No dia 12 de julho, a Binaural Nodar apresentou, no Museu do Linho de Várzea de Calde, em Viseu, o trabalho final da residência artística de Leele Jürgen, no âmbito da residência artística “Escutar a Juventude Rural”, integrada no programa Tramontana. O projeto contou com o apoio do Município de Viseu e da Junta de Freguesia de Calde.

A jornada de Leele Jürjen explorou a experiência de uma jovem que procurou ultrapassar as barreiras emocionais que criou para se proteger das expectativas e do julgamento social, refletindo também a sua própria busca pela autoaceitação e superação da vergonha. A artista transformou a residência numa espécie de peregrinação terapêutica, regressando sozinha a uma zona rural que a reconectou com as memórias de infância de liberdade criativa.

Profundamente enraizada nas culturas indígenas de Võru e Seto, Leele trouxe para o projeto a sua formação como violoncelista e cantora, combinando música tradicional da Estónia com influências contemporâneas. A apresentação final foi uma reflexão íntima sobre identidade, sensibilidade e reconexão emocional.

Leele Jürjen, nascida em 2006 em Tartu, Estónia, é uma violoncelista e vocalista pioneira que combina a formação clássica com a música tradicional estónia. Iniciando o seu percurso musical com o kannel e o violoncelo sob a orientação de professores conceituados como Leho Karin e Reet Mets, Leele tornou-se a primeira violoncelista do Departamento de Música Tradicional da Heino Eller Music College, onde explorou a música folclórica através do seu instrumento de formas inovadoras. Profundamente enraizada na herança cultural dos povos Võro and Set, uma que foi transmitida por sua mãe, Anna Hints, Leele tem dado vida a estes sons enquanto membro fundador do trio folk Nova Lyre, misturando línguas antigas e arranjos contemporâneos.