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00:10[Apresentação] [pais] [irmã] Esmeralda de Jesus Pereira Costa – nasceu em 1935 a 24 de Junho – nasceu naquela casa em Aldeia – os pais também eram de lá – eram duas irmãs – já faleceu a minha irmã, eramos só nas as duas

00:52 [infância] [Fundo do povo]miudita era brincar, a rua acima e abaixo – o pai deixava-a a guardar a loja e ela fechava a porta e ia para o fundo do povo que era onde havia mais crianças – onde está é o meio do povo mais em baixo é que é o fundo do povo –

01:13 [pais] os pais tinham uma loja de comércio como antigamente – tinha tudo, tinha mercearia, tinha petróleo, panos, tinha tudo – mais tarde o pai fez um café para se entreter e a mãe morreu – o pai ainda ficou 16 anos no café para se entreter

01:35 [loja][Aldeia]  As pessoas aviavam-se mais ali do que noutro sítio – ficavam lá à fresca nos dias de calor  sentavam -se aqui até tarde- iam à fonte que havia lá perto e faziam bailes- cantavam e era uma alegria – diz que agora já não há nada disso e qe só há uma criança – em pequena ajudava na loja – gostava muita da loja, a irmã gostava mais de trabalhar no campo – habituou-se a conviver com as pessoas – os velhotes ajudavam-na a fazer os trocos – foi ali criada

02:20[escola] fez a escola em Aldeia com a mãe da Esterinha e Aidinha – fez a quarta classe e os seu pais queriam que estudasse mais mas Esmeralda não quis -esterinha-  fez a quarta classe com a mãe da aidinha e da  a professora era Mª da Conceição – a escola era uma alegria, era no fundo do povo , era uma sala grande e antiga, ainda lá está- agora já lá fizeram casas – andavam lá a correr – a escola tinha muita criança porque era quatro aldeias – Ervilhal, Outeiro, Leirados e Aldeia – chegava a ter mais de 40 e tal alunos, com uma só professora – aquilo era uma correria – iam a correr à pedra, os miúdos pequenos, passavam assim a vida – a escola era num salão grande- tinha uma porta que dava para outra casa que era onde morava a professora – professora morava lá – a a professora bastava abrir a porta e entrar para a sala – eram várias classes tudo na mesma sala, desde a primeira à quarta classe  – a maior parte das pessoas fazia apenas a terceira classe, a quarta pouca gente a fazia – os pais eram labradores e iam com as ovelhas –

04:03 [estudar] [escola] [marido] o pai de Esmeralda queria que ela tivesse estudado mas ela não quis- está arrependida – a escola era a única da freguesia que era mista – em Sul havia a escola feminina e masculina, onde andou o marido de Esmeralda, que é de Sul –  quando fizeram a outra escola Esmeralda já tinha 18 anos – quando foi a inauguração a gente andou lá a trabalhar – a servir – não andei lá a trabalhar andei a fazer a festa – quando acabou a quarta classe ficou em Aldeia, foi fazer o exame a São Pedro do Sul, foi estrear a escola nova que lá está, a única que lá está – não se lembra em que ano foi mas tinha 12 anos porque entravam na escola com 7 – quando foi o exame da terceira escola toda a gente teve sarampo e a professora não levou ninguém a exame – quando foi fazer o exame a São Pedro já lá tinha ido muitas vezes e até a Viseu

05:48 [pai] o pai ia muitas vezes a Viseu encomendar coisas e levava -a com ele – iam de carro de praça de Sul – o pai chegou a ter um carro de praça mas teve um desastre e nunca mais quis conduzir – ia a são Pedro e a Viseu e no fim já ia em excursões que faziam muitas – vinham à loja trazer os produtos e ele ia lá encomendar –  o pai comprava o vinho e o milho aos labradores, era fiado, e ao fim do ano quando recebia abatia no vinho e no milho

07:03 [famílias de Aldeia] [avô] havia famílias mais importantes que outras – havia a família do cunhado de Esmeralda chamada casa sapateiro que tinha muito vinho e milho – eram os Quintal, Cal os Rainha – o pai comprava vinho a essas pessoas e a mais, comprava a mais- havia caseiros que andavam a trabalhar para outras famílias – havia um senhor que estava em Vouzela, chamavam-lhe doutor e o avó que era lavrador – fazia de conta que as terras eram dele porque o senhor confiava nele -chamava-lhe galinha, chamavam-lhe Doutor – confiava muito no avô de Esmeralda porque ele era muito sério – o pai do pai de Esmeralda – ele cultivava-lhe a terra e depois recebia meias e terças – ele confiava nele, levava vinho e azeite que vinha de espanha, era muito amigo do seu avô e era padrinho da irmã de Esmeralda – quando o avô se casou foi para as terras dele e morreu com 90 anos – arranjou outro caseiro mas arranjou duas terrras para se entreter -morreu nas terras dele

08:57 [vida depois da escola] [festas] continuou a viver na casa dos pais – em adolecente trabalhava – na altura andavam a fazer a escola e as estradas – a mãe fazia comida, era uma boa cozinheira graças a deus- trabalhava em casa a cozinhar e a limpar e a irmã ia para as terras trabalhar – ajudava na loja – iam para as festas, não iam aos bailes fora da terra porque os pais não deixavam  era aui, mesmo aqui sabe deus às vezes- iam aos bailes em Aldeia e até ai por vezes não deixava- iam às festas de Sul e da vila – os jovens davam -se bem e o ambiente era muito bom, agora não é tanto, não há também – havia bailes em todo o lado onde tocasse uma gaita havia gente a dançar – juntavam-se nas escadas- quando as primas vinham da Cova da Piedade juntavam-se nas escadas – cantavam, era uma alegria

