Amadeu Dias nasceu em 1922. Na sua entrevista conta-nos como era a via na aldeia naquela altura: a família, os trabalhos no campo e o linho que era uma tradição da aldeia.
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00:00[apresentação] Amadeu de Almeida Dias -nasceu a 3 de Agosto de 1922 nasceu – nasceu naquela casa
00:20[casa] [cozinha] [filhos](quanto tempo tem a casa) a casa era dos tios-avós – só se lembra desde que existe- metade da casa lecou reparação – antigamente a cozinha era no chão, punha-se uma pedra encostada à parede – punha-se os cavacos na lenha a que chamavam de ? – punha-se a ponta do cavaco em cima dessa pedra que era para a lenha arder melhor – criou os filhos à volta das panelas com umas pedras a segurá-las para não tombarem – criou os filhos todos e nenhum se escaldou ou houve panela que tombasse –
01:39[cozinha][refeições][pais] para comer havia uma mesa que levantava e descia com umas penas -era cravada na parede e era segurada – quando a mesa baixava comiam uns de um lado e outros do outro – comiam todos no mesmo prato – havia uma garrafa de vinho e quem comessava a beber primeiro era o pai – o redto da malta em volta olhavam para a garrafa para ver se lhe chegava a vez – comiam uns de um lado e outros do outro – o pai era sempre o primeiro – hoje trata-se os pai por tu, antigamente era Senhor Pai e Senhora Mãe – os filhos falavam assim para os pais, agora é por tu ou de qualquer maneira
03:26[agricultura][semeio][linho] os pai trabalhavam na agricultura, trabalhavam nas terras – Amadeu andava com o carro de vacas a passar o milho das terras para ocanastro que tinham na eira -durante o dia cortavam a espiga do milho -cultivava-se feijão, batata, milho, hortaliça- tinham sempre linho – todos os anos faziam uma teia de linho – o linho era muito trabalhoso -quando chegava a altura de o arrancar arrancava-se- depois era ripado e posto em algadeiros, aos molhinhos para pôr em água com pedras por cima, teinha que estar coberto por água durante oito dias -era tirado do poço para pôr a secar, estendido num sítio onde não tivesse mato para secar bem – depois era apanhado e era trazido aos molhos para casa – depois combinava-se a massada e pedia-se às mulheres para massar – os homens continuavam o trabalho da época – quando chegava a massada era feito o que se chamava de estrigas? – depois de massada era feita às montanas? que estivessem na mão para ser tascado – depois de tascado chamava-se as mulheres para ?? num cortiço de sobreiro – umas tiravam o mais graúdo e depois passavam para outras para tirar mais um bocado – passava de umas para as outras e as últimas tiravam a limpo – passado uma temporada era fiado pelas pessoas da casa – eram as filhas ??? faziam massarocas e depois ia para as rocas -uma irmã sua que ia para o monte levava no carro umas massarocas de fiação – trazia à noite quando vinha com as ovelhas para o curral sete massarocas – espiava uma no ? e ainda levava outra – era uma alegria para os pais quando ela chegava com aquilo, levava um cesto para as massarocas e passavam aquilo para a cesta – em casa as massarocas eram passadas para o sarilho – com uma mão ? e com a outra pegava no fio para passar em volta no sarilho, quando um fio saía fora chamavam trave -tinham que tirar a fiação até chegar ao defeito para corrigir – eram umas quantas massarocas para cada meada – até ser tecido era um grande trabalho
09:07[Rompecilha] [linho][ti Joaquina] quase toda a gente semeava linho em Rompecilha- só os mais pobres não semeavam – os mais pobres tinham que comprar a roupa – Amadeu teve camisolas de linho e lençóis de cumentos? e estoupa – picavam mas as pessoas eram obrigadas de noite a deitar-se neles para não romper a roupa – as mulheres não usavam roupa de linho- havia uma senhora com um rabo muito grande a quem os rapazes diziam que usava umas cuecas de linho- a tia Joaquina era a única pobre – onde se tascava o linho ela pedia autorização para ir sacudir aquilo e ver se aproveitava alguma coisa – os pobres iam aos restos no campo – iam às ripas – iam ao sítio onde era massado e tascado – chegavam a fazer teias – a tia Joaquina era a mais pobre e era a que tinha mais camisas de homem, só com restos que aproveitava
11:35 [São Macário][linho] para os irem à festa de São Macário tinham que tascar o linho, Amadeu e o irmão -tinha que ser nessa altura por causa do calor -tanto para tascar como para massar o linho tinha que apanhar sol – quanto mais quente estivesse melhor para bater na massa pois melhor saía a aresta – massar era só para as mulheres, assistiu a muitas massadas – havia uma rapariga a massar que casou com o seu falecido irmão -passava o dia lá enquanto ela não acabasse o serviço – o serviço em casa era posto de parte para o irmão, o dia era passado lá enquanto lá estivessem as mulheres no serviço delas – umas vez Amadeu foi com o pai ao estrume e o irmão baldou-se, ficou na cama – já eles vinham com o carro carregado até que o pai chamou o irmão de Amadeu à atenção
14:33[tear] [tia] quase toda a gente tinha tear – havia na aldeia uma porção deles- tecer nem todas as mulheres sabiam – na casa de Amadeu havia a mãe e a tia que sabiam – a tia é que sabia melhor e metia-se com a irmã por isso -o irmão de Amadeu chegou a tecer sem a tia saber e conseguiu – essa tia era uma segunda mãe – o irmão em garoto andava na escola e arrancou os botões das calças no recreio – a tia sabia a hora que saia da escola e quando o foi buscar perguntou pelos botões das calças – a tia sabia pouco de muitas coisas mas era ela que fiava o linho – a irmã de Amadeu fiavam a parte mais grossa e a parte mais fina era a tia que fiava – a fiação mais grossa era com fusos de pau e o linho tinha que ser no cimo do pau de fiar que tinha um ferrinho com uma rosca para segurar a fiação-
18:02[homens] [gorga] [tecer] os homens semeavam – o pai engatava a tia e queria ir com ela para o meio do linho, para tirar a gorga – tinham que ir pelos carreirinhos para não pisar o linho – era regado diversas vezes durante o verão – tinham que se abrir carreiros para chegar a água – desde nascer o linho até ir para a teia passava por diversas fases – a parte do campo o homem podia participar – na parte mais artesanal quem participava era a mulher – nunca viu nenhum homem a fiar, seja na parte grossa seja na mais fina – não se lembra de ver algum homem fazer isso – durante o dia quem fosse com o gado para o monte deitava-se a erva nas terras e ia-se com o gado para eles comerem e passar as horas- à noite regressava-se com o gado para casa -tecer era quando tinham vagar – usavam umas canelas que metiam nas teias ?
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