João de Almeida é conhecido na zona como “mata lobos”e na sua entrevista explica o porquê deste apelido.
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00:18 Então antigamente podia dar-se uma batida aos lobos para…?
00:22 Podia, podia.
00:25 E como é que fazia para os apanhar?
00:28 Tinha foguetões, foguetes. E começava lá pelas costas, mas eles passavam e só matava um. E um foi daqui daquela baixa para lá, apanharam-no no meio de todos, estourado daqui, estourado dali lá o mataram
00:48 O (oo:48) ainda não era o caçador dos lobos, já tinha um “armazémzito” (armazém) e coisa ia por lá… e coisa, mas não… podia tudo levar, que ninguém perguntava nada a ninguém, o que tivesse.
01:04 As pessoas tinham que defender os seus animais? As pessoas tinham que defender os seus animais, não era?
01:10 Pois. Eles até uma vez os daqui da aldeia no fundo, acusaram-me que tinha matado os lobos. Olhe que ele mata os lobos, à guarda, a guarda mandou-me lá ir, ali a Sul. Lá me mandou ir… Então! Você aqui mata os lobos!? Pois eles comem as cabras. E depois participaram para Viseu, e eles disseram os de Viseu… depois eu encontrei-o …Olhe lá você não recebeu nada de Viseu!? Como ele tinha participado por lá. Disse: eu não, pois é louvor matar os lobos, que era louvor matar os lobos, eu ainda era louvado de matar os lobos, mas não me deram nada, nunca nada.
02:02 Então foi nessa altura que ficou com esse apelido? Que há pessoas que…
02:06 Ah…não, o apelide (apelido) os de Regoufe convidaram-me, que era o Portela…Você não conhece!?Portela que era um homem que…pois eles ficaram todos contentes comigo. Eu precisei fazer um “canastrito“ (Canastro, Espigueiro) ali todos cá vieram de graça, os que eu quis os que eu precisei. E depois convidaram-me e fui lá eu mais o Manuel da Cruz aqui o pai do Zé, “pai do Zé”, sim senhor aí essa batida, mas depois lá fomos coiso…(02:38) daqui a gente fomos a Regoufe, fomos bater quase além à Póvoa das Leiras, e eles puseram-se… sabiam onde eles os tinham, puseram-se a frente e eu fiquei cá mais para trás, depois o Portela perguntou-me…matei um dos velhos e matei três dos novos, foi lá que me puseram o nome de “mata lobos” em Regoufe, depois agarrei fui por aqui a fora lá onde eu entendia, quando tal vinha um de baixo para “arriba” (para cima) agarrava e espreitava assim os que ia abater, espreitava para trás, pois mas ele não me via a mim que eu estava encostado a umas “multeiras”. E agarrou …quando ele passou a frente de mim ( à minha frente ) dei-lhe dois tiros, ficou…começou logo a tombar. E depois agarrou… que eu atirava muito bem, não havia…até na tropa estava louvado em atirar, e agarrou…e Portela perguntou, oh João… esse era mais velho que eu qualquer coisa. Ao que atiras-te? Foi ao lobo. Era dos novos ou dos velhos? Era dos velhos… ficou? Ficou. Lá agarrei, larguei… Fui à frente ainda ao dos outros, ainda matei três. E eles…ouvi-os dizer assim…depois puseram-me o nome de “mata lobos” os de Regoufe. Mas eram meus amigos os de Regoufe, tudo que eu pedisse estavam à ordem. E depois o Portela dizia assim: ele pode e quer, que eu podia e queria. Era verdade, não havia acima de mim,
04:36 E esses lobos depois ficavam por lá, quando os matava, não os traziam para a aldeia, não os traziam para baixo?
04:40 Trouxeram-nos para cá para Regoufe. Nós os daqui, que eu matava aqui, punham-mos aqui pendurados onde é uma porta da “Pinta” (uma das famílias de Covas do Monte), numa ramada que la tinha, estavam lá uns dois ou três dia, para tudo ver quem…E eles também fizeram o mesmo também trouxeram o grande pesava 42kg, para o trazer de lá… Penduraram-no lá numa ramada e os pequenos estavam em cima de um carro, para todos…
05:08 Para mostrar a aldeia que tinham sido mortos!?
05:11 Regoufe…”Regoufe!?” Sim senhor…”sim senhor”.
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