Face à necessidade de serem autossuficientes, as populações tinham de cultivar o que precisavam, quer em termos de alimentação, quer em relação ao vestuário. É neste contexto que que surge a importância do ciclo do linho e do saber artesanal e popular associados, que foram sempre muito significativos para a economia e a cultura da aldeia de Rompecilha, no município de São Pedro do Sul.
A primeira etapa deste ciclo surge com a sementeira. As sementes guardavam-se de uns anos para os outros, como acontecia com a generalidade dos cereais ou leguminosas, mas, antes de serem lançadas à terra, era preciso estrumar e preparar o terreno, para que tivessem força. Em termos de calendário, este processo é feito em abril, seguindo-se a monda, para tirar as ervas, e a primeira rega, em maio.
A planta estará pronta para ser colhida no fim de julho ou princípio de agosto, pelo calor, altura em que será maçada e tascada.
Noutros tempos, as famílias eram maiores, o que se traduzia em mais mãos para ajudar no trabalho do campo. Porém, quando os elementos do seio familiar não eram suficientes, sobressaía o espírito de entreajuda e os vizinhos juntavam-se para auxiliar.
As tradições – como a colocação de maias em volta dos terrenos para pedir prosperidade, no primeiro dia de maio – e o cancioneiro popular acompanham o ritmo do labor agrícola. Modas como “A Chita da Minha Blusa”, “Venho da ribeirinha”, “Rompecilha”, “Ó Rita arredonda a saia” e “Oh minha Rosinha”, além de atestarem o grande manancial patrimonial da aldeia, retratam também a vida rural, os afetos do campo e as relações interpessoais.
Com a divulgação deste documento, celebra-se este património imaterial e valoriza-se a memória coletiva das gentes de Rompecilha.