[hide for=”!logged”] 00:08 [capela] [família de Orlanda] esta é uma capela centenária- uma capela que tem muitos anos, cerca de 300 ou mais, é centenária mesmo – era já dos seus avós ou mesmo dos pais deles mas não sabe- tinha um tio em terceiro ou quarto grau que era padre, chamava-se Padre António José de Almeida e era muito falado na zona – quando os avós de Orlanda fizeram as partilhas a capela ficou para um tia de Orlanda- quando a tia de Orlanda fez as partilhas a capela ficou para um primo de Orlanda que mora em Viseu – o primo restaurou a capela por dentro e ficou bonita, não tinha ainda as imagens nessa altura- depois restaurou-a por fora e desentendeu-se com as pessoas que andavam por lá, isto segundo consta a Orlanda por ainda não lá estava nessa altura mas estava a mãe – o primo depois tirou as imagens e diz que as tem com ele na sua casa em Viseu – é uma capela muito antiga e Orlanda lamenta a capela não conter as imagens porque era onde a mãe fazia as orações no seu tempo tendo morrido com 92 anos. Orlanda ainda chegou a rezar o terço com a mãe que ia lá pôr as florinhas dela -tinha isto como imagem de…  o primo entendeu por motivos que Orlanda desconhece que a capela tinha que fechar – Orlanda não tem a chave para abrir a porta e por dentro desconhece como possa estar mas por fora está como se vê

02:02 [interior da capela][sineta] a parte interior da capela foi feita há 40 anos ou mais – foi um senhor espanhol que a foi restaurar, restaurou o teto e as imagens e ficou muito bonita por dentro naquela altura, diz que ficou espetacular – por fora Orlanda já lá não estava na altura quando foi restaurada por fora – estava um pouco arruinada porque estava no meio de casas que foram a baixo – fico um pouco arruinada e então o primo mandou restaurá-la por fora, e como ficou assim está – diz que agora tem muitas ervas por cima e que isso ainda mete mais graça – a cruz foi sempre aquela mas a sineta nem sempre foi aquela – a sineta era uma muito antiga que estava numa varanda da casa antiga que depois foi abaixo-então o primo que depois adaptou a sineta atual -não que lá estivesse, não que se lembrasse, mas a mãe dizia-lhe que tinha sido o primo a pôr a sineta atual na capela – a sineta grande a mãe dizia-lhe que achava que os tios a tinham levado para Pusmil que era de onde era o tio e onde a tia tinha casado, a mãe do dono da capela – A tia era de Leirados mas casara em Posmil – a mãe dizia-lhe que os tios tinham levado a sineta grande para Posmil, mas a sineta anteriormente não estava na capela, estava na varanda de uma casa que nem era deles, era de um outro tio, de outro,  mas como pertencia tudo aos avós de Orlanda, a capela ficou para uns e a sineta ficou na casa dos outros – a casa era a mesma com várias entradas- era tudo uma mistura, entrava-se por um lado e saia-se por outro, era tudo a mesma casa

04:12 [sineta] quando a sineta estava na casa antiga qualquer pessoa lá entrava porque nada era nada fechado à chave porque eram casa antiga  – a sineta da capela qualquer pessoa a tocava – Orlanda tem uns primos em Sul que quando iam a Leirados às laranjas e quando andavam pelas terras a baixo diziam que lá estava o falecido, que já faleceu, lá estava António Cavado a tocar a sineta, na brincadeira- as pessoas tocavam a sineta por brincadeira, já a mãe de Orlanda que já faleceu lhe dizia isso – A mãe de Orlanda era conhecida por Ti Maria porque sempre foi adorada, hoje em dia é Orlanda que é adorada – diz que há na terra muitos herdeiros mas que quem construir casa e ficou na terra foi Orlanda

05:22[sineta grande] [festa] não sabe se a sineta grande era tocada nas festas porque nunca lá passou nenhuma festa – a primeira festa que lá fizeram na terra já foi há muitos anos e nessa altura lembra-se que já lá estava a sineta actual, já não estava a sineta grande – nessa altura as casas já tinham ido todas a baixo – não sabe para onde foi levada em Posmil – refere que havia também um missal grande, lembra-se do missal, que também desapareceu – havia uma pedra no altar, não sabe o nome,  que também desapareceu – a mãe mais tarde ia lá e punha uma toalha antiga e umas flores, enquanto lá estiveram as imagens e antes do primo as levar  – Orlanda esteve fora 40 anos

06:24 [imagens] [capela] [festa] [missa]as imagens eram de São João, Nª Sra do Rosário e mais algumas imagens que Orlanda não sabe o nome delas – não havia bancos, só chão – quando vinham à capela traziam um banco de casa, a mãe de Orlanda quando ia à capela rezava sempre de joelhos – diz que não se lembra de missas na capela pelo menos no seu tempo e Orlanda tem 62 anos – só se lembra de fazerem a festa de São João apenas um ano enquanto a Capela do Povo estava em obras, que é a Capela que está no cimo da povoação, que é a do povo  – A primeira festa que fizeram na terra foi há 20 ou 30 anos, a festa era pelas escadas fora – missas que celebrassem Orlanda não se lembra –

07:32 [sineta atual] a sineta atual nunca foi tocada só por brincadeira – foi posta no sítio onde está por graça ou para estar ali – os herdeiros tocavam por brincadeira, puseram-lhe um arame que agora não tem – por vezes os pais andavam pelas terras e diziam que lá devia andar alguém pelos laranjais – a sineta atual tem cerca de 30 anos mas Orlanda não consegue dar uma data concreta porque não esteve na terra muitos anos

