido mas a Ângela andava no jardim e o Pedro na escola primaria e ainda não tinham carro. O marido estava a tirar a carta e por isso combinaram que ele ia ganhando o dinheiro enquanto ela criava os miúdos em casa. 19:16 [animais] faziam criação de porcos, galinhas. Ainda no Sábado matamos galinhas. [trabalho] não teve um emprego mas criou os filhos com ela.   Entretanto apareceu a oportunidade de ir trabalhar para a escola a fazer uma hora no jardim. Depois a fazer umas horas na escola primaria e hoje tem contrato há alguns anos a fazer o tempo completo, há mais de 20 anos.

19:44 [compras para casa] fazia algumas na aldeia e o marido fazia algumas em são Pedro: carne, peixe, alguma coisa em falta comprava na aldeia na loja do senhor ? que era primo do presidente sr. Serafim -também comprava no senhor Alpino ? numa mercearia que havia na aldeia que fica ali como quem vai para ? – o que não havia na aldeia o marido trazia de são Pedro que ia e vinha todos os dias para lá

20:29 [alimentos que comprava] carne e peixe, quando o marido era vivo criavam vitelas por isso carne de vaca não compravam, porco também não. Tinham cabrito, vitela, porco, galinhas. Legumes também se cultivavam. De maneira que era mais fruta, peixe, e outras coisas necessárias. Carnes e legumes tinham.

21:16 [animais] agora só tem galinhas e frangos. Tinha porcos que matou. Agora devido à saúde, porque vai ser operada à coluna só vai ficar com galinhas e frangos. Tinha dois porcos, um para ela e outro para os filhos. Ficou metade para cada um, tem -no na arca. Gosta de ter animais e tem pena de deixar de riar. Primeiro tinha cabras e vendeu-as porque foi operada à coluna e agora vai ser operada outra vez. Os filhos não queriam que criasse porcos mas ela gosta muito de animais mas tem mesmo de deixar derivado à saúde.

22:15 [com quem aprendeu a cuidar dos animais] com o marido, antes de casar não sabia porque os padrinhos não tinham. O marido é que tratava dos animais antes de ir para a escola – tinha medo de tratar da vitela mas ele é que tratava disso e ela depois aprendeu e habituou-se. ?? há três anos e tem criado porcos e cabras mas agora não derivado à saúde. Tinha o trabalho e andava sempre a correr mas conseguia. Agora vai só ficr com as galinhas e com os frangos –

22:58[trabalhos agrícolas] ainda faz, semeia batatas, os filhos vêm ajudá-la ao Sábado. Tem todos os legumes, na geada não mas no verão tem. Tem um terreno atrás onde cultiva os seus legumes e para as sopas dos netos.

23:19[netos] tem dois netos, o mais pequeno ainda não come mas o Afonso que é o da filha já comeu muito legume fabricado por ela. enquanto puder há-de semear batatas e outros legumes. Atrás da casa tem um terreno e ? a uma senhora para plantar, depois ela é que sacha e rega, quando vem do trabalho ou de manhã antes de ir.

23:43[trabalhar na escola] A minha filha tem 30 anos e ela andava no jardim quando começou portanto há 26 anos

23:57 [como é o dia de trabalho] levanta-se toma o pequeno almoço, agora já não tem os porcos para tratar. Depois chega à escola e acende a lareira do jardim e da escola primária. Depois recebe os meninos da primária e do jardim, chega a educadora, vai com ela e com os meninos para o jardim e depois está lá a ajudá-la. À hora de almoço vai lá uma senhora dar o almoço, fica lá de tarde e a Cidália ajuda a dar o almoço. Trabalha até à uma e depois do almoço vai beber um café com elas. Até às três horas está com a educadora e depois faz uma hora de limpezas no jardim.
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