Maria Vitalina conta na sua entrevista como era a vida antigamente. Os trabalhos no campo e em casa, a vida religiosa e a família.

[hide for=”!logged”] 00:00 [apresentação]Maria Vitalina Alves Pereira – nasceu em Adopisco a 12 de Fevereiro de 1952 –

00:13 [família] [trabalho] o pai era João Rodrigues Pereira e a mãe Generosa Ferreira Alves – o irmão Arménio Alves Rodrigues Pereira – Maria Vitalina é doméstica – os pais era agricultores -sempre trabalharam no campo –

00:32 [casa] [currais] [cozinha] A mãe antes de casar vivia na casa dos pais – depois comprou a casa onde vivem atualmente – Maria Vitalina nasceu nessa casa enquanto o irmão aonda nasceu na casa onde a mãe vivia com os pais -a casa atual é de antes de Maria Vitalina nascer portanto tem mais de 61 anos dado que é essa a idade de Maria Vitalina -nao sabe ao certo porém – a casa tem o apelino do Santo em honra a Santo António – o santo está atrás da casa, a capela – a casa é toda de pedra, as divisões são de madeira -mas nao sabe como foi feita – tem dois quartos e um piso mais o rés do chão – o rés do chão era onde se punha os pipos do vinho – os currais dos animais são separados ao lado -debaixo de casa nao tem animais – antigamente tinha um outro curral com animais mas agora já nao – a cozinha é feita de pedra, tijolo e por cima de placa de cimento. Na cozinha tem a banca e um fogão de lenha e um armário – o fogão de lenha veio mais tarde- a mãe antigamente cozinhava na lareira, no lume, numas panelas de ferro, no lume no chão – mais tarde comprou o fogão de lenha- a banca também não existia, lavavasse a louça em alguidares -mais tarde pôs-se a banca – o resto que lá tem sempre teve à exeção do armário que pôs mais tarde, no tempo dos pais nao existia – antigamente comia-se na cozinha, nos tabuleiros de antigamente – o irmão sentava-se de um lado e o pai do outro – Maria e a mãe sentava-se à frente nuns banquitos – comiam nos tabuleiros onde se amassava o pão -a cozinha não era aquela, havia outra em baixo, depois é que fizeram aquela –   a outra cozinha tem um forno para cozer o pão de milho -a cozinha atual nao tem forno – antigamente a mãe cozia o pão no fogão de lenha- em relação à louça comiam todos no mesmo prato -quando vinham da escola a mãe deixava-lhe um prato em cima da panela de ferro – um prato para comer e outro para cobrir a comida -todos comiam do mesmo prato

04:36 [reza] [antigamente] [crise]não se lembra de rezar antes de comer mas sim de rezar depois de comer, no fim à noite- o pai pedia graças – graças é invocar uma intenção a cada santo -por exemplo, São Macário nos dê juízo e entendimento até à hora da nossa morte – Santa Luzia nos dê vista e caridade até à hora da nossa morte -Santo António nos guarde os animais de todos o males, essa nunca aprendeu – diziam isso e depois rezavam a salva rainha – adormecia muitas vezes e nao rezava e o pai batia-lhe -antigamente as pessoas eram mais religiosas que hoje em dia -as pessoas eram mais sinceras, acha que hoje há mais falcidade- diz que não se pode confiar em ninguém – diz que qualquer coisa de se diga dá logo vontade de ir contar a alguém -não confia em ninguém – antigamente as pessoas eram mais amigas – ajudavam-se mais no campo, nas terras a trabalhar – hoje cada um faz o seu e diz que hoje as pessoas trabalham pouco- as reformas vieram melhorar as coisas, diz – diz que quando houve falar da crise que diz que não nota porque sempre viveu na crise – nunca viveu com mais ou menos fartura – sempre comeu como come hoje – no tempo dos pais também comia coisas do campo – hoje bebem leite que antigamente era das cabras – agora é comprado – as pessoas falam na crise mas acha que as coisas não são tão graves como se fala – diz que houve falar que não tem crise porque ainda tem determinada coisa – há pessoas que não olham o dia de amanhã – quando têm, comem comem comem tudo e depois acaba – diz que se tem que guardar para uma doença e não se pode gastar tudo e viver de luxos – diz que vê na televisão pessoas falarem que não têm comida para dar aos filhos mas que se pintam todas e têm muitos adereços – diz que deviam antes preocupar-se em dar comida aos filhos -hoje as pessoas são vaidosas –

