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01:10[relação com a casa] [Vida em Nodar] Antes disso será melhor contextoalizar, casa é oitocentista, da segunda metade do século XIX – foi feita pelo bisavô de Norberto, Lino Duarte Pinto que veio de Moimenta de Cabril – eram os bisavós maternos – mais tarde foi dos pais de Norberto – Entretanto entre os bisvós e os pais foi habitada pelos tios-avós além dos avós e pais – os tios-avós eram Manuel Duarte Pinto de Almeida e Rosa Gomes de Almeida – ele foi o que mandou fazer a ponte porque esteve no Brasil e lá fez fortuna tendo gasto parte dela com a ponte – a casa foi então mandada fazer pelo seu pai, bisavô de Norberto Costa – Norberto nasceu lá, e os seus pais também. Esteve lá até aos 20 anos. A vida em Nodar era quase medieval em que havia rituais religiosos que ainda se mantinham tais como rezas à noite e de manhã, ainda se mantinham- a vida era totalmente rural, as pessoas dedicavam-se à agricultura –
03:00 [quem viveu na casa] na altura em que nasceu viveu com a mãe o pai e os irmãos, Fernando e Floriano – tinhamos sempre uma empregada que vivia na casa e com quem Norberto de pequenino dormiu até aos quatro anos – habituou-se desde pequeno a dormir com mulheres – assim foi durante muito tempo – depois o irmão foi estudar para o seminário e ficaram os outros dois – Norberto viveu nessa casa até aos 18 anos
03:55 [relação com o espaço à volta] trabalhavam vários campos à volta – parte do seu património rural estava atribuído a um caseiro que vivia lá em baixo na aldeia, no chamado Outeiro – Metade das terras era trabalhada pelo caseiro e a sua família e outra pela família de Norberto, pelo pai e o irmão – a família do caseiro era o tio Artur, Ana, Diana, tinham muitos filhos, as pessoas tinham muitos filhos na altura, seis e sete filhos – a família de Norberto também lá trabalhava, davam um jeitinho –
05:00 [animais] tinham além de galinhas e coelhos, algumas ovelhsas, 2 ou 3 ovelhas e uma égua, jóia – o caseiro tinha vacas para trabalhar, trabalhavam com vacas- quando precisavam de estrume solicitavam ao caseiro que ia com a junta de vacas e o carro lavrar ou ir buscar mato para o curral, ou porcos que também tinham – o carro de vacas ficava sempre no Outeiro- nunca, agora está ali, foi posto ali, o carro de vacas que está ali perto foi porque foi lá posto porque costumava estar lá em baixo -os caseiros tinham sempre 3 ou 3 vacas, quando alguma não podia, o máximo 3 vacas- a família de Norberto não tinha –
06:38 [a casa]nos primeiros tempos a luz era de candeeia a azeite – havia várias candeeiras em casa – uma cá em cima nos quartos e outra na cozinha para iluminar, a azeite – mais tarde começou a haver candeeiros a petróleo e mais tarde petromax que iluminavam mais mas foi muito mais tarde
07:20[divisões da casa] a casa estava dividida em duas partes – a casa nova que é esta parte que servia para hospedes, pessoas que viessem de fora, com duas sala e dois quartos – aquela do uso diário tinha 4,5, 6 divisões – dois quartos a servir de quarto para as pessoas dormirem e as outras divisões a servir de arrecadação – a sala do meio tinha muita tralha – havia uma salita de refeições e a despensa onde guardava o azeite e as, chouriços, carne de porco, carnes salgadas, ferramentas – casa de banho praticamente não havia – era um cubículo, uma coisa mínima onde apenas uma pessoa cabia com um estrado e um buraco onde as pessoas se sentavam e faziam as necessidades básicas, mais nada, diretamente para o curral dos porcos que tinha mato estrumido – tinham a preocupação de todos os dias por lá mato limpo para acumular ali- iam lá muitos visitas porque o pai de Norberto tinha muitos conhecidos que vinham de fora e passavam por Nodar para ir para a feira no dia 12, a feira de Parada- passava-se em Nodar para ir para a ponte, era obrigatório passar por Nodar- há uma distância enorme desde Arouca a Castro Daire, Pinheiro, Cabaços, Grijó – em Grijó não havia ponte nenhuma para passar para o lado de lá, para a margem direita do Paiva -nesse dia havia sempre pessoas a visitar o pai de Norberto em Nodar – pessoas do lado de lá da chamada travessa, Sá, Posmil, São Martinho, Soute, Legeosa –
10:15 travessa] nunca soube ao certo porque se chama assim mas pensa que as pessoas de lá chamavam travessa a Nodar – a freguesia está dividida em duas partes e no meio interpõe-se uma parte, o Gafanhão, que é de Castro Daire- a freguesia está portanto dividida em duas partes que não estão unidas – portanto as pessoas de uma parta chamavam as pessoas da outra de travessa e vice-versa –
10:55 [vivência na casa]de inverno o lume estava acesso de manhã à noite – a casa era muito fria e húmida – havia camadas de geada de manhã – as condições também não eram muito famosas, havia buracos por todos o lado na parede de pedra e entrava frio por todo o lado, era desconfortável -havia sempre lume em casa, acendia-se a lareira e sempre aquecia um pouco as divisões mais próximas – de verãonão era necessário, acendia-se apenas para fazer a comida – havia uma braseira redonda que se acendia quase todo o dia que na altura da refeição se punha debaixo da mesa – na sala do meio havia umas caixas enormes para guardar o cereal – o centeio e o trigo, milho mais milho, o feijão – tudo para consumo – logo à entrada havia uma casota onde se guardava as alfaias – depois serviu para um pombal, os pombos entravam e faziam ninhos – servia para alfaias como para a casa dos pombos
