[hide for=”!logged”] 00:10 [apresentação] [escola] [infância] Custódio Almeida – nascido a … tenho que parar o meu cérebro, que ainda está ali…nasci a 3 de Abril de 1973 em São Cristóvão de Lafões, ou melhor, Gralheira de São Cristovão de Lafões – residiu lá até aos 5 anos e até aos 12 anos foi criado num colégio interno, convento de freiras em Santa Cruz da Trapa – num orfanato gerido por freiras até aos 12 anos- detestava o ambiente, era muito preso para mim- transportou um grande trauma para lá, ele e outras crianças, sentia-se muito preso- havia obrigações para tudo, psara ver televisão- para rezar o terço e ir à missa – tornava-se num ritual… o dia-a-dia eramonótono – diz que era como chegar a casa e comer todos os dias a mesma coisa, tornou-se um vazio- preferia a casa dos pais apesar do clima ser pesado, havia liberdad, podia-se correr e saltare – chegou a correr muitas vezes a saltar pedras no rio – a correr pelas terras e campos do milho por vezes a estragar o milho, – corria pelo milho de mãos abertas para partir e estragar o milho – diz que era essa a liberdade que o fazia feliz a ele e a outras crianças

03:20 [pais][irmãos] o pai era Joaquim de Almeida e a mãe Helena Fernandes Martins – desconhece a data de nascimento dos pais – eram nove irmãos e de momento são oito, um falecido –  diz que cada irmã tomou o seu rumo na vida – Custodio é dos mais novos dos rapazes -diz que talvez por ter seguido o caminho que seguiu de reaproveitar as ideoas e por estar presente a ver o pai fazer os degraus das escadas e serrar as varas das camas o tenha cativado a seguir o caminho que seguiu de criar e estar envolido com coisas novas – o pai não era propriamente carpinteiro, era agricultor e fazia escadas de madeira e bancos – gostava de o viver e aprender coisas por ele – a mãe era agricultora, cozinhava e limpava a cas, fazia o trabalho da lavoura – trabalhavam nos campos da zona da Gralheira, pagavam uma renda – há anos atrás as pessoas trabalhavam nas terras mas tinham que pagar ao dono nem que fosse em produto que produzissem  -produziam milho, centeio, feijão, e há certas terras que os pais fizeram cujos altos eram do proprietário e os baixo eram de quem produzia as terras, por exemplo a castanha, a azeitona, e o vinho era do proprietário, era o melhor, aquele estava garantido, porque era o melhor e o feijão e o milho era do agricultor –

06:42 [casa onde nasceu]a casa era pobre, ainda hoje, com algumas melhorais ao longo dos anos – adiantando-me um pouco no assunto a casa não tinha portas – não havia teto, era a própria telha- custa lhe falar disso mas às vezes tem que ser- era uma casa pobre e existia só uma parede estreita com 15 cm de espessura com janelas de ferro, frias, na altura recorda-se das paredes denegridas pelo cimento, pelo tempo – de janelas azuis  – apenas o quarto do pai tinha forro no teto- o resto dos quartos não tinha portas – a porta do quarto do pai era uma cortina – saia-se do quarto entrava-se na sala com uma mesa ao centro , só uma mesa e cadeiras, nada mais- havia uma cama em cada quarto que era partilhada por 3 ou 4 – recorda-se da roupa que era pousada em cima de um fio, a vida era assim

09:57 [campos] [animais] eram afastados da casa, a cerca de um quilometro – tinham animais – o pai chegou a ter não muitas mas algumas cabras -mais novo recorda-se de ter só cabras, mais tarde tinha vacas e producao de leite  -só tinha uma vaca não tinha possibilidades para mais – não havia trator – o pai tinha uma motorizada e atrelava-lhe um carroço – quando precisava transportar coisas tinha que recorrer a pessoas amigas para fazer transporte das coisas- a vida não dava para ter trator ou carros de vacas que na altura custava muito dinheiro – hoje vende-se baratos na altura era preciso dinheiro para o mandar fazer –

