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00:oo [Apresentação] Isabel Henriques Duarte – nasceu a 28 Fevereiro de 1970 – não sabe se foi por acaso ou se o ano seria bisexto.

00:30 [casa] [eletricidade] lembra-se da casa – era uma casa com bastantes condições para a altura – foi das primeiras a ter casa de banho, eletricidade, televisão – naquele tempo para o que vivia na zona tinha já muitas condições – tinha 7 anos quando a eletricidade lá chegou – não se lembra do reboliço que a chegada da eletricidade causou – o pai comprou uma televisão e as pessoas da aldeia juntavam se todas para ver a escrava Isaura à hora do almoço na sua casa – não se lembra de ver tv pela primeira vez – lembra-se de as pessoas se juntarem para ver a novela –

02:33 [bailes]foi poucas vezes porque o pai não deixava – a mãe deixava mas tinha que estar por perto – na altura uma pessoa queria era namorar e então não achava muita piada a mãe andar por perto – acabava por desistir e não ia –

03:00 [Macieria][escola] morou lá até aos 18 anos depois foi atrás de melhores empregos – fez o 8º ano em São Pedro e depois desistiu e foi atrás do dinheiro que agora não há

03:35 [marido][casamento] é da zona -nasceu e foi criado em Lisboa e Isabel foi atrás dele – casaram na igreja de São Martinho a igreja da freguesia dele – casaram e foram morar para Lisboa mas nunca deixou as raízes –

04:14 [infância] as lembranças de viver na aldeia nunca são muito boas porque é so trabalho – agora as coisas vêem-se de outra maneira a partir de uma certa idade – vai se reservando as tradições e o que tem estado a fazer é fazer com que os filhos não esqueçam essas raízes –

04:58 [escola][infância] fez a primária na aldeia -fez em Sul a tele-escola e o 7º e 8º ano em São Pedro – passou o tempo da fome com os pais – na aldeia não tinha os mesmos mimos que tinham os da cidade – havia sempre frango assado ao domingo ou em dia da festa mas a alimentação era à base do que saía das terras – o pai era pedreiro e o dinheiro era para cultivar as terras – não era como na cidade – não se lembra quando o pai esteve emigrado – ele emigrou quando o irmão nasceu e teve lá até Isabel nascer – têm diferença de 6 anos e o pai teve lá esse intervalo –

06:37 [mudança de casa] [Macieira] os pais tinham casa em Macieira, no Fundo do Povo – Isabel viveu lá até aos 10 anos – depois construíram esta casa – Isabel não tem ideia da mudança pois era muito nova – mas sentia a guerra entre os pais pois o pai queria mudar de casa e a mãe não – a mãe não queria ir morar lá para cima pois foi criada e habituada a viver lá em baixo no meio da povoação – lá em cima a mãe viu-se isolada – o irmão já trabalhava e Isabel ainda vivia com os pais – a guerra era entreos pais porque um queria ir lá para cima e outro queria ficar lá em baixo – mas não foi nada de especial – Isabel gostou da mudança porque ficou a conhecer pessoas novas – lá em baixo via sempre as mesmas caras –

08:26 [Infância] Os pais tinham uma cervejaria que servia algumas refeições e Isabel já ajudava – muitas vezes com 12, 13 anos já lá ajudava – os pais continuavam a manter os terrenos lá em baixo na povoação e a trabalhar em agricultura – muitas vezes Isabel ficava sozinha na cervejaria enquanto os pais trabalhavam nos campos –

09:05 [bailes] [marido] [casamento] faziam os bailes em Macieira – Isabel já conhecia o irmão do futuro marido até que acabou por o conhecer – já estão casados há 25 anos, fazem em Julho as bodas de prata – os bailes valeram a pena

09:47 [Lisboa] foi contente para Lisboa – já estava farta da aldeia – queria coisas novas – diz que depois se confrontou com a realidade e passado uns tempos quis voltar para a terra – diz que para uma pessoa que é criada na aldeia a vida na cidade é totalmente diferente -por muito esforço que faça nunca se consegue adaptar – viveu em Lisboa e viu, trabalhou e lá criou os filhos mas se pudesse voltar à aldeia voltava – não se arrepende de nada nem de ter ido para Lisboa – se voltasse atrás e não tivesse ido para Lisboa é que poderia dizer que se tinha arrependido de não ter ido mas como foi não pode dizer que se tenha arrependido.
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