A aldeia de Covas do Monte encerra uma particularidade face às restantes aldeias próximas do monte de São Macário (município de São Pedro do Sul): tem ainda na pastorícia de gado caprino a sua principal fonte de rendimento. Largas centenas de cabras sobem, diariamente, as várias encostas e, para as guardar, os habitantes organizam “parceiradas”, em que se revezam, de forma comunitária, na guarda ou “vigia” do gado. Os pegureiros (pastores) seguem, diariamente, os passos ancestrais da pastorícia comunitária encosta acima, acompanhando a “cabeça do gado” rumo a um dos vários caminhos que sobem até diferentes pontos da serra, nomeados por gente antiga esquecida nas brumas da memória: caminho da Ribeira, caminho de “Pialém”, caminho de Lageais, caminho dos Seixos, caminho do Chão do Ribeiro, caminho do Carreiró, caminho do Feitão e caminho de Tor de Infesta.

A saída matinal para o monte das cabras da aldeia de Covas do Monte constitui um espetáculo admirável, com os habitantes a abrirem as “cortes” ou “currais” por debaixo das casas e os animais a juntarem-se gradualmente, até que o pastor ou pastora os dirige, com chamamentos e assobios, para o caminho escolhido, em cada dia, em direção ao monte, também ele comunitário (designado de baldio). Os pequenos cabritos são dirigidos, posteriormente, para um campo mais próximo da aldeia, aprendendo, assim, gradualmente, a rotina do pastoreio.

Gravado por Luís Costa no dia 9 de maio de 2009 com um gravador digital Fostex FR-2LE e um microfone Audio-Technica AT-822.