11:36 [trabalho do pai] fazia escadas de madeira, era o forte dele, nas horas vagas, era um part-time, trabalhava na agricultura e tinha esse part-time – trabalhava nas obras, fazia muros, costava feno ao dia para fora para outras pessoas – por esta alura – agora não se usa muito mas antes cortava-se o feno e iam 3 ou 4 pessoas atrás, ficava os campos cheios de bonequinhas – hoje corta-se o feno com a máquina – vê se no meio de campos cubos, antes via-se bonequinhas –  há dias à vinda de Viseu para baixo, não tinha a máquina fotográfica – diz que queria ter tirado umas fotos recentemente a essas paisagens – estava fantástico

13:05 [irmãos] quando nasceu já tinha irmãos adultos – o irmãos mais velho é 15 anos ou mais mais velho que Custodio, ou talvez mais, 56, 57 talvez – recorda-se de alguns irmãos mais velhos que acabaram por sair de casa novos, talvez 17, 18 anos,  derivado à violência domestica que prevaleceu por alguns anos – os irmãos que lá viviam em casa tinham que trabalhar – o sistema era diferente, hoje à hora de almoço toda a gente se sente à mesa e ninguém procura o dinheiro para comprar as coisas – antes se não se trabalhasse não se comia senão não havia prato- após o pai ter falecido…aos 12 anos acabou por ir para casa- o colégio fechou e umas crianças foram adotadas e outras regressaram a casa dos pais -após estar em casa dos pais  o pai faleceu após um ano, tinha 13 anos.

15:15[colégio] [pai]  o colégio era em Santa Cruz da Trapa, o colégio fica em frente ao posto médico – essa casa foi feita e doada a crianças pobres – hoje há lá crianças ricas e pessoas ricas- não era o caso da dificuldade, em casa dos pais não se recorda enquanto os pais eram vivos ter passado fome ou coisa do género- só passou depois de o pai ter falecido – recorda-se há 30 anos atrás haver na loja uma saca de 50 kl de arroz, pacotes de arroz, sacas verdes com dois ou três gatos – nunca se esqueceu dessa imagem – quando o pai faleceu a vida passou a ser diferente deixou de haver medo em si – não havia água em casa na altura, era passada de uma fonte a 200 metros talvez, era passado com canteiros de água azuis- uns já não tinham o fundo de origem que se acabavam por romper, era o pai que fazia os fundos em madeira – tinha que se aproveitar as coisas dessa forma – o passar da água era uma forma de libertação do espaço ondehavia uma grande pressão – recorda-se ele mais os irmãos passarem muita água – chegavam a passar 7 vezes a água – enquanto a existência do pai permanecia no espaço

18:59 [invernos] [violência doméstica] os invernos eram difíceis – recorda-se de a mãe fugir muitas vezes de casa por causa da violência doméstica – o que levava com ela eram os filhos mais novos, mais frágeis – os que menos se conseguiam proteger a eles próprios-  os mais adultos já se tentavam defender – alguns deles seguiram o seu caminho desde novos de se ausentarem da casa dos pais- recorda-se de fugir com a mãe para casa de pessoas amigas ou ficavam nas terras do milho embrulhados num cobertor e passavam ali a noite, durante a noite até ao outro dia ou até as coisas melhorarem – aquilo já era uma rotina -havia vezes durante a semana que sentiam medo só de ouvir a motorizada a chegar – fala do tempo em que viveu em casa dos pais ou nas idas a casa dos pais durante as férias  – fala desse último ano que estava com eles – não fala nos outros anos já passados que prevaleceu num colégio – houve alturas e há memórias de que se recorda que apesar de não as arrastar tem necessidade de regresssar ao passado, não que este lhe diga algo ou que vá viver sempre no passado,  mas acha que regressar ao passado  é ir buscar novas ideias e aprendizagens e dá-lhe força para continuar a caminhada .

