A origem da silvicultura em Portugal está ligada à construção naval, com destaque para a Mata de Leiria, e ganhou institucionalização no início do século XX com o primeiro curso de silvicultura na Escola Superior de Agronomia. Antes de 1974, a gestão florestal no continente estava organizada em seis circunscrições através dos Serviços Florestais. Na segunda metade dos anos 50, um plano de ordenamento florestal passou a ter forte componente social, científica e ambiental, com foco na recuperação de solos pobres.
O planeamento envolvia a classificação detalhada dos solos e a escolha de espécies conforme altitude e clima, dando prioridade ao pinheiro-bravo para recuperação de áreas difíceis, com intervenções de longo prazo como cortes culturais graduais. O Estado assumia uma função social marcante, criando acessos, gerando emprego local em larga escala, mantendo viveiros, promovendo educação ambiental e oferecendo apoio técnico-científico permanente.
Apesar disso, cerca de 97% da área florestal era privada, com os baldios representando apenas 3%. Esses baldios eram administrados pelos Serviços Florestais em colaboração com as populações locais, incluindo restrições temporárias ao pastoreio para proteger áreas jovens. O combate a incêndios baseava-se principalmente na prevenção, com postos de vigia, rádios, brigadas locais e ataques rápidos, o que impedia que os fogos atingissem grandes proporções nas áreas do Estado.
Após 1974, ocorreu o desmantelamento progressivo dos Serviços Florestais, a transferência do combate a incêndios para bombeiros voluntários, e a entrada de grandes empresas, especialmente do setor da pasta de papel, acompanhada pela expansão do eucalipto em locais nem sempre adequados. O eucalipto, com variantes e exigências específicas, apresenta ciclo curto e lucro rápido, mas sofre declínio de produtividade em cortes subsequentes e torna-se mais vulnerável ao fogo quando mal gerido.
Houve uma politização da gestão florestal, uma certa descredibilização do papel do Estado, decisões tomadas por não técnicos, propaganda sobre baldios, rivalidades locais, sobretudo por água, e uma “indústria dos fogos” que substitui a prevenção pelo combate. A importância da biodiversidade é destacada, com ênfase nas folhosas como o carvalho, recuperação de manchas florestais, apicultura, piscicultura, gestão de linhas de água e proteção de árvores notáveis. Defende-se uma política baseada em ciência, prevenção e gestão profissional.