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00:00 [Apresentação] Custodia Duarte Ribeiro Ponte – nasceu em Deilão em 1933

0:25 [vida] esteve em Lisboa a servir – esteve numa fábrica no Cacém – apanhou lá muito caracol e muitas flores para vender aos Sábados – atravessou a auto estrada muitas vezes carregada e a pé – agora tem muitos problemas nos ossos e nos rins, na vesícula (já foi parar às urgências duas vezes)

1:06 [filhos] [casamente] tem dois filhos – os filhos têm catorze anos de diferença um do outro – casou-se com 32 anos e no dia que fez anos de casada nasceu o filho mais velho, que está na batalha. O mais novo está em São Pedro, comprou lá um restaurante – diz, coitado, Isto está muito mau para se ter a porta aberta, anda tudo à sorte – os filhos nasceram em São Pedro, no hospital velho . O mais novo tem 32 anos e o mais velho tem 48 (46?) –

02:06 [batismo] diz que os filhos foram batizados pois na aldeia toda a gente é batizada – foram batizados em Covas do Rio – O batismo foi com água benta, e chamou-se os padrinhos –

02:29 [ pais] Os pais dela já morreram à muito tempo – O pai era Alvino Ribeiro da Ponte e a mãe Maria da Conceição Duarte – era os dois de Deilão – trabalhavam nas terras

02:53 [ a casa da infância] a casa ainda lá está mas ficou para os irmãos – a casa calhou à filha do Casanova – tem uma irmã que vendeu a parte da mãe e ficara com mais de metade da herança – os oito irmãos ficaram sem nada – mas temos que nos governar, que remédio

03:26 [reforma] [trabalho]É reformada – esteve em Lisboa a servir, e depois esteve empregada numa fábrica de livros, era servente de limpezas – quando solteira esteve a servir – não gostava muito do que fazia mas que remédio ! – Nunca gostou de prisões, estava habituada desde os 7 anos a ir com as cabras para a serra – Apanhou muita molha e agora dói lhe os ossos – Apanhou muita molha em Deilão – Foi por isso que não aprendeu a ler

04:13 [escolaridade] não aprendeu a ler, nesse tempo não era obrigatório – Somos oito irmãos (eram 9 mas um morreu novo ] e só os mais novos é que aprenderam a ler – Os mais velhos iam cavar a terra e ? os matos –

04:33 [irmãos] [escolaridade] já morreram três, uma era Emília, outra Clarinda (que já morreu), a Alice que está em Oliveira de Frades num lar (é a mais velha) Ela que é Custodia e Maria – Era cinco irmãs – e três irmãos, um já morreu por causa do álcool – só os mais novo é que foram para a escola, O Joaquim, a Maria e o Claudino – Um está em Alvarenga e os outros estão em Lisboa, no Cacém – tem três irmãos no Cacém – A escola era em Covas do Rio até à 4ª classe.

06:00 [ o que faz para passar o tempo] Come e dorme e acha que já não é nada mau.

06:15 [ se gosta de viver em Covas do Rio ] Gosta e acha que é melhor que Deilão – Foi criada em Deilão mas gosta mais de viver em Covas do Rio pois é mais quente – Em Covas do Rio há muito que comprar apesar de ter pouco dinheiro – Em Deilão não vai lá nada vender porque não mora lá quase ninguém – Em Covas do Rio é mais quente – lá em baixo é muito à beira do rio e é frio –

07:04 [ A vida de antigamente] Se calhar ainda volta a esse tempo porque as coisas estão -se a pôr muito más – No tempo de Salazar era pior – tinha-se que ter uma chapa no carro das vacas e uma chapa no jugo das vacas para andar pelos caminhos – Mas havia educação e agora não há nenhuma , havia regime –

07:43 [O rio que passa na aldeia ] Não sabe o nome do rio mas – ?? – Antes apanhava-se bocas no rio mas agora é só arvoredo, é silvas rio abaixo – Antes havia um guarda rios que mantinha o rio limpo agora é só arvoredo e dá cabo das terras, com as enchentes

08:38 [ moinhos] há moinhos , ela tem um mas é para os ratos fazerem ninhos, já não semeia milho , já não pode- a quem lhe comprasse era capaz de vender o moinho eléctrico –

09:14 [trabalhos agrícolas] ainda faz trabalhos agrícolas quando pode mas já não aguenta a sola dos pés , diz que é a velhice – mas gostava de fazer esses trabalho e ainda tem cebolas, abóboras, alhos (que se calhar ia semear nesse dia) – Semeia de tudo um pouco menos milho – aprendeu com o pai que era muito trabalhador –

10:12 [trabalho de antigamente no campo] Antes era melhor porque tinham saúde. Agora quer trabalhar mas já não pode, não tem forças

10:37 [cantar no trabalho ] cantavam e apupavam para os lobos não matarem o gado – agora só há umas ovelhas porque só há velhotes que já não conseguem trabalhar – Com o gado era preciso andar-se muito nas serras e apanhava-se muita chuva – diz que por isso agora já está arrumada –

11:17 [animais] já não tem animais nem sequer uma galinha pois não tem milho que lhe botar – comprando antes prefere comprar os ovos – gostava de ter animais mas agora já não pode – antigamente tinha cabras, vacas, ovelhas – ?? – Aquilo é umas calçadas que é quase como quem sobe um escadote – passou muito molho – criou o filho mais novo com 46 anos a trabalhar no campo – cozinhou muitas vezes no campo para não ter que ir a casa – Não costumava matar os animais só os porcos que punham na salgadeira para se governarem todo o ano – ela também matava porcos mas agora compra tudo congelado, mais vale que estragar – mandou vir um bocado de carne que o filho trouxe do jumbo por um dinheirão mas diz que ainda não provou – Raimosas ? não pode comer – viu nascer muitos animais nos montes e nas serras –

13:26 [ partos dos animais] Não sabes explicar

13:42 [catolicismo ] é católica sim senhor, todos os domingos vai à missinha e todas as 18:30 reza o terço porque tem vagar – agora à poucas festas religiosas porque não há lá quase ninguém
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