Maria Hermínia, nascida no concelho de Cinfães e habitando na aldeia de Sequeiros, no concelho de São Pedro do Sul, é uma mulher rica em conhecimento sobre plantas e ervas medicinais usadas antigamente para tratar várias maleitas. Ela relembra com carinho como sua mãe a curou com água de malvas para infecções na cabeça, utilizando técnicas caseiras que envolviam lavar com plantas e aplicar mercúrio para desinfetar, uma prática antiga que hoje dá lugar a produtos modernos como o Betadine. Além disso, Maria Hermínia fala sobre chás feitos de folhas de laranjeira, ortigas, cidreira e tília, que eram usados para aliviar sintomas comuns, como tosse e mal-estar, demonstrando uma profunda ligação com as tradições naturais de cura da sua região.
Paralelamente ao seu conhecimento medicinal, Maria Hermínia cultiva uma grande paixão por flores, com um jardim repleto de variedades que ela orgulhosamente compartilha. Entre as plantas que menciona estão as Zálias, Chorões, Sempre Noivas, Goivos, Malmequeres e Begónias, frequentemente trocadas entre amigas e familiares, como a Donzília de Nodar e a vizinha Aurora, que também são mencionadas pelas suas contribuições ao seu jardim. Ela comenta os encantos e características das flores, suas cores e nomes locais, além das dificuldades que enfrenta para manter algumas delas, como as trepadeiras e as camélias, evidenciando a dedicação e o cuidado que tem com o espaço onde vive.
No relato, Maria Hermínia também toca aspectos culturais ligados às flores, como o costume de utilizar as chamadas “carvalhinhas” para enfeitar campas no Dia de Todos os Santos, uma tradição local que mantém viva com o cultivo de flores que florescem especialmente para essa ocasião. Sua relação com as plantas é marcada pela troca e cuidado mútuo, tanto no sentido físico quanto simbólico, o que reforça um elo forte entre a comunidade e a valorização da natureza em momentos importantes da vida, como o respeito aos entes queridos que já partiram.
A entrevista revela uma figura profundamente conectada às raízes rurais e tradicionais da sua aldeia, onde o saber sobre as plantas vai além do simples cultivo – é parte da identidade e do cuidado com a saúde e a memória coletiva. Maria Hermínia representa um elo entre gerações, mantendo vivos os saberes antigos e o amor pelas flores que enfeitam o seu dia a dia e as suas lembranças.