A lenda de São Macário, contada com simplicidade por Américo Tavares Gomes, está profundamente enraizada na serra do mesmo nome, situada no maciço da Gralheira (concelho de São Pedro do Sul). Originalmente chamada Magaio ou Mação, a serra passou a ser conhecida como São Macário em homenagem ao santo que, segundo a tradição, viveu ali em penitência. O local abriga duas capelas: a Capela de Cima, pertencente à paróquia de São Martinho das Moitas, e a Capela de Baixo, também chamada Capela Nova, ligada à freguesia do Sul, construída há cerca de 80 anos.
Macário era um almocreve — um homem que transportava mercadorias com o auxílio de um jumento. Certo dia, regressando a casa sob forte chuva, ouviu de um vizinho que a sua esposa o traía com outro homem. Tomado pela fúria e pela dor, Macário correu para casa, empunhando um machado, e ao entrar no quarto atacou e matou o homem que lá encontrou, sem saber de quem se tratava.
Logo após o crime, prestes a matar também a esposa, ouviu dela a terrível revelação: o homem que acabara de matar era o seu próprio pai. Devastado pela culpa, Macário deixou a aldeia e fugiu para a serra, buscando expiação para o seu pecado. Vivendo em solidão e sofrimento, apenas descia à aldeia de Macieira para buscar lume (fogo) na casa que, até hoje, é conhecida como “a casa do santo”.
Segundo a lenda, Macário viveu os seus últimos dias numa gruta na serra, em oração e penitência. Conta-se que um dia, ao regressar à gruta, resistiu à tentação de olhar para uma bela pastora, fugindo novamente para o seu refúgio. Pouco tempo depois, os aldeões notaram um brilho intenso de estrelas sobre a serra, na direção da gruta. Quando foram ver o que acontecera, encontraram Macário morto, tendo alcançado a sua redenção. Desde então, o lugar é considerado sagrado, e a sua memória perdura como símbolo de arrependimento e fé.