Maria Alda Almeida não teve tempo para ser criança. Enquanto o pai tentava arranjar rendimentos por lugares mais ou menos longínquos, começou, desde cedo, a ajudar a mãe na lavoura. Apanhavam medronhos, faziam aguardente e vendiam um ou outro animal. A alimentação baseava-se, sobretudo, nos frutos que a terra desse.
Tal como era comum nas aldeias de então, a família tinha um pequeno rebanho e criava um porco e galinhas.
Não raras vezes, em menina, ia para casa do tio, negociante em animais, que comprava a lã e a mandava fiar. A Maria Alda Almeida e aos primos e tios competia transformá-la em novelos, para serem usados no tear, uma missão que desempenhavam aos serões, de inverno.
Ainda se lembra de ver, também, fazer o linho, sendo semeado na aldeia, ripado e malhado na laje pela hora do calor.
No tempo em que ainda não havia televisão, muitas histórias que recorda chegaram-lhe pelos antepassados, nomeadamente pelo bisavô, que faleceu com 94 anos, há já quase 60 anos. Marceneiro de profissão, foi responsável por altares em vários templos da região e gostava muito de “explicar as coisas antigas”.
É o caso do pisão, que era do tio da sua avó materna. A mãe contava que quando eram miúdos, no tempo da guerra, o proprietário chamava pelos sobrinhos e dizia-lhes para irem buscar o saco da farinha, para que a mãe deles pudesse cozer o pão. Ao lado ficava a casa onde as pessoas, que chegavam a pé, de burro ou a cavalo, dormiam e passavam vários dias, até que o trabalho estivesse pronto e pudessem levar as teias de burel.
Maria Alda Almeida conta que era uma vizinha, costureira, que fazia as peças para as mulheres, enquanto as dos homens seguiam para o alfaiate, em Vilar do Monte.