Enquanto vão limpando o trilho que a água percorre até à aldeia, Maria José e Donzília Cipriano falam sobre a partilha de águas de rega entre as aldeias de Sequeiros e de Sete Fontes, ambas no concelho de São Pedro do Sul.
No chamado “sol às pedras”, o direito de rega começa a 1 de abril e prolonga-se até ao fim de outubro. Nesse período, a comunidade vai buscar o precioso líquido à primeira nascente e encaminham-no diretamente às poças, onde fica disponível para regrar os campos de cultivo. De forma alternada, os habitantes das duas aldeias revezam-se a cada oito dias.
A exceção acontece no fim-de-semana de São Macário, em que o direito pertence a Sete Fontes no ano ímpar e a Sequeiros no ano par.
A necessidade de água é proporcional ao tamanho dos terrenos, sendo o cultivo do milho o mais exigente, sobretudo no mês de junho, por altura do São João, podendo ser antes nos anos mais secos ou em setembro quando o seu desenvolvimento está mais atrasado.
Já a batata requer este cuidado em maio; e para o fim das colheitas ficam o nabal, a couve-troncha e as ervas do campo que vão dar o feno com que se alimentam os animais no inverno.
Atualmente, o número de famílias que ainda recorre à partilha de água é bem mais reduzido, mas este continua a ser visto como “um saber que deve passar gerações”.