22:28 [escola]no colégio existia uma escola para os miúdos que lá estavam internados, neste caso que viviam no colégio – havia uma grande dificuldade ao nível de ensino – havia uma professora que ia dar aulas até à 4ª classe – as crianças tinham muitos problemas ao nível psicológico -hoje já as coisas são diferentes, ainda bem-  andou lá até à 4ª classe e a escola depois fechou – passou a ir para a escola normal qee todas as crianças frequentavam – reprovou e não passou da 4ªclasse na altura tal como outras crianças que lá andavam não passaram da 4 classe- mais tarde agarrou-se de outra forma para ir adiante nos estudos – tirou o segundo ano e mais tarde tirou o 9º ano – já lhe custou mais por causa da idade mas tinha força de vontade – tirou o 9º ano em Viseu e o 12º também em Viseu, já em adulto nas novas oportunidades – tentou aprender mais – teve a 4ªclasse até aos 18 anos – mais tarde chegou ao 12º ano

25:33 [criatividade] na escola, não no colégio, apercebeu-se da criatividade que tinha – frequentou a escola normal como todas as crianças frequentavam e foi aí que percebeu- talvez fosse a forma de se libertar de uma pressão – recorda-se que gosta muito de desenhar – ainda hoje encontra antigos colegas da escola que lhe dizem isso, que tinha muito jeito para o desenho – acho que nessa altura desenhava melhor que agora – ninguém lhe ensinou nada – quando foi para casa dos pais também desenhava algo, pouca coisa – mais tarde a chegar aos 17, 18 anos também desenhava um pouco, desenhos básicos – recorda-se de quando a mãe lhe limpava o quarto lhe deitava tudo fora e Custodio ficava chateado e discutia com ela – ela dizia que ele tinha muito papel – hoje não tem memória hoje desses desenhos nem da escola, ainda procurou esses registos- foi iniformado que os desenhos passado anos eram destruídos e Custodio acha mal – achava melhor terem lhe sido devolvidos os desenhos

28:20 [comunidade] [trabalho] dá-se bem com amigos e colegas de trabalho – dá-se bem com toda a gente – começou a sair muito cedo, quando o pai faleceu começou a sair, para as festas – recorda-se de sair para festas aos 14 anos – o que ganhava ao dia gastava tudo e à segunda já não tinha um tostão – andava o dia fora nos agricultores a ganhar 200 escudos por dia e comer claro- trabalhava de sol a sol -por vezes olhava e o sol ainda estava alto, ainda faltava muito e ele cheio de fome – chego a juntar madeira no pinhal – já havia horários, já se ganhava mais e havia horários – trabalhava para privados – depois trabalhou nas obras e em vários sítios – era uma forma de aprender e de se libertar – queria ser livre e sentir a liberdade – nunca se quis sentir preso a nível de trabalho – gosta de conviver com pessoas e da farra, sair e pular e o carago-

31:00 [casamento]a pessoa que chegou a ser sua meulher conheceu a nos bailes e festas – corria as aldeias – tinha um território demarcado – fazia o concelho de São Pedro e o conselho de Vouzela, Oliveira dos Frades – corria as aldeias todas nas alturas das festas – não tinha transporte ia à boleia dos outros – conheceu-a em Sul numa festa, foi a uma festa em Sul e conheceu lá a mulher que veio ser minha mulher – nunca foi muito praticante mas o casamento foi na igreja – talvez por ser criado no colégio, pela pressão que teve no colégio, a ir ao terço e à missa, aquilo tornou-se uma pressão muito grande – hoje é uma pessoa que não liga muito a religião mas respeita a ideia de cada um -gosta de se sentir livre na sua consciência e não sentir pressões – casou em São Pedro, no covento, para facilitar o percurso de uns e outros – tinha 20 anos, casou muito cedo- acha que foi uma forma de encontrar mais carinho e amizade – foi viver para Santa Cruz numa casa muito pequenina, tinha quarto coxzinha e casa de banho muito pequenina- teve nessa casinha 7 meses depois comprou o terrenos onde é hoje a sua casa- o filho nasceu dois anos e pouco depois do casamento- ainda trabalhava ao dia nessa altura – era uma fase de muito trabalho , procurava-se trabalho e havia trabalho – os patrões falavam com ele para ir trabalhar e Custódio aproveitava tudo.