07:23 [vestuário] antigamente vestiam saias duarante a semana inteira -ao domingo viravam-na do avesso -vestiam roupas uns dos outros – tem uma tia que calçava os tamancos da mãe – a mãe tinha o pé maior e os tamancos ficavam grandes à tia -vestiam blusas umas das outras – alianças pediam emprestadas para o casamento – era pior que agora -agora não está mal mas não está mesmo – para umas está mau para outras não –

08:08 [tamancos] eram feitos de pau e por cima era de napa – para o homem era feito de um feitio e para a mulher de outro -para as mulheres era tamanco de pau e napa de cabedal preto – para os homens era de outro feito, mais castanho –

08:38 [roupa de trabalho] [lojas] [correios] a mãe também lhe dizia, mas tem uma tia com 92 anos que lhe dizia que falam de crise mas que antigamente é que era crise – as saias com que andavam durante a semana eram as mesmas que usavam aos domingo mas viravam-nas de avesso para levar para as missas, festas ou romarias a que iam -os homens vestiam calças de borel -desconhece como era feito – usavam camisas de linho-as mulheres usavam saiotes ou combinações de linho – em certas alturas nem usavam nada – a roupa lavavasse nos rios, na corrente dos rios – nao havia tanques ou máquinas, só havia o rio – havia uma fonte apenas no meio do povo onde ia toda a gente – mais tarde tarde puseram mais chafariz mas não era para lavar roupa, era apenas para água para consumo – havia sabão, não havia detergentes, no tempo dos pais era só sabão -comprava-se sabão nas lojas, Maria comprava em Sul – em Adopisco havia uma loja – compravam em na loja de Adopisco ou de Sul – não iam para São Pedro como agora -iam à missa e traziam sabão de Sul ou comprar na loja de Adopisco – não havia lojas de artesanato – havia sapateiros mas não sabe se havia em Adopisco – em Sul havia sapateiro – os correios era numa caixa numa casa particular -vinha ao domingo – iam buscar a Sul ao carteiro que era um senhor de Pesos- traziam a caixa e iam buscá-la a pé – primeiro era a mãe desse senhor que ia buscar a Sul os correios – trazia a mala de Adopisco e entregava-a na casa particular e as pessoas iam lá buscá-la -era no tempo da tropa

11:41 [medicamentos][médicos]os medicamentos eram comprados à sua conta e os médicos também antes de haver a casa de povo em Sul – era tudo à conta das pessoas – quando as pessoas começaram a fazer descontos à segurança social e começou a haver comparticipação dos medicamentos – não havia médicos nas aldeias – em Adopisco não havia médicos mas em Sul havia um doutor – Maria chegou a ir a muitos médicos mas eram particulares -pagava ela – chegou a ir a muitos médicos a Viseu e no hospital em São Pedro – não se lembra de ir a Sul ao médico, só depois de haver posto médico lá – levavam as pessoas para São Pedro, Viseu para médicos particulares

12:45 [mãe] [mantas] [javalis][agricultura]a mãe era agricultora, trabalhava no campo – fiava linho e semeava linho – mandava depois o linho para a tecedeira para tecer – fazia tiras das roupas velhas que já não usava – fazia novelos e mandava para a tecedeira fazer as mantas de tiras – não havia cobertores como agora – havia outros mas não como os de agora – as mantas não dão nem para as camas de agora porque são muito estreitas -ainda concerva as mantas – mostra a manta – era a tecedeira que fazia as mantas, a mãe fazia as tiras e fiava o linho – fazia-se também de algodão e comprava-se o algodão para urdir – a mãe fazia as tiras quem tecia era uma tecedeira que havia na aldeia – a mãe pagava a essa tecedeira em escudos- era da aldeia mas a mãe de Maria pouca confiança com ela – antigamente pagava-se tudo -hoje não querem pagar nada – não havia subsídios para animais ou milho – o pai usava cordecas, casca de pinheiro nas terras a queimar e as raposas fugiam – não havia javalis a destroir como hoje – havia mais bicharada, passarada – há muitos javalis hoje e as pessoas ficam quase sem nada nas terras – antigamente o problemas eram as raposas – mas todas as pessoas semeavam – havia um bicho que se comesse de um lado já não comia noutro porque toda a gente semeava -agora semeam poucos e então os bichos destroem apenas um certo sítio – antigamente era uma vida mais escrava –