08:27 [capela de São João ] [Festa São João] a capela não bate horas nenhumas – tem uma sineta para tocar quando há missa  – aqui há missa uma vez por mês, de amanhã a oito dias há missa- há uma vez por mês missa- quando o padre chega toca-se o sino para a povoação saber que tem que ir para a capela – fazem ali a festa de São João que é a 24 de Junho – dia 24 de Junho fazemos a festa de São João

09:14 [igreja de Sul] o sino que toda a população ouve é a de Sul, da igreja, o sino toca as horas e é a igreja matriz, ao pé do cemitério -ali é que toca as horas e a gente escuta –  a gente anda  nas terras e escutam o sino a bater horas e contam as horas – gosta do sino de Sul mas que o sino é eletrónico, é elétrico, foi posto por um padre que lá esteve, quando morre alguém o sino dá sinais que mal se ouvem – antigamente quando o sino não era eletrónico e era puxado por pessoas o sino tinha outro toque e ouvia-se em Leirados e ouve-se- o elétrico também se ouve – antigamente quando era puxado o som era mais forte – diz que a população começa a ficar mais envelhecida e depois não há quem puxe o sino – quando morre uma pessoa tem que se fazer sinais, o cangalheiro  tem que ir dizer ao padre, não é o cangalheiro que tem que lá ir puxar o sino e  fazer sinais e por isso é bom o sino ser elétrico, a gente ouve –  quando é uma mulher que morre toca duas vezes e quando é homem toca três – a gente escuta o sino lá em cima muito bem – há um ditado antigo acerca do tempo que quando está mau não se ouve o sino tão bem como se ouve quando o tempo está em cima – quando o vento está baixo o som vem mais acima

11:30[capela] [altar ]da minha capelinha é o que sei, tenho muito pena que  não esteja a funcionar – o altar estava lá, antes de Orlanda emigrar o altar estava lá agora não sabe porque há uns bons pares de anos que não entra dentro da capela – a mãe de Orlanda já morreu há 14 anos – quando a capela fechou ainda a mãe era viva – a casa de Orlanda está feita há 20 anos e Orlanda acha que há esse tempo todo que nunca mais lá entrou – depois da casa de Orlanda, Orlanda foi tomar conta dos pais mas nunca mais entrou dentro da capela – não tem nada, a capela tem o chão, Orlanda não sabe se chove ou não lá dentro – havia uma janela com dois ferros que agora está toda tapada com a hera, é uma janelinha com uns ferrinhos, não tem mais nada-

12:55 [Curral da Burra] [Portas] [Confessionário] à parte de baixo chamavam Curral da Burra mas Orlanda não sabe como a burra entraria – foram palavras que Orlanda ouvia dos antigos – aqui há outra porta, como havia ai outra casa a gente entrava por ali, esta porta a gente quase nunca entrava, só quando havia alguma coisa e a gente abria as portas, quando era miudita- a mãe abria essa porta antigamente para entrar ar quando Orlanda era miúda – entrava-se na capela por outras casas e por ainda outra porta – refere que uma das portas era muito gira antigamente, que era lá o confessionário que por cima tinha uma porta em baixo e por cima uma rede – quando se vai a uma igreja quem se quiser confessar há um confessionário onde a pessoa se ajoelha e está tapado, o padre só vê as pessoas pela parte de cima- essa porta de que fala servia para isso, quem se quisesse confessar ficava do lado da casa e na capela, do outro lado, ficava o padre – quem lhe explicava isso era a mãe: a porta era como estava ali, tinha duas partes, a de baixo que era tapada e a de cima que tinha uma rede onde a pessoa se ajoelhava – Orlanda não chegou a usar esse confessionário mas a sua mãe talvez porque morreu com 92 anos e esse confessionário era do tempo dos pais ou avós dela – a capela é muito centenária – em baixo era o sítio do cachorro, durante as obras – nunca lá houve nada, nunca nunca se lá viu nada- há um terreno como sempre houve, casas e portas – o curral da burra, como sempre ouviu chamar sempre ali houve – não sabe se era brincadeira ou não – isto não era assim, era caminho, de carros de vacas, depois é que fizeram estrada  – isto era uma porta mas estas escadas sempre existiram, e havia uma casa grande, era tudo casa – diz que ao contar as coisas agora que nem conta as coisas muito bem – as fotografias eram espetaculares na altura – diz que não ficou com fotografia e que tem apenas a sua memória e que tem memória da capela e das casas ali ao pé – as casas tinham umas escadas grandes, tudo em pedra, era tudo assim, saímos naquelas e subíamos nesta – a capela ficava metida no meio da casa, havia um carreirinho que não tinha casa para a agua passar para regar os laranjeiros -de resto,  a capelinha ficava entre o que antigamente eram casas -aqui à frente era tudo era terreno e casas- depois foi tudo abaixo, levaram as pedras não sei para onde e ficou só terreno –

17:35 [sino antigo] [Orlanda] o sino era grande, a parte de madeira que fica por cima era grande também – a sineta de baixo era mesmo grande e bonita de ferro  mas dava impressão que tinha rebordos- lembra-se, foi fazer 14 anos a Lisboa mas até essa idade esteve na terra – diz que uma pessoa com 14 anos já é espigada – foi para Lisboa, aos 18 anos regressou e ficou dois anos na terra mas já não existia nada – quando o marido veio foi-se embora e quando regressou ja não havia nada – não se lembra de tocar o sino, só por brincadeira – quando era miúda vinham outras miúdas brincar com Orlanda e brincavam a tocar o sino – pegava na maçaneta e batia com ela no ferro – não sabe quem construiu a sineta mas como a capela seria centenária também – teria já muitos muitos anos, séculos, mas que séculos![/hide]