35:35 [obra]não se recorda qual foi a primeira obra – ao fim destes anos todos  tornou se uma bola de neve e envolveu-se no rebolar da bola – há anos atrás dedicava-se a 100 por cento tal como hoje – é o que faz todos os dias, é o caminho que toma ao fazer uma peça – teve necessidade de aprender mais e desenvolver outras formas- a vida foi-lhe proporcionando de forma a que pudesse desenvolver o trabalho a 90 ou 100 por cento se não não poderia fazê-lo-  tem consciência que de hoje para amanhã pode ter que recorrer a outro tipo de trabalho para poder sobreviver mas ao fim de todos este anos de batalha está preparado para isso e não vai entrar em parafuso se isso tiver que acontecer

37:47 [porque é que iniciou?] [peça] o fato de iniciar ainda novo, já desenvolve o seu trabalho há 22 anos, o que fez fixar e dedicar-se ao trabalho prende-se com o fato da parte criativa da decoração e fabrico das peças – foi assim que as coisas ganharam forma- hoje as peças fazem parte do interior e exterior da sua casa – não é fácil seguir esta caminhada sozinho sem apoio – diz que é dramático – as peças são um retrato e reaproveitação ou herança que traz consigo – a machada a exculpir a parte dos degraus, o som da serra a serrar as varas- recorda-se de serrar com a mãe em pequeno quando o pai trabalhava – já estava nessa altura a aprender – hoje faz de forma diferente – tem pena que os pais não possam presenciar as obras que faz mãe ainda presenciou algumas obras – gostaria de poder explicar ao pai porque faz as obras que faz mas não é possível, paciência – hoje as obras são mais loucas mas nas obras existe a memoria dos pais, fizeram parte delas e sente muito orgulho nisso –

41:37 [obras] quando cria uma obra de barro que é a matéria que utiliza atualmente por motivos financeiros, as peças vão nascendo a partir de um esboço – por vezes quando está a criar as peças o esboço já não lhe diz nada e as peças vão ganhando forma – consoante o manusear das mãos as peças vão nascendo do nada, nas diversas formas, os narizes tortos, em forma de caracol, bico de corvo, olhos em forma circular, em forma de gadanho, os traços do lance do corte do feno, é um pouco isso – andou perdido alguns anos a tentar compreender-se, não é que hoje se compreenda a si próprio- por vezes não compreende a razão da forma das peças porque é que nascem assim -tá tudo torcido mas é assim que as peças têm que sair – elas nascem assim do nada-  tem ideias primeiro do que quer fazer –

43:50 [técnicas] [matérias] quando iniciou a técnica de barro e a palha, as primeiras peças não correspondem à peça que pretende desenvolver – há alturas em que amassa o barro juntamente com a palha e juntamente outras matérias, o endurecedor e um pouco de cimento,  e tirou o barro do tabuleiro mais que uma vez, não era o que queria- tem conflitos com as próprias matérias – andou de costas viradas com a matéria – passado pouco tempo voltou a dar continuidade ao trabalho – acha que as peças têm que nascer por elas próprias, aprecia o fato de ser livre e não ter que estar a obrigar ou pressionar a matéria que é dada pela natureza –

45:40 [dança] [formas] por isso retrata muito a dança porque a dança é um movimento livre – retrata a dança vastas vezes ao longo dos anos – o manusear das formas é uma dança – é uma forma de dança e liberdade – vai-se criando com a própria matéria que estamos a manusear – é um jogo de emoções de palavras poéticas e de formas cruzadas, de olhares perdidos, de rostos tristes, rostos sorridentes, de poemas escritos nos olhares, nos traços em que desenha as suas peças, é esse o seu jogo, é poesia – às vezes quando está a esculpir as peças, são escritas de uma forma que não no papel  – todos os contornos que têm e que premonoriza é dessa forma que tenta escrever e que tenta que as pessoas compreendam as palavras e frases e as palavras nas peças -é desta forma

