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00:00[Apresentação] Margarida Martins – nasceu a 16 de Setembro de 1935 em Macieira –
00:15 [pais] os pais eram de Macieira, já faleceram, o pai era Arlindo Soares e a mãe era Carolina Martins – nasceram em Macieira e nunca de lá saíram – a mãe morreu aos 88 e o pai aos 93 – os pais sempre trabalharam no campo e não tinham reforma
00:49 [casamento] [Lisboa] casou aos 20 anos – o marido já estava em Lisboa de modo que Margarida foi também para lá – esteve em Lisboa 20 e tal anos – teve lá o filho e quando se reformou foi viver para Macieira, para o campo juntamente com o falecido marido – O marido faleceu há 10 anos.
01:22 [Lisboa] trabalhava num armazém de vinhos, quando a fabrica fechou mudou para a fabrica Macieira, trabalhou lá até se ir embora.
01:38 [juventude] trabalhou no campo. Hoje em dia deita-se a roupa fora mas naquele tempo punha-se um lenço a fazer de saia para lavar a saia no Sábado para no domingo a vestir – hoje em dia não há moda para os mais velhos
02:13 [como se trabalhava nos campos] [escola]trabalhava-se com as mãos, com uma enxada, cavava-se terras, semeava-se batata, era tudo com a enxada. Mais tarde os novos emigraram – não havia tractor naquele tempo, trabalhava-se com as vacas – os pais tinham terrenos mas não havia dinheiro e é como diz o ditado, não é só do pão que vive o homem – comiam pouco – cozia-se o pão e eram fornadas de pão – panelas de sopa e batata cozida – havia unidade entre as famílias enquanto hoje as pessoas matam-se por cause de bens que os pais deixam – fez a primeira classe, não havia tempo para a escola –
03:40 [o que cultivava] cultivava milho, batata, feijão, cebola, hortaliça
03:50 [carne] criava-se porcos, comprava-se leitões que se matavam e Novembro ou Dezembro. Matavam-nos o matador, ela não matava. Enquanto o seu marido foi vivo matavam sempre dois porquinhos – O matador matava e depois vinham pessoas ajudar a limpar as tripas e encher fumeiros – ela nunca matou um animal nem uma galinha – se for um coelho ainda lhe consegue dar uma pancada mas a galinha como é com a faca não consegue – não comia carne todos os dias – aqueles dois porquinhos tinham que dar para todo o ano para uma casa de 5 e 7 pessoas – em casa do seu pai eram três filhos os pais e os avós, 7 pessoas – a mãe ia à salgadeira e dividia as partes do porco por 7 – era só aquele bocadinho que lhes tocava –
05:55[animais] teve cabras, ovelhas, vacas mas já desapareceu tudo, já só tem duas galinhas que são a sua companhia
06:12 [reforma] tem uma reforma enquanto ela vier vai-se vivendo dela – ainda semeia batatas e couves – deu-lhe um a trombose numa perna
06:23 [Lisboa] quando foi ficou triste porque estava muito habituada à terra – até chorava para vir para a terra – depois no final chorou novamente porque já não queria vir – o marido foi primeiro quando se reformou – o filho andava na tropa e então Margarida ficou em Lisboa até se orientar mas depois veio-se embora
06:56 [viagem para Lisboa] foram numa carreira e também havia comboio – apanhavam em são Pedro e saiam em Lisboa no Braço de Prata –
07:21 [como reagiram os pais] [irmãs]ficaram com pena dela pois preferiam que ficassem na terra a trabalhar – casaram e cada irmã tomou a sua vida – os pais ficaram sozinhos – eram 3 irmãs – a mais velha está inutilizada das pernas a mais nova em África do Sul e Margarida é a do meio –
08:07 [festa de Macieira] A festa é o convívio das famílias – na festa da castanha quem vai tem férias pois guardam as ferias para Agosto para irem à festa – a festa é a 15 e 16 de Agosto – há uma procissão, festa religiosa, e o ?? para cima lá no campo – antigamente era só religiosa – depois foram fazendo fazendo e meter mordomos
09:22[escola] A escola foi em Macieira mas só fez a primeira classe e não se lembra se a acabou – a escola era lá em cima agora está tudo escangalhado – havia muita gente mas depois começaram a emigrar com os filhos e já não tinham lá muita gente – depois muitos foram para sul e são Pedro .
10:00 [casamento] casou em macieira fizeram uma festa convidaram as famílias e os amigos – fizeram uma festa grande dentro do possível – matava-se um cabrito ou uma cabra ou uma ovelha e fazia-se um almocinho –
10:36 [filho] só tem um e nasceu em Lisboa no bairro chinês – ele tem um rapaz e uma rapariga – a rapariga já está casada e o rapaz anda a ver se tira o mestrado, tem 24 anos – quando os netos nasceram margarida estava em Macieira – quando a neta fez a queima das fitas foi lá e foi muito bonito – ele não quis porque é muito antipático – mas ela quis e então foram comer a um restaurante – os netos já nasceram na maternidade – nunca viu o parto de ninguém –
11:35 [dar à luz antigamente] era aí uma mulher jeitosa e depois deus é que ajudava – não havia estrada naquele tempo – a mulher chamava-se Maria, era uma mulher que morava ao pé da capela, já morreu ao tempo –
12:17 [saudades de Lisboa] hoje não tem só da família que lá está – foi a Lisboa em Agosto 10 dias – não queria ir mas como está lá sozinha, preferia era ficar – tem o seu cantinho e a sua casinha, tem todas a comodidades
12:40 [a casa] fez com o marido, compraram-na e depois restauraram-na toda – compraram-na depois de vir de Lisboa – ja la vive há mais de 50 anos – restauraram-na porque por dentro era contraplacado e hoje está em tijolo com mosaicos –
13:15 [marido] o marido morreu a 11 de Abril, há 10anos, chamava-se João e morreu de repente . tinha feito uma operação à anca que tinha corrido muito bem mas 15 dias depois morreu – margarida estava em casa e foi um choque muito grande – no hospital disseram-lhe que o tinham de levantar com uma almofada para não fazer força mas num dia sentiu-se mal e morreu na cama – não sabe se foi do coração ou se foi por causa da operação – morreu com 71 anos – morreu na aldeia – os bombeiros quando chegaram para o levarem para o hospital disseram que já não o levantavam da cama – chegou a guarda e Margarida começou a gritar mas a guarda pediu que não tivesse medo e que apenas mostrasse o remédio que estava a tomar – deu inicio ao funeral – ficou sozinha entre quatro paredes -o marido adorava trabalhar nas terras – o marido fez tropa mas não foi para a guerra -fez tropa em Mafra -ele foi para Lisboa primeiro trabalhar mas Margarida já não se sentia muito bem sozinha, estava ao pé dos sogros e fartava-se de trabalhar, noite e dia – o marido mandou margarida ir a Lisboa passar uns dias mas acabou por se mudar para lá -teve pena dos pais mas Margarida estava mais ao pé dos sogros e sogros são sogros, ele era Augusto Alves e ela era Arminda Duarte e eram de Macieira, moravam na casa na parte de cima
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