13:05 [transformações na casa] houve uma obra quando Norberto era pequeno 6, 7 anos – a parte nova foi remodelada no tempo do seu pai – antes estava tudo esburacado e o soalho e teto foi tudo renovado – as portas foram pintadas -a parte nova a outra ficou na mesma- para as visitas queria-se uma coisa melhor, com melhor aspeto – a casa do dia a dia nunca foi objeto de restaurações pelo menos que Norberto se lembre – lembra-se do carpinteiro que fez as obras, da Ameixiosa, o amigo Manuel, primo dos de cima, do Albano, o pai da Marieta e o tio dele dele o irmão do caseiro de Norberto, do Artur, Joaquim Quijó – os apelidos que se usavam eram da terra de origem – essa família eram os Quejó, Joaquim Quijó, Zé Quijó, Artur Quijó- era irmão dele, e o outro era o sobrinho dele, o Manel da Ameixiosa, que era sobrinho desse Artur e Joaquim, portanto os dois carpinteiros foram esses – os pintores já não se lembra mas deviam ser de Parada ou de Reriz, não se lembra exatamente, capinteiros lembro-me perfeitamente – quando era preciso algum serviço mandava-se arranjar, por exemplo um ferreiro quando era preciso fiar, alfaias, enchadas, sacholas, gadanhas para cortar erva, etc – havia um ferreiro em Parada que tratava disso quando não cortava ou então comprava-se novas em dia de feira ou num dia normal, trabalhavam todos os dias- ia -se bem a pé até parada.
16:05 [a casa] agora vamos entrar na velha casa que já cá não venho há uma data de tempo,agora é preciso que isto funcione
16:44 [casa das ferramentas] [instrumentos] aqui era a casa das ferramentas, onde guardava alfaias agrícolas, sacholas, enxadas – aqui encostados, sacholas, enchadas, e essa coisa toda,
17:17 [Casa do meio] esta é a casa do meio onde se guardava tudo,a tralha toda, batatas, cebolas, milho, feijão, algum trigo, centeio – tudo o que não se precisava na altura punha-se para aqui –
17:44 [sala para brincar] esta era sala onde brincava em miúdo, escondiamo-nos aqui- diz que era uma coisa mítica – Às vezes punham-nos meso, o pai dizia-lhe que lá estavam fantasmas para comer a sopa, se não comece tudo ia chamar os fantasmas – era uma sala que metia um certo respeito, quando eramos miúdos não entravamos aqui, chegava à porta e espreitava a ver se isto…
18:23 [despensa] era a despensa de tudo o que não fosse necessário na altura guardava-se aqui- às vezes punha-se aqui uma cama mas não se utilizava – tem umas pinturas muito giras, dragões, com figuras míticas – quando era pequeno a pintura era viva, não sei exatamente quando isto foi feito – pensa que veio na origem da casa – são animais que não se percebe, com tentáculos tem polvos e outros animais que não se percebe o que é –
19:42 [quartos] [cozinha] agora vamos aos quartos – aqui é a cozinha, a velha cozinha – tinha aqui uma lareira ali havia uma mesa que se descia para se comer no inverno, encolhia e subia para estar livre o espaço, e depois descia-se para fazer mesa e aqui comia-se à noite – tem aqui um forno para cozer o pão e outras coisas, de vez em quando um cabrito -a este canto havia uma ?, metiam-se os coelhos aqui, criavam-se os coelhos – onde fizeram uma casa de banho era o quartinho da criada onde Norberto dormiu durante muito tempo –
21:07 [Casa de banho] havia uma entrada aqui que era a tal casa de banho com um buraco –
21:15 [quarto] [cama] aqui foi o quarto onde eu nasci, que era o quarto dos pais -foi aqui que eu nasci, está tudo alterado, as paredes eram brancas – havia uma cama apenas deste lado- era uma cama de ferro, era a cama deles- aqui não tinha mais nada, era um quarto muito tempo, lá dentro na chamada casa nova, naquele quarto é que tinha um lavatório- aqui não tinha nada – só no quarto de hospedes é que tinha-
22:47 [sala das refeições] aqui era a sala onde se comia, a sala de refeições, guarda loiças que havia aqui neste cantinho – na cozinha, no jantar à noite, na seia na altura do inverno, aqui comeu-se sempre, só jantar, a chamada seia, naquela altura chamava-se seia-de manhã, quando as pessoas se levantavam era o almoço – o jantar era ao meio dia, entre o meio dia e a uma hora – havia a merenda, quando as pessoas vinham a casa comer qualquer coisa, e à noite era a Seia – era as refeições que havia –
24:11 [cozinha] nunca se cozinhou aqui, só mais tarde quando havia máquinas de petróleo- trazia-se a comida da cozinha para aqui- punha-se o braseiro por baixo da mesa –
24:55 [quartos] [camas] [andorinhas] O Floriano já tinha ido, para o seminário, depois passei a dormir com o outro irmão na mesma cama, era uma cama larga e então dormíamos os dois ali – esteve lá até aos 18 anos, com o meu irmão – nunca dormiu numa cama sozinho – passou da cama dos pais para a cama da empregada e depois com o irmão – só tive um quarto para mim quando vinha de férias depois de estudar- passou de estatuto e passou para a casa nova – ficava no quarto pequeno que era para mim, primeiro foi do irmão quando andava a estudar – como a casa deixou de estar habitada e como tem buracos por todo o lado nos vidros as andorinhas entraram e ocuparam aqui, um ninho ali e outro aqui- elas sentem que não é habitada e ocupam logo, é fantástico, é engraçado porque nem parece andorinha, não é normal.
