Laurinda Pinho recorda que a escola do seu tempo era muito diferente da escola do filho. Os cadernos eram mais pequenos e menos numerosos, muitas vezes com folhas mais simples, às vezes sebentas, e havia pouco cuidado com eles, refletindo uma realidade mais pobre. O lanche da escola também era modesto — normalmente levava pão seco, porque não havia muitos acompanhamentos como queijo ou manteiga, e era comum comer muita sopa ou feijão para se sustentar. Ao contrário dos lanches variados e nutritivos dos dias atuais, o pão era até por vezes duro, e a alimentação vinha principalmente do que havia na horta ou no campo.
Brincadeiras e atividades físicas também mudaram bastante. Laurinda Pinho conta que, na infância, as crianças inventavam suas próprias brincadeiras com o que tinham à mão — como jogar à macaca, brincar com elásticos, pneus e arcos, pois os brinquedos não eram comprados construídos. As crianças corriam muito, faziam exercício e divertiam-se inventando. Hoje, as crianças têm brinquedos prontos e jogos eletrónicos, como jogos de computador, que o filho adora, e os pais costumam comprar tudo já feito. Essa diferença mostra como a infância acabou ficando mais tecnológica, mas talvez menos criativa na brincadeira.
A disciplina também tinha outro formato: Laurinda fala das “reguadas” — castigos físicos aplicados com régua para os erros cometidos, o que era comum na sua época, e raramente ela levava tais punições, mas havia crianças que levavam muito. Ela recorda que o acompanhamento dos pais era diferente; eles raramente iam à escola, e as crianças iam sozinhas, pois as ruas eram menos perigosas. Hoje, o acompanhamento, a limpeza e o conforto da escola são muito melhores, com programas alimentares e cuidados como escovar os dentes e levar frutas, o que não existia no tempo dela.
A casa e os transportes também mostram uma realidade bem distinta. Laurinda fala da casa fria onde cresceu, sem conforto e com paredes que escorriam água no inverno, muito diferente da casa atual do filho, que é mais quente e confortável. Sobre transportes, não havia carros, só carros de bois para levar coisas do campo, e as pessoas muitas vezes percorriam grandes distâncias a pé ou com autocarros que só chegaram mais tarde. Isso mostrava uma resistência natural à falta de recursos que os tempos atuais supriram.
Por fim, a relação com a leitura e os livros chega de uma forma especial. A avó de Laurinda comprava-lhe livrinhos ilustrados de histórias que ela adorava ler em voz alta, algo que foi um prazer e que passou para o filho quando ele cresceu. Ela fala com carinho dessa partilha, enquanto o filho fala das novidades tecnológicas, como vídeos e jogos no computador. A escola atual é mais acessível, limpa, cheia de recursos e de atividades, enquanto antes a leitura era um privilégio e pouca gente sabia ler — as mudanças são visíveis em todos os detalhes do quotidiano escolar e familiar.
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Quer que eu faça alguma coisa diferente com esse resumo?