Inquérito Etnográfico de Comércio por grosso de Peles e Couro em Oliveira de Baixo, Bodiosa a 25 de Março de 2015
Inquérito e Transcrição de Susana Rocha
Registo e Edição Audiovisual de Nely Ferreira
Nesta entrevista é explicado todo o processo das peles e couro desde a entrada na fábrica.
00:47 [Carrinha de transporte das peles] É sim, (as carrinhas) estão qualificadas através da veterinária, que as inspeciona de ano a ano, passa o certificado em como foram, estão legalmente próprias para transportar as peles, onde tem que ter aquela placa onde diz ͚Produtos não destinados ao consumo humano͛, que é para saberem que são produtos que não são de consumo, e essas coisas.
01:17 [Condicionamento das peles na carrinha] Ela (a carrinha) poder trazer muitas (peles) pode, não pode é consoante o peso, porque uma pele de borrego ainda pesa, depois há agricultores que já a salgam, pra elas ficarem condicionadas, não se estragarem, porque se não forem ou secas ou salgadas, a pele acaba por se estragar e, por exemplo, o agricultor quando tira uma pele ao animal não vai logo levá-la ao vendedor, conserva-a em casa e, prontos, tem que…Mas traz umas quinhentas (peles, a carrinha), talvez, não sei ao certo, nunca as contei ao certo.
01:52[Tratamento das peles no armazém] (Peles de) ovelhas, borregos, cabritos, cabras, e às vezes de vitela. Não, não (podem estar muito tempo na carrinha), chega-se ao armazém, tem que se logo tratar delas, fazer a, tirá-las da carrinha e a gente separa-as, borregos para um lado, ovelhas para o outro, cabritos para outro, que temos um comprador para as ovelhas, temos outro para os cabritos, para os borregos, e a gente aqui separa-as logo para depois saber, termos logo o produto à mão quando chega o comprador. É, separá-las, salgá-las se não tiverem sal que chegue, se vier alguma seca acabar de a secar, elas têm que estar bem secas para não se estragarem, e de verão temos que lhe pôr um produto para, naftalina, por causa da traça, não se estragarem.
02:56 [Separar] Isto é uma ovelha.
03:06 Isto é uma pele de borrego, posta à parte, separada das ovelhas. Depois temos os cabritos. É as que têm a pele, têm o pelo, os borregos têm lã.
03:32 Ele está a separá-las, que é para depois ir para a mesa salgar.
03:38 [Salgar] Agora está na parte a salgar. Para ser mais fácil o trabalho, a gente tem uma mesa alta onde estica a pele na mesa e salga-a, levando o sal a todas as pontas, que é para a pele ficar bem condicionada, para não se estragar, porque é uma matéria que apodrece. Vai-se fazendo assim, uma a uma. É, estica-se, mete-se o sal e esfrega-se. Dobra-se, onde depois vamos pô-las na palete, até termos uma boa quantidade, para depois vir cá o comprador buscá-las.
04:22 [Destino das peles: fábricas de curtume, produtos finais]E vão para a Espanha, ou vão, ou vão para Alcanena, para as fábricas do curtume. Muita gente não sabe, mas a pele dá para fazer muitas coisas, como cintos, carteiras de senhora, solas de sapato, línguas dos sapatos, essas coisas todas.
04:52 (O Júlio agora está a salgar peles) de cabrito.
05:07 Sim, há quem goste de pôr, fazer tipo um tapete, ou em cima dos sofás, ou no hall de entrada, ou…depende dos gostos. Mas o principal é para ir para calçado, malas.
08:53[Empilhar as peles na palete] É. A pilha lá da ponta são cabritos. Assim quando chega o comprador, a gente temos ali aquele monte separado de cabritos.
09:34 Aqui são as peles de borrego. É, sim, sim (vão para uma pilha diferente).
11:21 [Estender e voltar a empilhar] É, sim, porque elas ainda não estão completamente secas e então a gente põe-nas nas cordas para elas acabarem de secar. No fim de secas, vão para as pilhas. Cada qual para seu lado, cabritos para um lado, borregos para o outro, cabras para o outro, ovelhas para outro.[/hide]