28:01 [casa] aqui é o meu quarto, passou a ser o meu quarto quando fui estudar, tinha sido do seu irmão – quando subiu de estatuto aqui em casa passou a ter um quarto individual na parte nova que supostamente era para as visitas
29:18 [fotos] [avó] esta fotografia tem o pai, tio e o primo de Sá, pai de Zulmira – numa altura em que ele fez uma visita a Lisboa, em que tiraram esta fotografia -nessa visita foram assistir à chegada de Sidónio Paes à estação do Rossio que vinha do interior no norte e foi assassinado na estação de rossio e eles assistiram, foi uma correria enorme, a estação era aquela que lá está, espalhou-se a gente pelo rossio abaixo – naquela correria que há um individuo que larga uma bengala bonita que o tio guardou, na parte de cima um metal bonito – uma bengala valiosa de um senhor qualquer nobre, na altura já República e a fugir a largou e o tio guardou, a famosa bengala que está na casa deles – a fotografia da avó, mãe do pai, avó paterna, que era professora e esteve na escola de São Martinho muitos anos, até falecer,
31:00 [Avó] ela era oriunda de trás os montes do concelho de Alijó mas nasceu no Brasil, só soube há pouco tempo, que tinha nascido no Brasil, os pais vivam lá- Veio para Portugal miúda – tirou o curso antes da República em escolas normais de formação de professores, chamadas magitérios, primárias que a republica espalhou pelo país – formou se no convento das chagas em Lamego onde foram velar o corpo de irmão de Norberto – havia um convento ali que já desapareceu nesse convento de monjas femininas, de freiras, foi onde a avó se formou – ela veio para São Martinho solteira para a escola onde foi colocada, no século XIX, penúltima década do século XIX ainda e depois conheceu o avô – quando Norberto fez investigação nos jornais de Lafões da penúltima década do século XIX apanhou a noticia da colocação da avó em São Martinho- chama- se Adelaide Alzira dos Santos- da parte do meu pai, o pai era Eduardo dos Santos Costa – a avó faleceu com cerca de 40 anos com uma doença que não sabe exatamente, para a qual não havia antibióticos, geripela nãocsei erxatamente o que é era uma doença infecciosa – não havia antibióticos e a maior parte das pessoas morriam – é a sua avó, Bisavó de Luís Costa e trisavó de Samuel e Isaac – havia poucos professores oficiais nesse tempo e ela era já professora oficial já-
34:18 [sala] isto não era um quarto, era uma sala, adaptou-se a quarto mais tarde, era uma sala, onde o pai de Norberto tinha as coisas mais importantes, parte adminstrativa, documentação, ele guardava aqui tudo, onde era o seu escritório, ninguem entrava aqui, eu espreitava a ver quem andava cá –
34:35 [Quarto] Isto era o quarto, o quarto grande, maior da casa quarto de hospedes- dantes havia uma divisão porque as casas antes eram muito pequeininas, as divisões era muito exíguas muito apertadinhas todas, a casa podia ser grande mas dividiam aquilo no máximo divisões possível, portanto eram toas pequeninas – este qusrto tem algum espaço mas é agora, mas era dois, juntaram, está aqui o sítio onde o meu pai fez a remodelação, isto ficou só mesmo para visitas, pessoas que vinham cá e tal.
35:40[lavatório] Este é o famoso lavatório, que estava aqui no quaarto dos hóspedes, este é o móvel, guarda roupa de cerejeira, uma coisa muito antiga que vinha de gerações anteriores à dos pais – isto eram dois quartinhos pequenos que foram ampliados por causa de lhe tirarem esta divisão ali, (…)
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