48:53[intenções] referindo-se às intenções de criar para vender, as primeiras peças que criou não foi com esse objetivo de as vender- há alturas em que há essa necessidade  das peças estarem localizadas em certos sítios e de se libertarem do seu próprio espaço – faz com que as peças se sintam bem noutros sítios e locais – são essas as intenções- precisa de sobreviver como qualquer ser humano, tal como as peças precisam viajar – são essas as suas intenções – sente-se o pai das suas obras – gosta de olhar para as suas obras quer já criou- mas as que faz todos os dias é que lhe dão gozo, as outras já passaram já não o prendem- o futuro é incerto – o atual é que lhe dá prazer, levantar-se de manhã sem horário – é muito inconstante, explosivo, inquieto – tanto está num sitio como noutro –

52:17 [objetivos] são essas as formas que tenta desenvolver e libertar-se no dia a dia – nas suas obras pretende transmitir todos os dias, pelas varias fases que demarca nas obras- tenta transmitir um pouco de paz e por vezes olhares perdidos – é o que as esculturas por vezes simbolizam, não todas elas mas em certas altura da vida- hoje está noutra fase mas em certas alturas da vida foi isso que tentou transmitir – hoje é diferente,as coisas vão tomando um caminho, há uma evolução, tenta fazer coisas diferentes, mais alegres- os momentos são outros, as ideias e vivência são outras – mesmo que venha a pintar certos trabalho que vão buscar coisas do passado é porque necessita disso para concluir a obra e dar lhe um resumo à obra mais definido

55:40 [projetos]o circulo da pedra ou o grito da pedra que é um circulo de pedra gigante – o fato de criar círculos de pedra, não sabe se criará mais algum, neste momento não tem intenções de fazer mais, mas é um traço da pintura circular  – tentou demarcar na obra varias esculturas tentando criar um circulo gigante para poder definir a obra e o traço  – há quem ainda não perceba – faz circulos de pedra porque é o seu traço – criou o grito de pedra há 8 anos foi um projeto que demorou 6 anos a finalizar – demarcou-o com 32 esculturas à volta, tinha 32 anos – mais tarde faz cerca de 105 gravuras em dois sítios diferentes do rio que desce e vai desaguar ao douro –

57:43 [gravuras] frequentava muito esses sítios em miúdo fez lá cerca de 80 gravuras onde retratou o que lá se passou e o que lá existiu na altura – o rio está um pouco pobre em termos de habitat e peixe – fez mais gravuras no poço azul de temos diferente – fez 25 gravuras que são so banhistas – mais tarde aos 39 anos inicia um circulo gigante que é o ciclo das luas para demarcar os 40 anos – são 10 esculturas e ainda não esta finalizado mas algumas terão 11.5 metros – esse circulo é completado por 10 esculturas representando os 40 anos que fez em Abril, 10 vezes 4 são 40- fica muito feliz por ter feito o que fez até à data – o fato de fazer os trabalho fora num espaço aberto onde se sente o ar a passar – por vezes não existe mais ninguem – gosta de trabalhar sozinho e sentir o vento tocar-lhe nas costas- a questão do investimento é diferente – a parte do trabalhoclaro que é mais massante e cansativo – uma peça pequena está pronta rapidamente- aquilo não, é tudo é uma questão de se mentalizar que tem de ser feito – o que é feito com vontade faz se normalmente –