15:09 [tia] [autosuficiência] [resina] a tia Prazeres conta-lhe que uma sardinha era para duas ou três pessoas -de manhã comiam um pouvo de pão de milho e bebiam um pouco de vinho ao pequeno almoço – era vinho ou aguardente – iam buscar estrume até ao meio dia, uma hora – eram todos auto-suficientes – havia pais que tinham muitos filhos e ficavam quase todos por ali- andavam na resina – resina dos pinheiros, põe-se uns púcaros de barros – faz um corte com um ferro, tirava um pouco da casta de pinheiro e o pinheiro deitava resina para o púcaro – iam para a colha, chegou a andar com o pai que trabalhava nos seus pinheiros e nos de amigos – iam com uma espátula e tiravam resina para um púcaro – diz que não passou muitas dificuldades, que os pais passaram mais, mas passou mais que as pessoas passam agora –

16:56 [avós] não conheceu os avós maternos só os paternos de Pesos – diz que a vida deles era igual à da do pai – a relação com eles era boa em criança – o avô dava-lhe sempre um moedita – a avó ficava mais em casa – a reação sempre foi boa – havia muito respeito com os pais e os mais velhos – um dia disse uma frase que não agradou ao pai e ele bateu-lhe – estava a soltar as vacas e respondeu-lhe mal – ela já devia ter trinta anos mas levou do pai – batiam muito antigamente – quando vinha da escola dizia para comer que depois tinha que ir para as terras – muitas vezes antes de ir para a escola tinha que ir com as ovelhas -a escola era às 9 horas e antes tinham que ir com as ovelhas enquanto os pais iam para os campos –

18:37 [escola] a escola era entre Adopisco e Sul, a um quilómetro e pouco de distância – iam sempre a pé – era uma miséria, diz que nunca comeu na cantina -os pais tinham uma vaca e umas terras – ela nunca comeu uma malga de sopa na cantina -não lhe deixavam comer – quem tivesse uma vaca e uns terrnos não tinha direito a comer nada -nunca lá comeu nem o irmão – levavam comida de casa – lembra-se da professora – era a Aida que morreu há poucos anos -ela gostava de respeito se chegassem tarde levavam com a régua – quando perguntava alguma coisa e não sabiam dava com a régua -os pais não eram como os de agora – agora não se pode bater num filho – em casa o ambiente é como calha e diziam o que querem na escola – depois na escola não podem bater porque vão falar com os professores – nunca chegou a casa a queixar-se – por vezes batiam-lhe os mais velhos – nunca disse aos pais que lhe tinham batido – nunca arranjou probelmas com escola ou com os colegas – se lhe batiam ficava-se ou batia também – hoje se batem tratam a professora mal -acha que deviam era bater mais para as crianças se portarem bem -era um exemplo que deviam dar – diz que o mundo está sem educação e sem amor –

