Em Várzea de Calde, Portugal, a carqueja é uma ferramenta de sobrevivência: vassoura, cama do gado, chá para todos os males. Em Ginestar, na Catalunha, a giesta — irmã botânica da carqueja — é flor nacional, símbolo de resistência e de identidade coletiva. Carqueja e Giesta segue estas duas plantas de flor amarela através de dois territórios rurais distantes, revelando como o mesmo amarelo que cobre as duas paisagens na primavera pode significar, ao mesmo tempo, um gesto anónimo do quotidiano e um ato de afirmação nacional. Entre o labor invisível e a memória coletiva, o ensaio pergunta como a natureza se torna linguagem — e como a mesma cor pode unir e separar dois povos.
Ficha técnica:
Título: Carqueja e giesta
Ano de produção: 2026
Duração: 12m 25s
Coprodução: Binaural Nodar (Viseu Dão Lafões, Portugal) e Sincròniques (Catalunha)
Realização: Luís Gomes da Costa
Registos sonoros e audiovisuais: Luís Gomes da Costa, Liliana Silva, Ana Margarida Ferreira
Composição sonora: Luís Gomes da Costa
Edição e pós-produção: Luís Gomes da Costa
Vozes: Luís Gomes da Costa, Laia Puig Olives e Dídac Mesa
Cofinanciamento: União Europeia (Projeto Europa Criativa, Rede Tramontana) e República Portuguesa | Direção-Geral das Artes
Apoios locais: Junta de Freguesia de Calde e Município de Viseu
Apoios académicos: Centro de investigação ID+ (Universidade de Aveiro) e LiDA (ESAD Caldas da Rainha).
Bio-filmografia:
Luís Gomes da Costa é licenciado em Economia (1991) e doutorando em Criação Artística na Universidade de Aveiro desde 2023. Desde 2004 desenvolve atividade como curador, artista sonoro e media e educador cultural em contextos rurais, sendo presidente da Binaural Nodar – Associação Cultural e coordenador do Lafões Cult Lab (mais de 200 artistas e investigadores acolhidos, de 25 países) e do Arquivo Digital Binaural Nodar, com mais de 2.000 documentos sonoros e audiovisuais, integrado na rede europeia Tramontana — distinguida em 2020 com o Prix Europa Nostra na categoria de investigação.
A sua produção audiovisual atravessa duas décadas de criação sonora e media em territórios rurais, da qual se destacam os projetos participativos “Aldeias Sonoras” (2007-2010), “Memória Sonora da Cortiça” (2014-2015) e “Pontes Perenes sobre Águas Temporárias” (2018-2019), bem como “Água Doce, Água Salgada” (2024), que colocou em diálogo audiovisual as culturas da água do rio Paiva (Portugal), do rio Yaguarón (Uruguai) e da ilha de Salina (Itália). É neste percurso que se inscreve a sua investigação de doutoramento “Arte Rural Dialógica”, que tem como dispositivo central a criação de nove ensaios audiovisuais dual site-specific — entre os quais “Dois Montes Irmãos”, “O Terceiro Rio”, “Carqueja e Giesta” e “Tessitura” —, cada um articulando dois lugares rurais distantes do Sul da Europa através de uma montagem que opera como “forma que pensa”.
É autor/editor de doze livros dedicados à criação sonora e media em contexto rural, à etnografia rural e à etnomusicologia, com destaque para “Três Anos em Nodar” (2011), “Tales of Sonic Displacement” (2016) e “Memoria Tramontana” (2019), e é orador regular em conferências internacionais sobre práticas artísticas em contexto rural, desenvolvimento rural e a relação entre arte e antropologia.