62:10 [opiniões] quem visita o espaço são pessoas de fora – as pessoas da terra muito resumidamente não procuram o trabalho – as pessoas de fora tÊm interesse em procurar – as opiniões dos amigos e das pessoas que conhecem são muito relativas – uns comentam o trabaho outros não dizem nada porque não entendem ou não querem entender, não se interessam  e limitam-se a ficar na deles – poderão pensar muito de Custodio – teve uma pessoa que mora perto a quem Custódio disse que ia fazer um circulo gigante de pedra grande mas que não acreditou em Custódio – derivado às palavras que transmitiu Custódio achou que o homem achou que ele não estava a falar verdade mas acabou por procurar várias vezes a obra de Custódio – este lá no primeiro dia e o homem teve o cuidado de lá aparecer, disse você disse e vai fzer,  – esse mesmo homem fez um dia um comentário acerca de um comentário que lhe tinham feito acercas das peças de Custodio que muitas vezes as pessoas não entendem – refere as peças que fez –

65:45 [Moreias de Palha] [peças] as 10 moreias de palha que os pais faziam na terra, não lhe dobrou as pontas deixando-as viradas para o céu – são as suas nuas, as ultimas obras que fez ao nível de pedra – é um espaço em que gosta de estar, gosta de cruzar as linhas e de sentir que há sempre portas abertas e que há olhares sorridentes, há a mulher dos lábios grossos, os prazeres que gosta da vida – a mãe era uma pessoa que tinha os lábios grossos, os olhos em forma de gadanho, o nariz em forma de caracol as guitarras esculpidas no cabelo, violas, violinos, que foi buscar ao fado e aos tocadores de rua que é algo fantástico – não se esquece, em 2002 foi visitar a capital da cultura em Salamanca e encontrou-se com tocadores de rua e quis lá ficar- as pessoas conseguem viajar e transportar as coisas para outro local – diz que quem não sonha não vive – as pessoas conseguem transportar,  imaginar as pirâmides do Egipto para o oceano – quem não sonha não viaja não aprende não vive – não fazendo não tira conclusões e no final da frase não existe um ponto de interrogação e havendo há sempre uma resposta para se dar

69:30[relação com autoridades locais] as pessoas de fora…isto é… acho que para se criar arte não se devia pagar imposto – criar arte é algo livre – há pessoas que lhe dizem que para fazer certa ordem não precisava de fazer um projeto – acha que para fazer arte é criar e não é preciso pagar impostos a ninguem, criar arte é livre- ter um passáro numa gaiola não é o mesmo que ter um pássaro a cantar cá fora – para ter noção da ideia das pessoas, as pessoas não estão informadas ou nunca se interrogaram do porquê das coisas – em relação à procura das entidades já começam a procurá-lo ao fim de 9 meses de ter iniciado o projeto e mostram se interessados – querem que o trabalho faça parte disto ou aquilo- não quer virar costas a ninguém porque precisa de todos – só não gostava que o fechem numa gaiola – As pessoas têm o que quiserem de Custodio – não vai ser diferente por estar envolvido nas artes, é a mesma pessoa- quando se liberta disto  acabou – gosta de solidão por momentos não de fazer dela a sua vida – está aqui mas daqui a nada é capaz… há pessoas que pensam que para criar arte tem que beber ou estar mal com a vida – a arte cria-se normalmente – há pessoas que criam arte com pessoas à beira – todas as pessoas são diferentes umas das outras, ideias, perspetivas, opiniões –

73:40[esculpir a pedra]não lhe ensinaram a esculpir a pedra, apenas a esculpir, de uma certa forma -quando se trabalha na lavoura- voltando ao início, o manusear das coisas e o que se arrasta na vivência nomeadamente dos pais as pessoas aprendem e ganham referencias por exemplo o ferreiro a bater com o malho em cima da safra, a bancada do carpinteiro cheia de goivas (…) – presenciou em miúdo e quis fugir para esses sítios- passou muitas horas à porta da oficina do pai a ver o malho a bater na safra – não se esquece, ele a dobrar a ferro e a pô-lo na forja utiliza outras técnicas mas foi essa a sua escola – por ser autodidata não significa ser mais burro ou que sabe menos que os outros- a escola da vida é única e aprendesse a desenvolver o trabalho com as dificuldades e obstáculos que aparecem na vida- acho que não há melhor escola que essa[/hide]