20:46 [cultivo] [água] [feira] [animais] cultivava tudo, milho, batata, feijão, cebola, repolho, feijão verde, pimento, tomate, nabos – hoje em dia é igual a agricultura – oa terrenos alguns são secos que tem que não dão quase nada e as águas vêm de muito longe para ser regado -a água fica muito longe quase ao pé de Figueiredo – iam a pé – o pai ia lá deitar uns poços e vinham ajudar a regar -não é como agora que é tudo a motor – agora é tudo mais fácil, a mãe já lhe dizia que se as coisas continuassem como são que seria um mar de rosas, que o pior era se as coisas voltassem ao antigo -está a ver que as coisas estão pior mas não sabe se volta para o antigo ou se ainda para pior -sem as reformas ninguém consegue viver – antigamente vendia-se tudo – o pai vendia vinho – os resineiros compravam vinho e aguardente – os homens compravam animais, vendia cordeiros, cabritos – só se lembra de ter uma cabra e ovelhas -agora há mais dificuldade em vender – havia uma feira em Sul, na preimeira segunda feira de cada mês -levava-se os bezerros à feira – para os animais mais pequenos vinham os compradores a casa- não vendiam legumes, apenas milho e vinho e aguardente – os outros vegetais não vendiam era só para consume – tinham porcos – no inverno não se cultiva quase nada – semeia -se apenas o cebolo, alface, couves, favas, ervilhas – nas terras o que tem a maior para é erva – ervas que semeavam que tinham semente e se colhia a semente no verão -deixava-se crescer e depois dava semente – semeava-se em Agosto para dar depois às vacas – levava-se as vacas para os montes e cortava-se erva para elas comerem – na primavera não se lembra o que se cultiva – Março, Abril, cultiva-se batatas, milho, feijão, cebolas – quase todo o verão é assim – De Abril a Maio é que se semeia mais coisas -no Inverno é cuidar dos animais, ir buscar estrume para os animais cortirem para depois levar para as terras na primavera – trabalho no inverno é pouco – também se semeia azeitona – a vindima é no Outono – no inverno as mulheres iam ao estrume mais os marido de manhã – levavam o carro das vacas e traziam os carro para casa -descarregavam estrume, faziam o almoço, comiam e iam com os animais para o monte -cortavam erva para deitar aos animais – as ovelhas rapavam as ervas- as vacas eram presas e cortava-se a erva para se lhes deitar -traziam um molho de erva para casa para deitar aos animais também –

26:00[mãe][costureira][roupa]a mãe fiava durante a noite -semeava e fiava linho – fazia as tiras – não fazia costura, metia lá uma costureira de fora – havia uma senhora que era costureira e a mãe ia buscar a máquina à casa dela – a costureira estava todo o dia a fazer a roupa para todos – antigamente era a costureira que fazia quase sempre toda a roupa-

26:40 [terreno] [inseticidas] antigamente não havia fresas – os animais rapavam o terreno e estava quase sempre limpo – deitava -se o estrume no terreno, espalhava-se e lavrava-se com as vacas e o arado -não havia tratores só mais tarde- eram os animais que rapavam tudo – se houvesse uma coisa maior cortava-se com as gadalhas -os animais comiam tudo – deitava-se solfato nas videiras – havia um inseticida para o escravelho das batatas – não se deitava nada na caixa do milho – na batata não pegava nem borboleta por isso não se deitava nada – no feijão não se deitava nada – ultimamente é que se tem que usar muito inseticida –

27:48 [espantalhos] diz que espantalhos que há muitos – punham por causa das gaias para elas fugirem – iam para lá com um pau bater numa lata e eles espantavam-se – faziam eles os espantalhos com panos e palha de centeio por dentro – faziam o esqueleto e cobriam com pano – havia umas tramelas que se punha no pinheiro num pau -depois as tramelas faziam barulho para os pássaros fugirem – mas não dava prejuízo – não é como agora porque agora ninguém semeia

28:56 [presságios] [maias] nas sementeiras semava-se o milho, primeiro não se deitava adubo e mais tarde começou-se a usar – giestas punham no linho em Maio – os pais semeavam umas terras de linho e depois punham-lhe maias, que eram umas giestas amarelas -no milho não se punha nada, apenas os espantalhos e as tramelas para espantar os pássaros- chamavam a isso maias porque punha-se no dia 1 de Maio –