10:28[canção ao São Macário] ó meu santo são macário… já não sei, tenho andado muito doente e hoje morreu um cunhado – ó meu santo são macário… ai que eu já não sei… havia assim muitas

11:10 [São Macário ]Havia uma romaria, levava-se a merenda, não havia lá carro nenhum, ia-se lá ver nascer o sol – tocavam o sino às vezes em Aldeia para as pessoas se juntarem todas e irem – juntavam -se com as pessoas de Sul e de Oliveira e iam todos a cantar por aí a cima- iam cedo lá ver o sol – por volta da 5 da manhã – juntavam-se com quem vinha de baixo e juntavam-se os ranchos todos e paravam lá em cima a merendar a comer- era muito bonito e uma alegria para as pessoas – o São Macário nessa altura era muito bonito, agora é uma feira – já não é como era – foi lá há dois anos e teve saudades dos tempos antigos – diz que só se via toalhas estendidas e toda a gente a merendar – depois iam todas as pessoas a cantar a fazer o caminho de volta – o pai de Esmeralda ia vender para o São Macário – levava os barris dentro dos carros de vacas – o avô ia lá com o carro e depois Esmeralda ia mais a irmã lá ter de manhã -era no de cima, à porta da capela, lá em cima, agora vendem nas relotes mais cá em baixo

13:02 [casamento] Ele era de Sul -vinham todos os domingos,  o marido da Aidinha, o Horácio ao domingo iam para Aldeia namorar e casaram-se ali muitos de Sul – começaram a namorar e ele foi para Lisboa, ao fim de dois anos foi buscá-la – casaram, fizemos o casamento e ele veio buscar-me – contatavam por cartas o pai ainda não tinha telefone – todas as semanas escrevia uma carta – Esmeralda gostava de escrever, com a quarta classe escrevia muito bem e tinha uma caligrafia muito bonita – o marido era cobrador de uma firma de vinhos em Lisboa, Martins e Duarte, que já fechou – era na zona de Alenquer mas ele vivia em Lisboa- ele era cobrador, pracista e tomava conta dos pedidos –

14:21 [casamento] [marido] vai para lisboa, o casamento foi na sua capelinha – esmeralda estreou a capela de Aldeia – lembra-se do dia – o pai convidou muita gente, quase 200  e tal pessoas –  foi feito  numa casa muito grande de pedra que foi emprestada por uns senhores – comeram filetes, o primeiro prato, a cozinheira era de São Pedro, uns tios de covas do rio  deram uma vitela e fizeram vitela assada, foi uma fartura – lembra-se do vestido tenho uma fotografia- era de renda – foi mandado fazer em Viseu – Esmeralda era muito magra- a irmã casou primeiro com 18 anos a mãe teve que lhe dar licença – esmeralda casou quase com 22, em 1956 – tem 56 anos de casada – as bodas de ouro de 50 anos foram na capelinha- A associação foi lá servir, cinquenta e tal pessoas- foi um segundo casamento – tem duas filhas e quatro netos –

16:23 [Lisboa] [filha] [trabalho] depois do casamento vai para Lisboa – foi de táxi que faziam a viagem da terra para Lisboa – ia-se de manhã e só lá se chegava à noite – agora não é assim – foi com o marido e com um primo que está em Lisboa e com outro primo que já morreu e ainda com outro , era cinco pessoas – levavam uma merenda e foram comer à chamusca – já tinha ido a Lisboa tinha lá estado 6 meses em casa da prima Cecília quando lhe nasceu o filho, ela pedira, ela disse para me deixar estar – vinha à terra todos os anos sentia saudades da família – dois sobrinhos que foram criados na terra enquanto a irmã trabalhava nas terras – adaptou-se bem em Lisboa- depois nasceu a filha mais velha ao fim de 9 meses e sete dias – começou-se a agarrar à miúda, é a vida – trabalhou já tinha a filha mais nova – elas têm 7 anos de diferença – começou a trabalhar já tinha a filha mais nova 4 anos – teve em casa a cuidar das filhas – o marido não queria que trabalhasse mas ele lembrava-se da velhice e da reforma – o marido arranjou-lhe um depósito de pão e Esmeralda explorava aquilo – fazia pasteis, rissóis vendia o pão, trabalhou muito – morou em Alvalade, tem la um andar, no bairro de alvalade – trabalhava na Rua Gama Barros, primeiro trabalhou na Rua Defensores de Chaves – trabalhou 19 anos – trabalhou perto de Alvalade e ia a pé ou de autocarro – não foi estrear a casa mas as casas eram boas, ainda hoje são boas  gastaram muito dinheiro em obras – esteve dois anos no Poço do Bispo na casa de um primo mas depois concorreu e saíram da casa – no poço do bispo a casa lá não tinha casa de banho – antigamente era na cozinha, havia lá uma pia e tomavasse banho num alguidar -na outra já tinha tudo

19:55 [relação com a aldeia]  ia lá de ano a ano e depois já havia carro e iam mais vezes- vinham no Verão e às vezes no Natal – quando a mãe matava os porcos gostava que Esmeralda lá fosse com a miúda – ela por vezes ficava com a mãe porque não tinha escola – as filhas gostam muito da aldeia – Estão em Sul e na Aldeia fazem metade metade, estávamos la dois dias e vinhamos para cima, era como os ciganos – os de Aldeia corriam com os de Sul porque os roubavam – agora não há raparigas novas nem rapazes- vai tudo para Lisboa – tem um neto com 26 anos – há um miúdo com 9 anos e já não nasceu lá mais nenhum – voltaram definitivamente  há 16 anos – têm uma neta com 20 anos, criaram-na até ao 12º ano ela foi para lá com 6 anos – o pai já morreu há 16 anos e Esmeralda já lá ficou.

 
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