Marta Martins fala sobre um fuso que pertenceu à sua avó, falecida há alguns anos, e que tem para si um forte valor simbólico. O objeto evoca memórias da avó e do tempo passado com ela, sendo um elemento associado às práticas antigas de fiar o linho e a lã. Antigamente, as mulheres utilizavam o fuso sentadas à lareira, sobretudo no inverno, para produzir materiais que depois davam origem a toalhas, lençóis e outros têxteis do uso doméstico.
Embora nunca tenha usado o fuso, Marta refere já ter trabalhado num tear. Atualmente, o objeto encontra-se pendurado no café da sua tia, onde permanece visível. Feito de madeira, possivelmente de cerejeira, o fuso representa um saber tradicional comum nas aldeias, onde quase todas as pessoas tinham um. Mais do que a memória da avó a utilizá-lo, Marta guarda sobretudo a lembrança da casa cheia de netos e da forma carinhosa como a avó cuidava de todos.