29:55 [Natal] [bailes] [desfolhadas] a véspera de Natal era a consoada e era festejada como se festeja hoje -não mudou nada pelo menos na casa dela – antes era na casa dos pais que festejava agora tem que ir para casa do irmão que vive no Outeiro – é praticamente igual a como era antes – come-se couves, bacalhau, filhoz, rabanadas – come-se sopa de trigo, é o que come quando lá vai e é como era antigamente -não se oferecia prendas – nem se falava em pai Natal – é uma tradição que inventaram, diz que não há pai natal nenhum, que foi Jesus que nasceu nesse dia – celebra-se o aniversário de uma criança que nasceu – o pai natal é uma pessoa de idade – Jesus não é assim, inventaram isso para as crianças, antigamente não havia nada disso – havia a missa do galo – lembra-se de ir à igreja – mas isso acabou os padres deixaram de fazer na capela -ainda fizeram na igreja de Sul e agora voltaram a fazer -conhece um padre que tem lá feito – a missa não havia em Adopisco apenas na igreja de Sul – a missa era à meia noite, a missa do galo – houve muito tempo que não se fazia nada – não comiam carne na véspera de Natal – a mãe dizia que quem comesse carne na véspera que era burro ou animal -era tradição não se comer carne – não havia musica – nem tinham rádio, começaram a ter mais tarde – havia muitos bailes mas não na véspera de Natal – durante o ano havia muitos bailes, era muita mais a alegria que é hoje – juntavam-se aos domingos, faziam bailes – havia as desfolhadas do milho e no fim havia bailes -gostavam de ir às desfolhadas para dançar – havia lá um homem que tocava concertina e elas iam todas contentes para dançar – havia muitos bailes com realejo – mais tarde faziam com gravadores – era mais divertido que hoje – hoje vê raparigas que passam o dia em casa na internet e não têm divertimento nenhum -só no verão é que há festas atualmente, mas antigamente havia muitos bailes – iam sempre a pé e corriam as festas todas – dançam e vinham a cantar das festas – as raparigas todas juntas com os rapazes a pé

33:40 [carnaval]no carnaval deitavam farinha de milho aos rapazes e eles a elas -faziam um baile no fim – vestiam se de carnaval – metiam uma coisa na cara e vestiam-se com roupas velhas -faziam tradições de antigamente

34:10 [Páscoa] Havia a missa na igreja, depois da missa o padre vinha às casas – punham uma mesa com uma toalha com pão de trigo doce, folares – punham pratinhos com coisas na mesa e enfeitavam a mesa – o padre trazia uma cruz e um balde com água benta – punham ovos em cima da mesa, mas era mais no tempo dos pais -os pais punham dois ovos por pessoa – mais tarde punham dinheiro em cima da mesa – o padre benzia a casa e beijavam todos a cruz – comiam carne no dia da Páscoa – antes da pascoa os pais guardavam as sextas feiras durante todo o ano -nas sextas feiras da quaresma não comiam carne – a mãe nem comia à quarta – não gostava de comer carne nem noutros dias mas à quarta e sexta da quaresma não comia mesmo -agora já come, sextas feiras é que não – guardavam muito respeito à religião – agora não é assim, comem carne até à sexta feira da quaresma – Maria não come – quarta feira de cinzas e sexta dia de jejum não comiam nada de manhã -ao meio dia comiam qualquer coisa – isto à quarta feira de cinza e sexta feira santa – havia mais respeito pela religião – era 100% respeito – diz que agora não há religião nenhuma que é um salve-se quem puder – antes a religião era mais pura – as pessoas antigamente eram mais puras que as de agora – as pessoas agora são mais vaidosas – Maria diz que também vai pela tradição – viu muitas pessoas que também vão e que diz não agradarem à religião – há muita falsidade – fala por si porque secalhar também é igual – as pessoas são muito maliciosas, acabou o amor e o respeito – antigamente as pessoas eram mais simples -as pessoas mais antigas ajudavam-se muito mais umas às outras no trabalho dos campos – agora cada um vive para si, não se importam, gozam a vida, não se importam se o outro está a passar mal – diz que se não têm trabalhassem, fossem para o estrangeiro e ganhar com as outras pessoas também foram – ninguém se importa de nada – as pessoas andam sempre na missa e dizem essas coisas – tiveram sorte por ter tido ideias de ganhar dinheiro – agora deitam à cara das pessoas que se não têm que tivessem ido também – diz que quem é pobre é pobre e quem é rico é rico – diz que quer é saúde e alegria, mais nada[/hide]