Esmeralda Matias mostra, com orgulho, um antigo frasco que terá cerca de quarenta e cinco anos. O recipiente remonta à sua meninice e foi oferecido, cheio de rebuçados, por altura do Natal, pelo proprietário da loja onde a mãe costumava fazer a despesa, em Alcácer do Sal.

Dada a sua tenra idade – tinha sete ou oito anos e era a benjamim da família -, conta que nunca tinha visto algo semelhante. Por isso, era comum ser apanhada a olhar com encanto para o frasco que ficava guardado em cima de um armário e do qual estava autorizada a tirar apenas uma guloseima por dia.

Recentemente, quando estava a limpar a casa da mãe, após o seu falecimento, reencontrou o frasco, que evocou as bonitas recordações, e deu-lhe nova função, transformando-o num vaso de flores.