“Sequeiros terra tão linda

Tem Sete Fontes ao pé

À sede não morreu ainda

Nem morre por ser quem é.

No alto tem um santinho

Tantos milagres tem feito

Vive na serra sozinho

Porque vive satisfeito.

É só no mês de julho

Já próximo ao final

Peregrinos em barulho

Fazem visita anual. (2x)”

 

A melodia é entoada por Donzília Cipriano e remete para o património e a história de Sequeiros, no concelho de São Pedro do Sul, onde nasceu em 1958.

Entre as partilhas que faz está a vida de São Macário, que ouviu “contar às pessoas antigas” da aldeia. Reza a lenda que o santo vivia com os pais e, ao mandar ler a sua sina, ficou a saber que haveria de matar o pai. Para fugir a esse destino, foi para longe, casou e começou uma nova vida. Os pais, com saudades, acabaram por encontrá-lo. Certo dia, chegaram para o visitar e cansados, decidiram deitar-se para recuperar.

São Macário, que regressava a casa com o rebanho, terá sido tentado pelo diabo, que lhe disse que a sua esposa estava na cama com um amante. Automaticamente, cego de ciúmes, guardou o gado e dirigiu-se ao quarto, onde matou o pai. Quando, à porta, viu a esposa chegar com um cântaro de água à cabeça, disse-lhe, contente: “Temos visitas. Os teus pais vieram visitar-nos”.

O santo percebeu, então, que se tinha cumprido a sua sina. Depois de ter pedido perdão, refugiou-se, como penitência, no monte que hoje tem o seu nome.

Donzília Cipriano conta que começou, então, a ser conhecido pelos seus milagres, com as pessoas a chegarem de longe para cumprirem promessas e pedirem a cura de males da cabeça, da qual é padroeiro, e de outras doenças. “Se tivermos fé, vai acudir às preces que lhe são dirigidas”, garante, explicando que a romaria a São Macário é antiga e se realiza no último domingo de julho.