[hide for=”!logged”] 00:10 [festa de Santo António antigamente] Antigamente a festa era mais pobre que agora – naquela altura, apesar de dizerem que a situação de crise é má, nessa altura era pior, havia menos dinheiro que agora – Havia responsáveis pela capela, o padre é que mandava na capela nessa altura, agora há uma comissão – as pessoas tinham que ir às povoações vizinhas pedir flores para enfeitar os andores e o altar

00:53 [andores] nessa altura os andores iam sem nada até à igreja e no dia de Santo António é que eram enfeitados com flores e aqueles vasos cheios de água – agora é tudo com esponja – havia uma ou duas flores em cada vaso – vinham na procissão da igreja para cima -agora passa-se tudo na capela – enfeita-se na capela e segue no fim da missa a procissão à volta do povo

01:32 [procissão]A procissão vinha da igreja do Sul para Adopisco  – os Santos estavam em Adopisco – Na véspera tinha que se ir a Sul pôr os santos nos andores e enfeitá-los, enfeitar os andores – no dia seguinte de Santo António ou se não calhasse no dia de Santo António era no domingo a seguir como aconteceu neste ano – houve missa na mesma no dia 13 mas a festa foi no dia 16 – Nunca é a um dia de semana porque não se junta tanta gente porque andam a trabalhar – levavam os andores para a igreja, enfeitavam-nos lá com as flores que davam nas povoações ou que as pessoas tinham – diz que há mais jardins agora que antigamente –  antigamente as pessoas não ligavam a flores – trabalhavam no campo para comer e sobreviver – não tinham rendimentos de mais nada- depois então a procissão ia da igreja para cima com os andores – diz que é difícil trazer os andores com os vasos cheios de água às costas –

02:50 [quais são os andores] geralmente saiam três nessa altura – o Santo António, a Santa Eufémia e a Nossa Senhora da Conceição – eram sempre três andores que saiam – agora já saem mais porque as pessoas fazem promessas para tirar os andores da capela -este ano foram quatro porque houve pessoas que ofereceram flores para os andores – as flores foram à conta deles  -saiu a Nossa Senhora de Fátima, Santa Eufémia e Nossa Senhora da Conceição e Santo António que é o padroeiro, foi os andores que sairam este ano – se não houvesse quem pagasse o andor da Nossa Senhora de Fátima não saía, apenas os outros três como habitualmente – agora as flores ficam muito caras

03:50[Santa Eufémia] [passadeira] E a Santa Eufémia porque ? -não é ela que é a padroeira é o Santo António -Mas como em Setembro costumavam fazer a festa a Santa Eufémia mas agora acabou-se com isso  – Como ela sai no dia da procissão do Santo António e então acabou-se com isso porque a população é cada vez menos – Acabando a miseração fica tudo abandonado  porque há mais pessoas idosas que novas – jovens então não há praticamente nenhuns – sai tudo para fora – a Santa Eufémia sai e manda-se o padre dizer a missa no seu dia mas não sai andor – antigamente fazia-se passadeira à volta da capela, em frente da capela – ela ia apenas até ao cruzeiro  – vinha-se lá por baixo e fazia-se passadeira com moldes, era muito bonito – era tudo em flores e verdura  – o meu cunhado chegou a fazer com moldes com ripas de madeira – punham as flores e a verdura naqueles  moldes – era bonito mas agora não dá agora não há pessoas para isso

05:48 [Santo António] Em Adopisco não é o santo casamenteiro – não há essa tradição de casamenteiro – as pessoas são lhe devotas porque é o padroeiro da povoação, são devotas a Santo António  – Em relação aos casamentos como fazem em Lisboa, em Adopisco não – faz-se a missa no dia 13 – é cantada pelas pessoas daqui e pelas pessoas mais novas que há – a festa fica para o domingo seguinte

06:52 [bailes] [rancho] antigamente de manhã era a parte religiosa e à tarde era a festa onde há a associação – na altura nem existia a associação – há lá um largo que deram para a capela e lá faziam o bailarico – havia lá um conjunto, rancho – faziam nessa altura mas agora já não porque não há dinheiro – Em Adopisco não há rancho –  há em sul em sequeiros, há um em Oliveira – vinha lá um conjunto

07:43 [procissão] na procissão havia mais gente nessa altura que agora – muitas pessoas, a maior parte são idosas e se vierem vêm de carro, a pé não – havia muitas pessoas antes vinham a pé

08:10 [imagens dos andores] são as mesma que antigamente –  algumas já foram restauradas – a Santa Eufémia foi restaurada a Nossa Senhora também bem como o Santo António já foi restaurado – Estão sempre na capela e pertencem à povoação – foram os antigos que mandaram fazer a capela – Maria Helena nem os conheceu

08:49 [apresentação] Maria Helena Paiva

08:54 [padre] o padre da povoação não pode dizer mais que três missas ao domingo -então pediu ao bispo de Viseu para lhe mandar um padre, que mandou um padre Franciscano que está em Coimbra – o padre Franciscano perguntou ao nosso padre da freguesia se o Santo António é que seria o padroeiro da povoação – o senhor padre da freguesia disse-lhe que então quem lá iria dizer a missa era ele porque era mais adequado para mim- Santo António também foi franciscano – pertenceu à ordem dos Franciscanos, à religião dos Franciscanos  – a população de Adopisco queria que fosse ele – ele disse que se queria ir que fosse e que ia ver se conseguir chegar até à procissão – …assim que acabou veio à pressa, quem nos contou foi a mulher do Novais, da caixa, disse que andava numa correria para ver se chegava a tempo – foi assim, ele então chegou aqui e ficaram muito contentes por ter acampanhado a missa – ele sabia a história de Santo António porque é freire e pertence à ordem dos franciscanos e sabia explicar melhor as coisas – ele está dentro do assunto e então sabe explicar melhor as coisas

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